Enchentes no RS: Grande onda de destruição atinge camponeses e ribeirinhos

5 pessoas morreram, mais de 28 mil ficaram desalojadas e 3,3 mil foram desabrigadas em decorrência das fortes chuvas no RS. Até setembro, somente uma cidade do estado havia recebido verba do governo federal para prevenção de desastres naturais

Enchentes no RS: Grande onda de destruição atinge camponeses e ribeirinhos

5 pessoas morreram, mais de 28 mil ficaram desalojadas e 3,3 mil foram desabrigadas em decorrência das fortes chuvas no RS. Até setembro, somente uma cidade do estado havia recebido verba do governo federal para prevenção de desastres naturais
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Cinco pessoas morreram, mais de 28 mil ficaram desalojadas e 3,3 mil foram desabrigadas em decorrência das fortes chuvas e enchentes que atingiram diversas regiões do Rio Grande do Sul em novembro, apontam números da Defesa Civil do estado. Os principais afetados são os camponeses e ribeirinhos. Os efeitos catastróficos das enchentes e chuvas no Sul são consequência direta da falta de estrutura: até setembro, quando o primeiro dos eventos climáticos extremos atingiu a região, somente uma cidade do estado havia recebido verba do atual governo federal para prevenção de desastres naturais.

A grande onda de destruição fez sua primeira vítima no dia 15 de novembro em Giruá, no noroeste do estado, após um ginásio desabar por conta do vento e da chuva, ferindo 57 pessoas. Na região, a forte tempestade também danificou casas e galpões, além de arruinar roças e matar criações.

No dia 18/11, em Gramado, na Serra Gaúcha, outras duas pessoas morreram quando um deslizamento de terra soterrou a casa onde elas estavam. Depois da chuva, grandes rachaduras apareceram por toda a cidade, e um prédio ruiu por conta dos deslizamentos provocados pela chuva. No dia seguinte, em Vila Flores, no norte do estado, um homem morreu após o seu carro ser arrastado pela correnteza do rio da Prata, que havia invadido a estrada. 

As fortes chuvas também elevaram o volume de água do rio Guaíba, que atingiu 3,44 metros, sua maior conta desde a grande enchente de 1941. Em Eldorado do Sul, uma mulher foi encontrada morta dentro de sua casa após o nível da água baixar no dia 21/11. Na cidade, a enchente também destruiu casas, hortas e matou a criação de pequenos animais de milhares de famílias camponesas. 

Também afetadas pela cheia do rio Guaíba, centenas de famílias ribeirinhas da região das Ilhas de Porto Alegre foram obrigadas a fugir de suas casas. De acordo com a defesa civil, mais de 2 mil pessoas tiveram que fugir da área. A região enfrenta três meses seguidos de enchentes severas.

O Rio Grande do Sul é palco, desde julho, de grandes problemas climáticos que mataram, somados, mais de 70 pessoas. As inundações pelo ciclone de junho provocaram 16 mortes e a chuva extrema de setembro provocou ao menos 53 mortos, quase todas no Vale do Taquari.

Ainda que somente agora tenha ganhado os olhos do monopólio de imprensa, os eventos são recorrentes no estado. Ao longo dos últimos 17 anos, foram registradas 4.230 ocorrências de fenômenos extremos ou intensos que atingiram o povo gaúcho, principalmente os camponeses, afirma um estudo produzido pelo próprio governo do estado do Rio Grande do Sul. 

O velho Estado e sua ajuda de ‘faz de conta’

Frente às desgraças que assolam o Rio Grande do Sul, causadas antes de tudo pela falta de infraestrutura fornecida pelo velho Estado, o governo foi o primeiro a chorar lágrimas de crocodilo após os desastres naturais, com apoio da cobertura do monopólio de imprensa RBS (Rede Globo) e demais jornalões da grande burguesia. 

O povo gaúcho, porém, não esquece que o presidente do atual governo se encontrava com fascistas e imperialistas na Índia, durante o G20, enquanto o povo morria pela falta de estrutura para conter os efeitos do ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul em setembro. Na época, a preferência de Luiz Inácio pela viagem atraiu críticas até mesmo de figuras próximas ao governo.

Também, imediatamente após o início da campanha, funcionários da prefeitura de Roca Sales, que foi destruída pelas enchentes em setembro, foram pegos desviando as doações. Agora, em novembro, em Muçum, cidade que teve cerca de 85% de sua área coberta pelo rio Taquari em setembro, toneladas de doações de roupas foram perdidas por estarem abandonadas em depósitos, sem serem distribuídas para o povo.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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