Uma mesa de debate em Porto Velho (RO) celebrará, no dia 14 de agosto, os 31 anos da Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara, também conhecida como Batalha de Santa Elina. A atividade terá como tema “9 de agosto – 31 anos da Heroica Resistência de Corumbiara: de Santa Elina aos dias de hoje” e será realizada às 18h30 no Auditório do Prédio de Libras da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) – Campus José Ribeiro. O debate tem como objetivo recordar a resistência dos camponeses que, em 1995, ocuparam a Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara (RO), e discutir seus desdobramentos até os dias atuais.
Solicitamos que alterem o card da matéria e o local do evento, que será no Auditório do Prédio de Libras da UNIR – Campus José Ribeiro Filho, em Porto Velho/RO.

Há 31 anos, cerca de 600 famílias camponesas ocuparam a Fazenda Santa Elina, em 14 de julho de 1995, formando um grande acampamento. A ocupação repercutiu rapidamente na região e mobilizou camponeses pobres em luta por terra, ao mesmo tempo em que provocou a reação dos latifundiários e das forças do velho Estado.
Na madrugada de 9 de agosto de 1995, o acampamento foi atacado por policiais e pistoleiros. Os camponeses, que estavam vigilantes, resistiram com os meios de que dispunham. A superioridade bélica das forças de repressão, porém, permitiu a invasão do acampamento.
Após a tomada da área, os camponeses sofreram torturas, espancamentos e outras formas de violência. Entre os mortos estava Vanessa dos Santos Silva, de apenas 7 anos, que se tornou símbolo máximo daquela luta. Sérgio Rodrigues Gomes, apoiador da luta, foi capturado, torturado e assassinado. O episódio ficou conhecido nacional e internacionalmente como Massacre de Corumbiara, mas é recordado pelos camponeses como a Batalha de Santa Elina.

A resistência de Santa Elina, contudo, não terminou com a destruição do acampamento. As famílias sobreviventes continuaram organizadas e deram sequência à luta pela terra. Nos anos seguintes, ocorreram novas mobilizações, retomadas e enfrentamentos, até que parte das terras da antiga Fazenda Santa Elina foi conquistada pelos camponeses.
Passados 31 anos, a questão que estava no centro da Batalha de Santa Elina permanece atual. A luta pela terra continua atravessando a vida dos camponeses pobres, povos indígenas e comunidades quilombolas, que enfrentam a violência do latifúndio e do velho Estado em diferentes regiões do País. A mesa, assim, reunirá entidades, organizações e movimentos populares para discutir a Batalha de Santa Elina e seus desdobramentos até os dias de hoje.
