Segundo o Instituto Brasileiro de Segurança Pública, em apenas um estado brasileiro, na Bahia, as Polícias Civil (PC) e Militar (PM) assassinaram mais que todas as polícias do Estados Unidos (USA), em dados comparados do ano de 2022. As polícias da Bahia assassinaram 1.464 pessoas em intervenções. Já no USA, as forças de repressão ianques assassinaram 1.201 pessoas.
No ano de 2022, a Bahia de Rui Costa (PT) veio a ocupar o primeiro lugar em assassinatos policiais no país, após anos de crescimento. Nos últimos oito anos, as mortes decorrentes de ações policiais na Bahia quadruplicaram no estado. O número de ocorrências saltou de 354 para 1.464 por ano entre 2015 e 2022, período em que Bahia era governada por Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil do governo oportunista de Luiz Inácio.
O estado desbancou outros já campeões no genocídio contra o povo, como o Rio de Janeiro, que também superou todas as polícias ianques com a cifra de 1.327 pessoas assassinadas pelas forças de repressão. Os estados de BA e RJ concentraram, juntos, 43% de todos os assassinatos policiais no país no ano passado.
Também segundo o IBSP, no país inteiro, 6.430 pessoas foram assassinadas pelas forças de repressão, o que significa 17 pessoas assassinadas por dia em 2022 pelas polícias. Ao considerar os números de 2022, seriam necessários mais de cinco anos de assassinatos pela polícia ianque para atingir o número de assassinados pelas polícias em um único ano no Brasil.
Os dados nada indicam sobre o “êxito” da “democracia ianque”, que também apresenta altos números de assassinatos policiais. Também no USA, as forças de repressão são constantemente alvos de protestos e furiosas rebeliões das massas pelos assassinatos e torturas contra trabalhadores, sobretudo pretos e imigrantes, como foi em 2020 após o assassinato de George Floyd. A diferença, contudo, indica o nível de crise e consequente militarização e repressão às massas impostas nos países semicoloniais, sobretudo na América Latina, como é o caso do Brasil.
Guerra contra o povo
O cenário estarrecedor registrado na Bahia em 2022 já mostra sinais de continuidade em 2023, sob o governo de Jerônimo Rodrigues (PT). Nas últimas semanas, a Bahia registrou 31 assassinatos pela polícia entre os dias de 28 de julho e 4 de agosto, além de 64 assassinatos no mês de julho, segundo o Instituto Fogo Cruzado. O número é recorde desde julho de 2022, quando a entidade começou a monitorar os casos de assassinatos policiais na Bahia.
As chacinas cometidas pelas polícias ajudaram na elevação sinistra dos números. No dia 31/07, uma operação da Polícia Militar realizada na zona rural de Itatim, cidade de 15 mil habitantes a 213 km de Salvador, deixou um saldo de oito pessoas assassinadas, incluindo três adolescentes. Em 23/07, uma criança de dez anos foi morta em meio a uma operação policial em Lauro de Freitas. A comunidade se rebelou contra a morte de Gabriel Silva da Conceição Júnior e realizou uma série de protestos, um deles com mais de 500 manifestantes.
Os números indicam o recrudescimento de uma política de Estado voltada ao genocídio do povo pobre e preto há anos implementada no País sob o disfarce do farsesco “combate ao crime”.
O escancaro da política é tanto que, em nota recente da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, o governo explicou que “não coloca homicídio, latrocínio ou lesão dolosa seguida de morte praticado contra um inocente na mesma contagem dos homicidas, traficantes, estupradores e assaltantes, entre outros criminosos, mortos em confrontos durante ações policiais”. Destaca-se que as classificações das vítimas de violência policial como “criminosos” são constantemente manipuladas pelos próprios policiais, como nos casos amplamente denunciados de alterações das cenas do crime com os famigerados “kits bandidos”.
Os dados não deixam dúvidas de que se trata de uma verdadeira guerra contra o povo preto e pobre, destinada a restringir o cerco contra as massas empobrecidas e prevenir qualquer ímpeto de rebelião contra a piora nas condições de vida. Segundo os dados do IBSP, 83% dos mortos pela polícia em 2022 no Brasil eram negros. Em todo o Brasil, a política de repressão não mostra sinais de arrefecimento, e 2023 caminha para novos recordes, conforme o avanço da repressão acompanha o avanço da crise, do desemprego, da miséria e da fome.
Confira a recente entrevista feita pelo programa de AND de análises e comentários políticos, A Propósito, com o professor Doriam Borges, sobre letalidade policial e impunidade: