RJ: Fim de semana é marcado por mortes em meio à chuvas, protestos populares e repressão policial

RJ: Fim de semana é marcado por mortes em meio à chuvas, protestos populares e repressão policial

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O número de mortos em decorrência das fortes chuvas que afetaram o Rio de Janeiro nos dias 13 e 14 de janeiro subiu para 12 na última atualização emitida no dia 15/01. O número continua crescendo conforme continuam os efeitos da calamidade resultante do encontro das tempestades com a falta de estrutura. De sábado até as últimas horas, ruas foram registradas alagadas em diversos pontos do estado, sobretudo na Baixada Fluminense. Na mesma região, moradores têm protestado em frente a centros de apoio social. Eles acusam o Estado de responsabilidade sobre a calamidade e exigem compensações imediatas. O governador Claudio Castro, por sua vez, estava em uma viagem à Disney.

As chuvas começaram na noite de sábado e se prolongaram de forma espaçada pelo final de semana, com variações a depender da região. Cinco rios transbordaram, sendo eles o Rio Botas, em Nova Iguaçu e Belford Roxo, o Rio dos Macacos, em Paracambi, o Rio Engenhoca, em Niterói, e o Rio Alcântara, em São Gonçalo. Todas as regiões por onde esses rios passam são carentes de estruturas sólidas para aguentar tanto as tempestades quanto os efeitos das inundações dos rios. Como consequência, ruas e casas foram completamente inundadas em Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias, municípios da Baixada Fluminense

Passados dois dias das enchentes, diversos bairros da cidade seguem em situação de alagamento. Muitos moradores que perderam tudo seguem sem ter para onde ir, enquanto outros mal conseguem saber a extensão dos danos na estrutura das moradias uma vez que as casas continuam alagadas. Outros estão proibidos de trabalhar pela impossibilidade de atravessar as ruas lotadas de água. Um vídeo publicado em rede social neste dia 15 de janeiro mostra moradores utilizando uma lancha para sair de casa no bairro de Pilar, em Duque de Caxias.

Descaso total com o povo

Em Nova Iguaçu, um dos bairros mais atingidos pelas chuvas, foi registrado 102mm de chuvas em apenas 4 horas, representando nesse curto período de tempo 33% da média de chuvas do mês de janeiro. 

Diante desse cenário, moradores relataram casas completamente inundadas, grande quantidade de perdas materiais e três mortes. Nesse grave cenário de perda total dos bens para milhares de pessoas pobres, no qual o velho Estado tem inteira responsabilidade pela falta de programas para prevenção e contenção dos efeitos dos desastres, moradores recorreram ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em busca de alguma assistência.

Desde a madrugada do dia 14 de janeiro, centenas de moradores de Nova Iguaçu se reúnem em frente ao CRAS – Estação Morro Agudo em busca de atendimento. O órgão se recusou a atender as massas, não organizou o atendimento e, para completar, fechou as portas do prédio. Quando o atendimento começou, as senhas foram distribuídas de forma aleatória através das grades, levando a uma confusão generalizada inflada ainda mais por uma covarde atuação da Polícia Militar que lançou spray de pimenta sobre os moradores. O atendimento precário e a repressão da PM só fez aumentar mais a revolta dos trabalhadores. Um morador denunciou ao monopólio de imprensa: “Não souberam organizar. Tem gente com criança, gente passando mal, sem água. Aí eles começaram a jogar ali a senha como se fosse pra bicho, achando que o povo é bicho!”.

Moradores de Nova Iguaçu são reprimidos pela PM enquanto exigiam direitos no CRAS. Foto: Reprodução

Com o aumento da revolta, o órgão seguiu a empregar os clássicos métodos do velho Estado: depois da negligência, a repressão. O CRAS acionou a Polícia Militar contra os moradores desesperados pelo atendimento, e os militares não tardaram em agredir os moradores com o uso de spray de pimenta. Crianças, idosas e todos os outros trabalhadores que perderam os bens foram atingidos pelos PMs. 

O papel do velho Estado

Nas redes sociais, os moradores seguiram com as demonstrações de revolta por meio de vídeos e publicações. Um internauta condenou as falas do vereador Junior Uios (PT), de Duque de Caxias, que em 2023 vangloriou-se das obras de “macrodrenagem”, com construção de “1,5 mil metros de canais” e que enchentes “nunca mais” aconteceriam. As cobranças do povo foram incontestáveis, uma vez que compararam a fala de Uios com os vídeos das ruas completamente alagadas. Junior Uios, do PT, chegou até a agradecer a parceira com o governador genocida Cláudio Castro.

O governador reacionário do Rio de Janeiro também não foi poupado pela sua negligência esdrúxula. Quando as chuvas começaram, Cláudio Castro estava na Disneylândia, Estados Unidos (USA). Mesmo com as notícias das enchentes a partir da madrugada de domingo, Castro só resolveu terminar o seu passeio na segunda-feira. Quando retornou, deu a sua “solução”: solicitou recursos do Governo Federal, e nada disse sobre mudanças estruturais na cidade para resolver o problema das enchentes ou de como garantiria o pagamento das compensações a todos os moradores afetados. 

O governo federal, por sua vez, também tem a sua parcela de responsabilidade neste caso, como teve em vários outros: enquanto cria alardes acerca da factual crise climática, reduz drasticamente as verbas empenhadas para prevenção de desastres naturais. O ano de 2023 foi o ano no qual houve a menor destinação de verbas públicas com esse propósito em 14 anos. Fato absurdo ao levar em consideração que é crescente as ocorrências de profundos impactos sociais decorrentes de fenômenos climáticos extremos. 

Feito com Visme

Ao reduzir as verbas para prevenção de desastres, ignorar a necessidade de construção de obras públicas de infraestruturas de drenagem necessárias para mitigar enchentes e negligenciar o amparo às massas impactadas severamente pelos eventos climáticos extremos, o velho Estado segue aplicando a mesma receita que ocasiona em consecutivos anos de “desastres naturais”, nos quais as vítimas são sempre as mesmas: as massas mais pobres do país, moradores de bairros periféricos e favelas.

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