Greve de Ocupação na USP: Estudantes apontam caminho para barrar os ataques à educação pública

Estudantes da USP realizam greve de ocupação pela contratação de professores e contra a precarização do ensino público.
Estudantes da USP fazem greve de ocupação contra falta de professores e precarização. Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Greve de Ocupação na USP: Estudantes apontam caminho para barrar os ataques à educação pública

Estudantes da USP realizam greve de ocupação pela contratação de professores e contra a precarização do ensino público.

Duas semanas após ser classificada como a melhor universidade da América Latina e Caribe, estudantes de mais de 12 cursos da USP, no dia 19 de setembro iniciaram uma massiva greve de ocupação contra a falta de professores e a precarização do ensino público. Os estudantes denunciam que diversas disciplinas deixaram de ser ofertadas em algumas unidades da faculdade pela falta de professores, além de problemas estruturais tão comuns em qualquer instituição de ensino público precarizada por décadas por sucessivos governos reacionários. Barricadas foram montadas pelos estudantes nas faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Direito, Medicina e a Escola Politécnica. 

Em uma década, a USP perdeu mais de 800 professores. O reitor Carlos Gilberto Carlotti Júnior, que em meio a greve viajou para a Europa, afirmou que já foi agilizado o processo para contratação de professores. Entretanto, segundo relato de estudantes e professores, nenhuma movimentação séria da instituição para promover novas contratações foi efetivada. Em junho, estudantes ocuparam o prédio Titanic da EACH USP e, em agosto, estudantes secundaristas realizaram uma ocupação relâmpago da Etec Cepam da USP. 

Além da contratação de novos professores, os estudantes exigem melhores condições de infraestrutura e auxílio permanência estudantil. Estudantes da USP Leste denunciam que as medidas de assistência estudantil para permanência são insuficientes, uma vez que o perfil dos estudantes são de trabalhadores e massas mais empobrecidas. Em nota, o Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina da USP reivindica melhores condições para o Hospital Universitário, que perdeu funcionários nos últimos anos e tiveram leitos fechados e atividades de pronto-atendimento afetadas. 

No dia 28 de setembro, estudantes da USP do campus de Ribeirão Preto aderiram à greve estudantil deflagrada em 18 de setembro. Estudantes dos cursos de Pedagogia, Psicologia e Biologia aderiram à greve e ocuparam o prédio da Faculdade de Medicina do campus. As reivindicações seguem a toada dos estudantes da USP da capital do estado: a contratação de professores, pagamento de salários dos funcionários terceirizados, auxílios voltados para a permanência estudantil e melhorias na infraestrutura universitária.

Durante uma assembleia estudantil ocorrida no dia 18 de setembro, o Serviço de Comunicação Social da FFLCH suspendeu todas as aulas por e-mail diante da “iminente oportunidade de danos ao patrimônio público” e enviou a guarda universitária para o local de concentração dos estudantes para expulsar os estudantes. No dia seguinte, 19 de setembro, mais de mil estudantes da USP realizaram uma assembleia geral promovida no saguão de Ciências Sociais, aprovando por unanimidade a deflagração da greve. 

A mobilização estudantil contou com a presença de diversos centros acadêmicos, organizações estudantis, membros da Associação de Docentes da USP e o Sindicato dos Trabalhadores da USP. Nos dias seguintes, estudantes de outros cursos integraram a greve. Em assembleia geral realizada na segunda-feira, 25 de setembro, estudantes da faculdade  de direito aprovaram a adesão à greve. Dos 630 estudantes presentes, 606 votaram pela greve. Após 20 anos sem aderirem às greves estudantis, em uma assembleia com 300, estudantes da Faculdade Politécnica decidiram aderir à greve.  

Na última terça-feira, 26 de setembro, mais de 2 mil estudantes da USP saíram às ruas em protesto na cidade de São Paulo. Os alunos foram da Cidade Universitária ao Largo da Batata, com cartazes, faixas e entoando palavras de ordem. Os manifestantes também rechaçaram tentativas de intimidação por parte das tropas de repressão de Tarcísio de Freitas. No mesmo dia, um carro da comitiva do governador – que estava com o ministro Gilmar Mendes, atropelou uma estudante durante um protesto na Faculdade de Medicina da USP. Na tarde de terça-feira, a Associação de Docentes da USP (Adusp) aderiu formalmente à greve e manifestou apoio aos estudantes. A Adusp é composta por cerca de 2,6 mil professores.

Situação da USP é expressão da precarização generalizada das universidades públicas do país. A massividade e combatividade dos estudantes é fruto do acúmulo das lutas estudantis que tomaram vulto durante todo o ano de 2023. Frente ao avanço dos ataques à educação pública brasileira, estudantes de todo país, mobilizando toda a comunidade acadêmica, apontam a greve de ocupação como o caminho para barrar a precarização e as medidas reacionárias impostas pelo velho estado. 

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