Índia: Massas se rebelam contra destruição de moradias pelo governo Modi

Índia: Massas se rebelam contra destruição de moradias pelo governo Modi

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Moradores de Shaheen Bagh enfrentam forças de repressão contra demolição de suas moradias. Nenhum prédio foi demolido diante da resistência das massas. Foto: Manish Swarup

As massas mais profundas da capital da Índia, Nova Déli, têm protestado combativamente contra a destruição de suas moradias e pequenos negócios pelo governo fascista de Narendra Modi. Em seu ataque ao direito de moradia, as construções estão todas sendo destruídas a mando da prefeitura em dezenas de bairros, desde os operários aos da pequena burguesia, destruindo milhares de barracões, carrocinhas de comida e até mesmo prédios, mesmo com documentos que comprovam a posse do local.

As ações contra o povo foram levadas a cabo a partir da segunda semana de maio.

Trabalhadores e imigrantes resistem em Jahangirpuri

Contra isso as massas dão grande mostra de heroísmo e combatividade, enfrentando a polícia e impedindo os tratores de derrubarem suas propriedades. Em Jahangirpuri, bairro predominantemente composto por trabalhadores imigrantes, houve grande resistência do povo que parou aos tratores e combateu centenas de policiais. 

Nesse dia, quando ocorreram outras diversas operações de demolição contra bairros populares, foram empregadas 12 companhias com cerca de 1.250 agentes da polícia em toda a cidade, a maioria sendo alocadas em Jahangirpuri.

O bairro de Jahangirpuri teve acentuada repressão policial pois dois dias antes as massas locais já haviam combatido uma incursão fascista em seu bairro. Nessa ocasião, por conta de uma comemoração religiosa hindu, grupos fascistas que se escoram na religiosidade para corporativizar as massas atacaram o bairro majoritariamente muçulmano, entoaram consignas fascistas pelas ruas e tentaram entrar em uma mesquita local com uma bandeira hindu. 

O próprio partido do fascista de Modi, o Bharatiya Janata Party (“Partido do Povo Indiano”, BJP), que tem ligações diretas com as milícias de extrema-direita, afirmou que os alvos das demolições nos bairros eram “[imigrantes] ilegais de Bangladesh e Rohingya”, nacionalidades e etnias oprimidas pelas classes dominantes indianas. 

O muro da mesma mesquita que foi invadida pelos fascistas foi derrubada durante a demolição, assim como diversas moradias e negócios locais.

Demolição de estruturas em Jahangirpuri.

Bairro com histórico de luta impede destruição

Outro bairro popular com histórico de luta foi alvo da operação de guerra foi Shaheen Bagh. Um dos epicentros dos grandes protestos de 2019 contra um projeto de lei que buscava retirar a cidadania de quaisquer cidadãos indianos que não tivessem uma extensa lista de documentação para provar que são “genuinamente indianos”.

Em forma de retaliação contra essas massas profundas que lutam por seus direitos, suas casas foram alvos das forças de repressão do velho Estado latifundiário-burocrático. Entretanto, devido à combatividade delas, elas conseguiram impedir a operação de destruição e fizeram os policiais e tratores recuarem.

Em outras dezenas de bairros o povo se rebelou contra o projeto anti-povo, como em Subhas Nagar em que as massas encurralaram as retroescavadeiras e policiais.

Inchaço nas cidades: quais os motivos?

Mais de 80% da cidade de Nova Déli não foi construída de forma planejada, assim como 5 milhões de pessoas vivem em comunidades “não autorizadas” pelo velho Estado indiano em Nova Déli e pelo menos 1 milhão vivem em casas improvisadas feitas de barro e estruturas de metal, isso na população de 32 milhões na capital. 

O projeto de demolição dessas estruturas é uma ação que busca atacar o direito do povo de ter acesso à moradia. Utilizando-se da constituição para cumprir com os interesses das classes dominantes indianas, o governo fascista de Modi ataca principalmente os bairros mais pobres e de massas mais profundas com o aval dos tribunais.

São atingidas as massas de operários, de camponeses que foram obrigados a ir para a cidade por causa do latifúndio. Dentre esses setores empobrecidos, destaca-se também os imigrantes. Assim como os muçulmanos, que conformam cerca de 14% da população indiana e são constantemente vítimas de ataques deliberados de grupos fascistas.

A economia da Índia tem como base a agricultura (mais da metade de sua economia), assim como quase 900 milhões da sua população vive no campo (de um total de 1,38 bilhões, de acordo com os dados oficiais). Essa população rural também demonstra crescimento a cada ano. Com a ação dos latifúndios e grandes mineradoras e empresas extrativistas na Índia, essa população rural é expulsa de suas terras, seja por bandos armados a serviço dos monopólios, pela burocracia estatal de titulação de terras, ou pelas próprios condições brutais da semifeudalidade no campo.

O inchaço das cidades está diretamente relacionado com o problema da concentração de terras e o atual governo de turno indiano, do fascista Modi, continua a aprofundar a penúria de centenas de milhões de camponeses através de “reformas” agrárias que impulsionam o latifúndio e tiram direitos dos camponeses e, para as massas de operários nas cidades, as “reformas” trabalhistas que acabam todo e qualquer direito trabalhista.

A situação das massas em Nova Déli

Mulher chora ao ter sua casa destruída pelo velho Estado.

Enquanto isso, Nova Déli vê o desemprego subir a mais de 76%, com 28% da sua população morando em favelas, em uma situação deplorável: além da falta de acesso a banheiros (48% das famílias em Nova Déli tem de fazer suas necessidades na rua), cerca de 44% das pessoas vivendo em favelas em Déli não tem acesso à água em suas comunidades.

Tudo isso representa o regime de exploração e opressão do velho Estado indiano latifundiário-burocrático sobre as massas populares. Nele, as polícias e as milícias de extrema-direita, se integram como parte das forças repressivas usadas contra o povo em geral para que não se rebelem contra a situação de precarização e miséria.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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