O presidente francês Emmanuel Macron se encontra com militares libaneses na capital do Líbano, Beirute, em 1º de setembro de 2020. Foto: Reuters
O presidente do imperialismo francês, Emmanuel Macron, foi ao Líbano pela segunda vez desde a enorme explosão no porto da capital Beirute em 4 de agosto, que destruiu metade da cidade e deixou quase 200 vítimas fatais. Em reuniões com chefes políticos locais, Macron prometeu “ajuda de amplo alcance” e ameaçou com sanções a fim de obter as reformas que seguem a linha de interesses que representa.
Nessas reuniões, durante o dia 1º de setembro, segundo informações veiculadas pelo monopólio de imprensa Al Jazeera, a embaixada francesa distribuiu um “projeto de programa” que continha duas opções para a nação libanesa: submeter-se às reformas exigidas pela França e pelo Estados Unidos (USA) e, com isso, garantir o recebimento da “ajuda internacional” ou, senão, perder essa “assistência” financeira e sofrer sanções.
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Essa visita ocorreu na data do centenário de quando o colonialismo francês declarou a fundação do Grande Líbano, e, assim como naquela época, o representante francês declarou que quer inaugurar um novo “capítulo político” no país e emitiu apoio à nomeação de um novo primeiro-ministro designado, Mustapha Adib. Macron também afirmou: “Não daremos ao Líbano carta branca ou cheque em branco”, reforçando o tom de ameaça e chantagem de suas propostas de reformas.
EXIGÊNCIAS DO IMPERIALISMO
Entre as diversas exigências listadas no programa apresentado por Macron, as menções a agências comprometidas com o imperialismo ianque são repetidas. Em primeiro lugar, está a exigência de que o Líbano retome imediatamente negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), assim como a “rápida aprovação das medidas preventivas solicitadas pelo FMI”.
Essa medida refere-se inclusive à legislação relacionada ao controle de capitais e à auditoria das contas do Banque du Liban (iniciando a auditoria que a empresa de auditoria ianque Oliver Wyman foi contratada para fazer).
Para tanto, ficou previsto que um cronograma de negociações com o FMI fosse aprovado e publicado no decorrer de duas semanas após a ida de Macron no início de setembro, que abarca, por exemplo, um estudo sobre a administração pública do velho Estado libanês. Esse estudo seria realizado por uma instituição internacional como o Banco Mundial ou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que são esdruxulamente citados como “independentes” pela França.
Vale ressaltar que o Líbano e vários dos seus políticos e lideranças já estão sofrendo pesadas sanções, principalmente do imperialismo ianque, seja por sua proximidade com o país vizinho, a Síria, ou com o Hezbollah. Esse é o caso, por exemplo, da “Lei de Proteção Civil Caesar Syria” sancionada pelo USA no ano passado, que ajuda a estrangular a economia libanesa a fim de forçar o país a seguir as suas demandas.
No dia 08/09, o USA anunciou a expansão de suas sanções contra o Líbano e adicionou à sua chamada “lista negra” dois ex-ministros do país: de transportes e finanças, sob a acusação de fornecer ajuda material e financeira ao Hezbollah. A medida congela todos os ativos americanos dos dois listados e impede que realizem negócios com estadunidenses, e todos aqueles que mantiverem as transações estão sob o risco de serem atingidos por sanções secundárias, disse o Tesouro ianque.