Genocídio Repetido: Luiz Inácio quer enviar militares do Bope e policiais federais para treinarem Polícia Haitiana

Uma nova intervenção externa será conduzida no Haiti, dessa vez por militares do Bope e policiais federais.

Genocídio Repetido: Luiz Inácio quer enviar militares do Bope e policiais federais para treinarem Polícia Haitiana

Uma nova intervenção externa será conduzida no Haiti, dessa vez por militares do Bope e policiais federais.
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Luiz Inácio deve, pela segunda vez em sua história, participar de uma intervenção externa no Haiti. A participação será parte de uma Força Multinacional comandada pelo Quênia e autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Serão enviados militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro e policiais federais. As Forças Armadas, que carregam um histórico sangrento no país caribenho após terem comandado a Missão da ONU entre 2004 e 2017, não devem ser enviadas. 

Atolado em um contexto de crise e generalização da violência reacionária, tendo o seu presidente (Jovenel Moïse assassinado em junho de 2021), o Haiti tem sido objeto das maquinações do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA) que planeja uma segunda intervenção externa desde o ano passado. Desde então, uma intervenção estrangeira é veementemente rechaçada pelas massas populares do país. Esse ano, contudo, o projeto avançou após uma reunião do Conselho de Segurança da ONU aprovar a Resolução 2692, que solicitou a António Guterres, secretário-geral da organização, a elaboração de um projeto de treinamento para a Polícia Nacional Haitiana (PNH) e o apoio a uma força multinacional não pertencente à ONU ou uma operação de “manutenção da paz”.

A participação brasileira teria sido comunicada pelo próprio Luiz Inácio ao primeiro-ministro haitiano Ariel Henry no dia 22 de junho, durante uma conversa na França. Antes disso, o ministro de Relações Exteriores de Luiz Inácio já havia se declarado favorável à intervenção. A ideia é que sejam enviados tanto policiais federais quanto policiais militares do Bope do RJ, segundo informações concedidas por três diplomatas brasileiros com conhecimento das negociações ao monopólio de imprensa BBC News Brasil. A escolha do Bope se deu pelas “similaridades” nas condições enfrentadas pela tropa especializada da força de repressão carioca e pela PNH. A semelhança na atuação se dá precisamente na aplicação de uma guerra civil reacionária contra massas em grandes favelas.

Genocídio repetido 

Luiz Inácio passa em revista tropas genocidas enviadas ao Haiti. Foto: Foto: Ricardo Stuckert/ Agência Brasil

É a segunda vez que o Brasil toma parte em uma intervenção externa no Haiti. A primeira vez, marcada pelo genocídio sistemaico das massas haitianas realizado pelos militares reacionários do Brasil, ocorreu entre os anos de 2004 e 2017, durante a autointitulada “Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti” (Minustah). 

Formalmente, as justificativas da missão eram similares às da nova intervenção: resolver o quadro de instabilidade do país e combater os grupos armados. Verdadeiramente, os objetivos eram aqueles almejados pelo imperialismo ianque em todas suas intervenções, ou seja, a submissão ainda maior da Nação oprimida para a exploração e saqueio ainda mais profundos sobre seu povo e riquezas naturais, mas com o uso de exércitos de países submissos a ele a fim de dissimular a agressão.

Concretamente, a intervenção se deu com generais do Exército Brasileiro (Augusto Heleno e Santos Cruz comandaram tropas do Haiti) foi responsável por ampliar o genocídio contra o povo haitiano, com operações sanguinárias nas favelas haitianas, e perpetrar o máximo de abusos e violações contra as massas populares do país. Em uma das operações do Exército brasileiro na favela de Cité Soleil, na capital Porto Príncipe, 63 haitianos foram assassinados pelas tropas comandadas pelo general Augusto Heleno. Santos Cruz, que também comandou tropas no Haiti, descumpriu normas e registros requisitados pela própria ONU. Foram ainda 200 mil casos de estupros denunciados e uma repressão generalizada contra as massas empobrecidas. Cabe relembrar que os generais brasileiros que de lá vieram passaram a defender uma atuação sistemática baseada no modus operandi praticado no massacre contra as massas haitianas – tudo isto ficou notadamente expresso durante a intervenção de Braga Netto no Rio de Janeiro em 2018.

Aprofundamento da repressão 

Os episódios que as massas haitianas e brasileiras se deparam é um escárnio completo. Com seus atos recentes, Luiz Inácio não somente ignora todo o legado atroz que deixou sobre o Haiti nos anos de 2004 a 2008, mas também segue os interesses dos mesmos grupos de poder das classes dominantes haitianas (alvos do protesto e repúdio das massas haitianas nos últimos anos e meses, que se opõem em protestos massivos e vigorosos à intervenção imperialista em seu país).

No caso do Brasil, Lula ignora ainda os gritos de revolta dos trabalhadores de Norte a Sul do País contra o recrudescimento do aparato de repressão das polícias brasileiras frente às incessantes chacinas cometidas. É claro que a viagem de treinamento do Bope do Haiti não servirá somente para o avanço da repressão no país caribenho, mas também para o aperfeiçoamento da guerra civil reacionária em solo brasileiro.

De nada adianta as afirmações de que o Exército brasileiro não participará da missão. O Bope será seu emissário direto à PNH. Afinal, é o Exército o responsável pelo treinamento dos militares do Bope através de cursos conduzidos diretamente pelo Exército reacionário brasileiro, além das formulações do currículo das PM’s). Não há forma de dissimular o absurdo nefasto que é o novo projeto.

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