Editorial semanal – Viva os 87 anos do Levante Popular Armado de 1935

2022 marcou os 88 anos do Levante Popular Armado. Hamilton Mourão, ex-vice-presidente, fez discurso anticomunista.

Editorial semanal – Viva os 87 anos do Levante Popular Armado de 1935

2022 marcou os 88 anos do Levante Popular Armado. Hamilton Mourão, ex-vice-presidente, fez discurso anticomunista.
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No dia 27 de Novembro, completaram-se 87 anos do Levante Popular Armado de 1935 da Aliança Nacional Libertadora (ANL), dirigido pelo Partido Comunista do Brasil (P.C.B.) e sob orientação da Internacional Comunista de Stalin. Grande acontecimento, o levante mobilizou milhões de operários, camponeses, pequenos e médios proprietários, intelectuais, democratas e soldados, com o programa de varrer do País a dominação imperialista, a chaga do latifúndio semifeudal e marchar à democracia popular, rumo ao Socialismo. O Levante instaurou o primeiro governo operário e camponês na história do Brasil, especificamente no Rio Grande do Norte, mas não pôde alcançar êxito por erros na direção do Levante, cujo ponto central, foi não ter se apoiado nos camponeses pobres como força principal.

Até hoje, a brilhante ousadia do proletariado e massas populares causa terror aos reacionários, particularmente nas Forças Armadas. Acusam os insurretos de “traidores” e “covardes”, naturalmente, adjetivos que cabem apenas aos reacionários, mas que buscam projetar nos seus inimigos. Ao contrário, os insurretos foram intrépidos combatentes da liberdade, que não se permitiram assistir, calados, ao avanço do fascismo e da crescente miséria causada pelo regime pérfido das classes dominantes. Tombaram com dignidade, muitos deles mesmo após terem se rendido. São heróis do povo brasileiro!

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E eis que, por ocasião dessa data, Hamilton Mourão resolveu pronunciar-se. Ele, que desde a derrota eleitoral de Bolsonaro tem se esforçado para alcançar protagonismo no palavrório anticomunista e de chantagens golpistas, certamente encorajado por ter imunidade parlamentar como senador eleito pelos próximos oito anos.

No dia 27/11, Mourão se pronunciou: “Na data de hoje, em 1935, traidores da Pátria intentaram contra o Estado e o povo brasileiro. A intentona de 27 de novembro foi a primeira punhalada do Movimento Comunista Internacional contra o Brasil. Não seria a última. Eles que venham, não passarão!”. Dias antes, já havia bravateado: “Hoje, rumamos para um precipício. Assim, é chegada a hora da direita conservadora se organizar para combater a esquerda revolucionária. Necessário é reagir com firmeza, prudência e conhecimento…”

Poderíamos questionar: aonde esteve o que agora reclama como “firmeza, a prudência e o conhecimento” durante toda a pandemia, quando o vosso governo genocida acumulou 689 mil mortos? (Quantia desproporcional à média global de mortes em comparação com a população; o País ficou em 14º no número de mortos, proporcionalmente, no mundo, a frente do Chile, Paraguai e Argentina). Que tal uma palavra sobre os 60 brasileiros e brasileiras que vosso governo de ratos e parasitas deixou perecer, por falta de oxigênio, em janeiro de 2021 no Amazonas?

Se quisermos falar em “punhalada contra o Brasil”, ao contrário se 1935, deveríamos falar dos massacres genocidas que fundaram o Exército brasileiro, como na guerra do Paraguai, em que não pouparam nem mesmo crianças subnutridas e cuja história revela uma corrupção desbragada nas altas cúpulas militares. Teríamos ainda que falar do massacre ignóbil que o Exército reacionário executou contra a Revolta de Canudos, na qual exterminou, em nome da república dos senhores de terra e a serviço do seu poder, mais de 25 mil homens, mulheres, anciãos e crianças que lutavam por sua liberdade. Deveríamos, ainda, falar sobre os maciços bombardeios disparados por ordem do general Gaspar Dutra, em 1936, que fez desaparecer toda a comunidade de Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, no Ceará, onde temiam que existisse ali atuação dos comunistas. Que tal falar ainda do golpe fracassado de 1954, contra um presidente eleito, traumatizando a Nação, e outro mais em 1964, tudo operado por ordens alienígenas, do vosso senhor do Norte, o imperialismo ianque, do qual vocês são bajuladores repugnantes? Poderíamos ainda falar sobre corrupção: compra em doses cavalares de whisky’s envelhecidos, picanhas, cervejas. Algo a declarar sobre isso? São essas as “profundas virtudes” do generalato reacionário?

A situação de desgraça a que tem sido arrastada a Nação tem, na maioria dos senhores generais, de todas as gerações, os principais responsáveis, em última instância. Foram vocês, senhores, que mantiveram e seguem mantendo o País na condição de mero exportador de matérias primas, assentado no latifúndio semifeudal de faixada lustrosa e sob o domínio onímodo do imperialismo, principalmente ianque, generalizando a exploração e opressão das massas trabalhadoras do campo e da cidade, e ao estrangulamento da pequena e média burguesias. Enfim, do povo, que é o elemento constitutivo central da nacionalidade contra a qual vocês trabalham, embrulhando sua natureza vende-pátria com o linguajar patrioteiro da caserna.

General Mourão: de bravateiro na intentona maçônica que tentou levar a cabo para depor a marionete Temer, passou a arrivista como vice-presidente do governo genocida de Bolsonaro e, agora, vem a cena como pescador de águas turvas. O que ele busca agora? Busca aproximar-se a esse movimento de massas anticomunista e golpista, para tomá-lo da direção bolsonarista e pô-lo sob a sua liderança mais alinhada com os planos do Alto Comando das Forças Armadas de golpe de Estado “lento, gradual e seguro”.

As contradições dessa velha ordem, defendida a ferro e fogo pelas Forças Armadas reacionárias e outros canídeos das classes dominantes, são insolúveis nos marcos desse velho regime. A Revolução Democrática, inconclusa e pendente, está novamente na ordem do dia, aclamada crescentemente pelos camponeses e pelos pobres da cidade e do campo, e esse fato aterroriza os milicos de alto coturno, que logo se recordam de 1935. Pode tremer, esbravejar e ameaçar! O sistema de opressão e exploração ao qual estão a soldo está ruindo no mundo inteiro em direção à tumba da história. Questão de tempo! Vossa ofensiva contrarrevolucionária preventiva se esbarrará na poderosa muralha que as massas exploradas e oprimidas já estão erguendo. E por mais que arenguem todo dia seu credo anticomunista e por mais ameaças e horrores que sigam cometendo, não poderão deter a fúria da história e o tufão das revoltas das massas de nosso sofrido e heroico povo. Vossa pútrida reação só pode se debater violentamente para ter sobrevida; todavia, a repressão e o genocídio não eliminam a luta popular, mas a alimentam, a forjam mais e aumentam o tamanho da conta a se acertar. Os séculos de opressão cairão, quer gostem, quer não.

Imagem em destaque: Comício da Aliança Nacional Libertadora na Cinelândia, Rio de Janeiro, 1935. Foto: Banco de Dados AND

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