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O candidato a deputado federal por Rondônia, coronel Régis Braguin (Republicanos), iniciou a sua campanha empunhando arma pesada.
Ele descreve como atuará no Congresso Nacional e, na prática, repete situações anteriores ocorridas no âmbito da PM e do Tribunal Regional Eleitoral. Outros ex-PMs e delegados da Polícia Civil se candidataram anteriormente buscando misturar a luta de movimentos sociais com bandidagem facções.
“Minha missão continua, mas o inimigo agora é outro”, assinala o oficial nascido em Cascavel Paraná. Mesmo disfarçando o discurso, dando-lhe tom de moralidade e combate à corrupção, o coronel coleciona episódios de perseguição a camponeses, demonstrando ignorar os aproximadamente 16 milhões de terras devolutas no estado.

Aproveitando a ansiosa tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de apoiar medidas políticas criminalizando movimentos sociais no Brasil, Braguin se apresenta como paladino da ordem “em defesa da sociedade.” Já xingou diversas vezes a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e humilhou familiares de uma pessoa assassinada no acampamento Tiago Campin dos Santos, próximo à BR-364.
Permitiu a seus comandados ordenar a um jovem de 14 anos que lavasse o sangue do pai morto dentro de casa – e as paredes também.

Sua atuação no comando da tropa entre agosto de 2023 e janeiro de 2026 foi marcada por atos de violência em reintegrações de posse no estado.
Em vídeo reproduzido na internet, ele acusa enfaticamente: “Os verdadeiros inimigos estão protegidos por leis fracas e pela lavagem de dinheiro.”
Embora seja um direito a policiais civis, militares e agentes federais concorrer a cargos públicos eletivos, o tom das campanhas de alguns deles segue inalterado desde 2017, quando o capitão expulso do Exército, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro, fazia sua campanha.

Em 2014, o coronel Ênedy Araújo candidatou-se a deputado estadual. De 2016 a 2018 ele comandou a PM no Estado.
Seus cartazes de campanha prometiam combate ao banditismo nas regiões de Jaru e do Vale do Jamari. No entanto, já naquele período, ele comandava operações contra líderes camponeses em Jaru, confundindo as pessoas e fazendo ver às autoridades que “todos eram bandidos.”
Braguin, o candidato de hoje, apenas repete o que maculava a imagem da PM em 2024.

Quando capitão, major e tenente-coronel, Ênedy foi ao encalço da LCP a fim de desarticulá-la.
Não obteve êxito, mesmo declarando tratar-se de “movimento guerrilheiro.”
Bolsonaro, mais tarde, tomou para si os ataques à LCP durante seu mandato.

No ato de inauguração da ponte do Abunã (BR-364, entre Rondônia e Acre), em maio de 2021, ele gritava ao microfone; “LCP, se prepare! Não vai ficar de graça o que vocês estão fazendo. Não tem espaço aqui para grupo terrorista. Nós temos meios de fazê-los entrar no eixo e respeitar a lei.”
Montezuma Cruz é conselheiro editorial de AND. Trabalhou para o Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Globo, Folha de Londrina, O Estado de S. Paulo, Jornal de Brasília e outros regionais regionais. Chegou a Rondônia em 1976, onde publicou o jornal Barranco. Atuou em diversos jornais locais.
