Ex-comandante candidato a deputado aparece em propaganda manobrando arma pesada

Embora seja um direito a policiais civis, militares e agentes federais concorrer a cargos públicos eletivos, o tom das campanhas de alguns deles segue inalterado desde 2017, quando o capitão expulso do Exército, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, fazia sua campanha.
Ex-comandante da PM-RO e serviçal do latifúndio, Régis Braguin. (Fotos: Reprodução. Montagem: AND)
Ex-comandante da PM-RO e serviçal do latifúndio, Régis Braguin. (Fotos: Reprodução. Montagem: AND)
Ex-comandante da PM-RO e serviçal do latifúndio, Régis Braguin. (Fotos: Reprodução. Montagem: AND)

Ex-comandante candidato a deputado aparece em propaganda manobrando arma pesada

Embora seja um direito a policiais civis, militares e agentes federais concorrer a cargos públicos eletivos, o tom das campanhas de alguns deles segue inalterado desde 2017, quando o capitão expulso do Exército, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, fazia sua campanha.

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O candidato a deputado federal por Rondônia, coronel Régis Braguin (Republicanos), iniciou a sua campanha empunhando arma pesada.

Ele descreve como atuará no Congresso Nacional e, na prática, repete situações anteriores ocorridas no âmbito da PM e do Tribunal Regional Eleitoral. Outros ex-PMs e delegados da Polícia Civil se candidataram anteriormente buscando misturar a luta de movimentos sociais com bandidagem facções.

“Minha missão continua, mas o inimigo agora é outro”, assinala o oficial nascido em Cascavel Paraná. Mesmo disfarçando o discurso, dando-lhe tom de moralidade e combate à corrupção, o coronel coleciona episódios de perseguição a camponeses, demonstrando ignorar os aproximadamente 16 milhões de terras devolutas no estado.

‘Fazenda invadida pela LCP’: Braguin choraminga por ex-NorBrasil e tenta criminalizar Área Tiago Campin dos Santos – A Nova Democracia
Ex-comandante da PM-RO publicou vídeo para defender a “Operação Dominus”, falsificar o caráter da Área Tiago Campin dos Santos e tentar ligar a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) ao chamado “bando do Jed”.
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Aproveitando a ansiosa tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de apoiar medidas políticas criminalizando movimentos sociais no Brasil, Braguin se apresenta como paladino da ordem “em defesa da sociedade.” Já xingou diversas vezes a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e humilhou familiares de uma pessoa assassinada no acampamento Tiago Campin dos Santos, próximo à BR-364.

Permitiu a seus comandados ordenar a um jovem de 14 anos que lavasse o sangue do pai morto dentro de casa – e as paredes também.

Coronel-guaxeba Régis Braguin é exonerado do comando da PM-RO – A Nova Democracia
A gestão do exonerado Regis Braguin à frente da PM-RO foi marcada por um aumento exponencial na letalidade em intervenções policiais. Grande parte dessas operações se concentrou em áreas camponesas, onde Braguin atuava como principal porta-voz de uma política de enfrentamento direto à Liga dos Camponeses Pobres (LCP).
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Sua atuação no comando da tropa entre agosto de 2023 e janeiro de 2026 foi marcada por atos de violência em reintegrações de posse no estado.

Em vídeo reproduzido na internet, ele acusa enfaticamente: “Os verdadeiros inimigos estão protegidos por leis fracas e pela lavagem de dinheiro.”

Embora seja um direito a policiais civis, militares e agentes federais concorrer a cargos públicos eletivos, o tom das campanhas de alguns deles segue inalterado desde 2017, quando o capitão expulso do Exército, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, fazia sua campanha.

LCP nega que camponeses executados pela PM-RO sejam da organização e denuncia ‘queima de arquivo’ – A Nova Democracia
Liga dos Camponeses Pobres rebate versão policial publicada pela “imprensa lixo” de Rondônia e acusa ação de encobrir esquema contra camponeses da Área Tiago Campin dos Santos.
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Em 2014, o coronel Ênedy Araújo candidatou-se a deputado estadual. De 2016 a 2018 ele comandou a PM no Estado.

Seus cartazes de campanha prometiam combate ao banditismo nas regiões de Jaru e do Vale do Jamari. No entanto, já naquele período, ele comandava operações contra líderes camponeses em Jaru, confundindo as pessoas e fazendo ver às autoridades que “todos eram bandidos.”

Braguin, o candidato de hoje, apenas repete o que maculava a imagem da PM em 2024.

Comandante-geral da PM de Rondônia é acusado de violência doméstica e dirigir embriagado – A Nova Democracia
Ao longo do ano de 2025, Regis Braguin, à frente da PM, protagonizou uma série de ações violentas e injustas contra o movimento camponês em geral, e contra a LCP, em particular.
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Quando capitão, major e tenente-coronel, Ênedy foi ao encalço da LCP a fim de desarticulá-la.

Não obteve êxito, mesmo declarando tratar-se de “movimento guerrilheiro.”

Bolsonaro, mais tarde, tomou para si os ataques à LCP durante seu mandato.

‘LCP enfrenta o aparato do Estado com armas de guerra’: ex-comandante da PM-RO ressurge das cinzas para atacar camponeses – A Nova Democracia
Em nota, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP) negou a autoria do ataque de 14 de abril à sede da fazenda NorBrasil. O ataque foi “orquestrado pela extrema direita latifundiária de Rondônia, com a participação do defenestrado comandante geral da PM, o matador de pobres Coronel Braguin, ainda assim ativo nos grupos de extermínio de camponeses e pobres”, no objetivo “de criminalizar a sagrada luta dos camponeses pobres pela terra e demonizar a LCP”.
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No ato de inauguração da ponte do Abunã (BR-364, entre Rondônia e Acre), em maio de 2021, ele gritava ao microfone; “LCP, se prepare! Não vai ficar de graça o que vocês estão fazendo. Não tem espaço aqui para grupo terrorista. Nós temos meios de fazê-los entrar no eixo e respeitar a lei.”

Montezuma Cruz é conselheiro editorial de AND. Trabalhou para o Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Globo, Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo, Jornal de Brasília e outros regionais regionais. Chegou a Rondônia em 1976, onde publicou o jornal Barranco. Atuou em diversos jornais locais.

Adesivo Liga dos Camponeses Pobres – LCP
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