Editorial semanal – Tempo de crise aguda

Apenas as massas populares podem enfrentar a tendência, agravada a cada dia, de cerceamento dos direitos do povo e liberdades civilizatórias, tendência que ocorre na base da luta de classes real; apenas os movimentos populares e revolucionários podem conquistar as vitórias econômicas e políticas imediatas para o povo e pavimentar a construção de um Novo Brasil.

Editorial semanal – Tempo de crise aguda

Apenas as massas populares podem enfrentar a tendência, agravada a cada dia, de cerceamento dos direitos do povo e liberdades civilizatórias, tendência que ocorre na base da luta de classes real; apenas os movimentos populares e revolucionários podem conquistar as vitórias econômicas e políticas imediatas para o povo e pavimentar a construção de um Novo Brasil.
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Histeria generalizada: este é o nome apropriado para qualificar a gritaria da imprensa reacionária mundial em condenação à desajeitada fala de Luiz Inácio, na capital da Etiópia, em que qualificou como genocídio as ações de Israel em Gaza e comparou-as com o Holocausto. Seguindo as diretivas dos serviços de inteligência do Estado sionista de Israel, toda sorte de “intelectuais”, articulistas e âncoras saíram à baila para ressoar novamente que toda comparação de Israel com o nazismo é “antissemitismo moderno”. Enquanto isso, o povo palestino segue resistindo a maciços bombardeios que, somados desde o 7 de outubro, equivalem a mais de cinco bombas de Hiroshima (!) – feito que Hitler, embora certamente fosse desejá-lo, não pôde realizar e se orgulhar. De fato, talvez seja inapropriada a comparação com Hitler: quem sabe os sionistas já o superaram.

Não é demais, também, rejeitar as injustas acusações dos sionistas a Luiz Inácio: este não é inimigo de Israel, como o comprovam todas as suas intervenções, nas quais ele concebe assim a ordem de acontecimentos: primeiro, o Hamas promoveu terrorismo e devemos condenar; depois, Israel foi desproporcional e está praticando genocídio. Entre esta posição de Luiz Inácio e a de Joe Biden (insuspeito defensor do genocídio sionista contra o povo palestino) há apenas diferença de graduação, ou melhor, na escolha da palavra “genocídio”, pois a lógica do raciocínio é a mesma e as implicações também: Israel tem “direito de se defender” (leia-se, de prosseguir seu projeto colonial) e Hamas, tem o dever de desaparecer (leia-se, a resistência armada, anticolonial, do povo palestino). Para o governo brasileiro, antes do dia 7 de outubro – o fatídico dia da grande e heroica operação do Hamas –, os palestinos viviam o paraíso na Terra, não havia apartheid na região e tampouco morriam civis na Faixa de Gaza. Uma vez mais, Luiz Inácio demonstra-se o pelegão que é, até mesmo na agenda internacional mais propícia a ter um posicionamento verdadeiramente progressista. Por fim, se Luiz Inácio é mesmo partidário da tese segundo a qual está em curso um genocídio, e Israel se assemelha à Alemanha nazista, por que não rompe relações diplomáticas? Seria aceitável, “para um humanista” (como gosta de dizer), manter relações com Hitler em pleno Holocausto?

Os sintomas e abalos da crise também estão na política interna. A unidade no seio do establishment para inibir a tendência de ruptura institucional no seio da caserna, através de avançar algumas casas nas investigações contra Bolsonaro, deu no presente inquérito de Alexandre de Moraes e na operação da PF. Daqui em diante, todavia, a unidade começa a sua tendência à desagregação: por um lado, o STF, quem está encarregado deste trabalho, tem suas próprias ambições de esticar sua parte no Poder político e abranger suas funções, que tem no Legislativo uma forte resistência; está em andamento projeto de lei que visa submeter, na prática, o STF ao Senado federal, tendo este último a função de ratificar decisões da Suprema Corte. Por outro lado, o Alto Comando das Forças Armadas, que tem no âmago da sua ideologia a convicção de que a integridade nacional depende de sua oportuna intervenção nas crises políticas desde o Império, embora se encontre na defensiva para não se associar ao bolsonarismo desmoralizado, voltará ao terreno mais cedo do que se pensa: aproveitando-se da desmoralização do STF e do Legislativo, apenas aguarda uma crise importante que corroa a legitimidade do governo – fato inevitável, em se tratando de um governo reacionário, oportunista e de conciliação de classe. Os generais sabem que, de tempos em tempos, o movimento revolucionário popular se levanta no País, restabelecendo as bandeiras históricas da luta democrática do povo brasileiro, e que não há outra opção que tentar banhá-lo em sangue: em resumo, de tempos em tempos, é necessária a intervenção militar, e eles creem que está chegando a hora.

Ao contrário do que pensam os portadores de ilusões constitucionais, as severas e gravíssimas contradições que resultaram na crise militar de outubro-novembro de 2022 não se solucionaram: elas se avolumam de forma latente. Apenas as massas populares podem enfrentar a tendência, agravada a cada dia, de cerceamento dos direitos do povo e liberdades civilizatórias, tendência que ocorre na base da luta de classes real; apenas os movimentos populares e revolucionários podem conquistar as vitórias econômicas e políticas imediatas para o povo e pavimentar a construção de um Novo Brasil.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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