Editorial semanal – Um balanço necessário sobre o novo governo

Completou-se um ano do novo governo e se faz necessário um balanço.

Editorial semanal – Um balanço necessário sobre o novo governo

Completou-se um ano do novo governo e se faz necessário um balanço.
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Completou-se um ano do novo governo e se faz necessário um balanço. Neste período, as palavras que mais se utilizaram Luiz Inácio e seus sequazes foram “reconstrução”, “governabilidade”, “negociação”, “pragmatismo”. No vernáculo dos pelegos essas são palavras-chaves que justificam toda sorte de paradoxos entre o que se promete e o que se pratica, entre o que se diz e o que se faz. Reconstrução, cadê? Pragmatismo, por exemplo, é a categoria que usam para justificar o seu arco de alianças no governo – no qual são bem-vindos de paramilitares cariocas ao “centrão” até ontem bolsonarista –, argumentando que com isso é possível alcançar pequenas vitórias.

Pois bem. Passemos um vistaço em alguns pontos, do que fora prometido e do que foi praticado, e vejamos se podemos encontrar “pequenas vitórias”.

A despeito da “capacidade de diálogo” de Luiz Inácio, o “Marco Temporal” teve o veto presidencial revogado pelo Congresso Nacional, inclusive pela “base governista” aliados de Lula. Não custa recordar que, em abril de 2022, em plena campanha eleitoral, Luiz Inácio disse que ia fazer e acontecer: “A gente não pode permitir que aquilo que foi conquistado com luta de vocês seja tirado por decreto, para dar direito àqueles que acham que tem que acabar com a nossa floresta. Se voltarmos ao governo, não será permitido fazer qualquer coisa em terra indígena sem que haja concordância e concessão de vocês”, disse. Já, no governo, a história é outra. O baixíssimo empenho do governo nesta matéria contrasta, por exemplo, com o zelo como tratou as negociações com os latifundiários no início do ano, quando foi liberada, sob pomposa rubrica de Plano Safra, uma quantia colossal de dinheiro público ao agronegócio (R$ 364 bilhões), bem mais do que destinou Bolsonaro, o testa-de-ferro da canalha latifundiária. Em verdade, chama a atenção que a aprovação de Flávio Dino para o STF, tão criticada pelos parlamentares a princípio, tenha ocorrido sem nenhuma oposição da bancada ruralista, no mesmo instante em que o “Marco Temporal” se tornava lei sem um pio do PT. Coincidência, talvez?

A despeito do “pragmatismo” de Lula, a falida reforma agrária do velho Estado prometida é um natimorto. O governo destinará, para 2024, miseráveis R$ 567 milhões para fins de “reforma agrária”, praticamente a mesma quantia que Bolsonaro destinou em 2020, quando Lula e o PT choramingavam “a morte da reforma agrária”. Pois bem, agora a defunta foi morta novamente, agora pelas mãos dos oportunistas, mas desta vez com a benção da imobilista direção nacional do MST.

O que dizer da Educação pública? Nela, as “negociações” de Luiz Inácio apenas viabilizaram a aplicação do Novo Ensino Médio e a destruição total das disciplinas científicas; mesmo o tecnicismo reacionário foi substituído pela ideologia do “empreendedorismo”, ainda mais anticientífica. Os cortes de verbas – agora, aceitos com nome mais sofisticado: contingenciamento – seguem ocorrendo, tendo já arrancado das Escolas e universidades um montante de R$ 497 milhões, apenas em 2023. Que algum curioso pergunte ao Ministério da Agricultura dos latifundiários quantos centavos Lula cortou em verbas seu orçamento, desde o início do ano: nenhum. Pois é! Enfim, prioridades.

E quanto ao generalato das Forças Armadas e sua “baderna” em 8 de janeiro: quantos foram punidos ou investigados? Os generais Braga Neto, Augusto Heleno, Villas-Bôas e tantos outros que estavam sabidamente intervindo na vida política nacional pela dissuasão utilizando-se de seu poder armado: quantos deles se explicaram à Nação? Nenhum. A cúpula militar da ativa que discutiu e participou da conspiração por um golpe de Estado, nas eleições passadas, que só recuaram por lhe faltar permissão do “Tio Sam”: quantos deles foram expulsos das Forças Armadas ou perderam suas patentes? Quantos deles foram rebaixados? Nenhum! Todos seguem em seus postos de mando e, como manda o protocolo da casa, com os agraciamentos mui rendosos. A CPMI do 8 de Janeiro, que se pretendeu como uma encenação, iniciou sem apoio do governo e encerrou-se sem sequer escutar essas notórias celebridades da caserna. Ao contrário do que mandam suas próprias leis, os golpistas seguem instalados no governo, no GSI, no Ministério da Defesa, na cúpula das três forças. Aqui, também, nada mudou: todos ficaram impunes e, portanto, encorajados para a próxima conspirata.

Aonde tem levado o pragmatismo oportunista? Ao mais do mesmo. Como filosofia reacionária, o pragmatismo se distingue por ser a pregação da adaptação às circunstâncias, aqui, a saber, adaptação ao lixo dessa velha política reacionária e chafurdar nela. Os revolucionários e democratas consequentes, por sua vez, por terem dignidade, não se resignam a procriar-se na imundícia: pretendem destruí-la, ainda que demande muito tempo e hercúleos esforços, para erigir uma Nova Democracia e uma era de prosperidade em seu lugar.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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