Mais de 839,7 mil brasileiros e brasileiras estão presos, dos quais 68% são pretos e, do total, mais de 41% deles estão presos sem terem sido condenados (dados de 2019). São, portanto, inocentes até que se prove o contrário – mas, na lei que vale, são presumidos culpados, mesmo que provem o contrário, pelo simples fato de serem pobres e pretos. Claro que isso não vale, por exemplo, para gente como o trio dos acionistas bilionários da corporação monopolista “Americanas” Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, podres de ricos.
O ex-CEO Miguel Gutierrez, comprovadamente culpado pelas fraudes que desviaram mais de R$ 25,3 bilhões e hoje preso, garante que os três conheciam a situação real e participavam ativamente da gestão da corporação. “Me tornei um conveniente ‘bode expiatório’ para ser sacrificado em nome da proteção de figuras notórias e poderosas do capitalismo brasileiro”, disse, à CPI que investiga o caso, em setembro de 2023. “Como é notório, e como consta inclusive no famoso livro em que conta a sua trajetória empresarial, o 3G (grupo dos três acionistas) participa ativamente da gestão das empresas de seu portfólio e controla rigorosamente suas finanças”, arremata. E esses são os fatos, tanto que o grupo vendeu um grande volume de suas ações antes de estourar o escândalo. Mas nem a CPI, nem os monopólios de imprensa e nem as investigações criminais sequer cogitaram possível responsabilidade dos magnatas como autores intelectuais da maracutaia, ao contrário, propagandeiam a todos os lados que o esquema foi descoberto e os magnatas são pobres vítimas indefesas de uma administração malandra… Esse é o poder do capital financeiro, de forma nua e crua, sobre o chamado “poder público”, isto é, poder do capital financeiro sobre o “público”.
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O presidente da república, uma vez mais, se queixou do atual presidente do Banco Central (BC): “Faz um ano e eu estou com o presidente [do BC] do Bolsonaro”, resmungou, durante evento em Feira de Santana. “Como que pode um presidente ganhar as eleições e não poder indicar o presidente do BC?”, insistiu. Claro, ele disse isso para o público de eleitores, para quem precisa retomar uma pose de esquerda – e, é claro, os articulistas direitistas nos monopólios de imprensa se escandalizam, porque querem detratar o presidente social-democrata no “mercado” para pavimentar a volta do bolsonarismo, agora “moderado”.
Noves fora isso, todos sabem que é apenas encenação, pois Luiz Inácio só venceu as eleições com o apoio tácito do establishment para se livrar de Bolsonaro porque garantiu que não mexeria nos pilares da política econômica de sangria da Nação e, inclusive, prometeu publicamente, em várias oportunidades, aceitar a “independência” do BC e, mais, prometeu não retirar Roberto Campos Netto – o que é seu direito, como presidente, embora finja que não. Campos Netto é um inimigo fantasmagórico, útil para coesionar a base do movimento popular cooptado pelo governismo e terceirizar a responsabilidade pela inflação, altos juros e persistente estagnação da economia.
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A fragorosa derrota de Emmanuel Macron, no primeiro turno, após ele mesmo antecipar as eleições parlamentares, expressa o grau de crise da democracia burguesa na Europa: seus aliados, da direita tradicional, alcançaram apenas 20% dos votos, contra 33% da extrema-direita liderada pela ultrarreacionária Marine Le Pen – cujos laços familiares históricos com o nazismo são inapagáveis. Nos Estados Unidos, depois de tripudiar de Joe Biden no primeiro debate dos presidenciáveis, Donald Trump teve uma decisão favorável do judiciário, que considerou que ele tem direito a imunidade parcial por atos cometidos em relação ao seu poder constitucional como presidente. Como se pode observar, a extrema-direita recupera espaços – afinal, a tendência do imperialismo, ainda mais no período de sua crise geral de decomposição sem precedentes, é a violência e a reação em toda a linha. Isso certamente refletirá no País, como impulso à candidatura bolsonarista, a qual redobrará forças ao ter como oponente um governo social-democrata de retórica, que frustra as massas populares devido ao seu servilismo e seus compromissos intocáveis com a grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo, principalmente ianque.
Para frustrar as aspirações da extrema-direita e do fascismo e derrotá-los por completo, é preciso ocupar as ruas e mobilizar audazmente as massas, que só atenderão ao apelo daqueles que defenderem seus interesses imediatos e ir ligando-os à luta política contra a marcha reacionária e, depois, contra toda a velha ordem, por um Brasil Novo e de Nova Democracia.