Crise política, econômica e social
A situação da Grécia não é diferente da enfrentada por outros países da Europa. A crise que desbordou e transborda acompanhada da torrente de protestos de massas é resultado da aguda crise geral que sacode de alto a baixo o imperialismo.
Recentemente, o governo Giorgos Papandreu anunciou um pacote anti-povo de “reformas” para recauchutamento da economia que em síntese determina:
- O aumento da idade para aposentadoria de 61 para 63 anos;
- O congelamento dos salários do funcionalismo público, prevendo até mesmo redução dos salários em 20%;
- O corte de 10% dos gastos públicos para o ano de 2010 (gastos com serviços básicos como educação, saúde, etc.), entre outras medidas.
Segundo o primeiro-ministro Giorgos Papandreu, tal pacote “salvador” tem como objetivo amenizar a dívida pública que já passa dos 300 bilhões de euros, o que corresponde a 110% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele país. Sem meias palavras, o governo grego pretende que os trabalhadores gregos paguem com a própria carne pela crise do imperialismo.
Sindicatos e organizações classistas convocam
No dia 10 de fevereiro começaram as mobilizações. Há mais de dois anos aquele país é convulsionado por gigantescos protestos, greves e revoltas populares. Em meio às lutas, a classe operária, o movimento estudantil combativo e os diversos setores dos trabalhadores gregos têm adquirido grande têmpera, capacidade de mobilização e organização notáveis.
Já no dia 10 os serviços e a administração pública paralisaram o trabalho em várias regiões do país, sobretudo em Atenas. Segundo dados divulgados pela Confederação Geral dos trabalhadores da Grécia (GSEE) e Confederação dos Funcionários Públicos (ADEDY), esta paralisação mobilizou 500 mil trabalhadores afetando os centros de ensino público, os ministérios, as alfândegas e o setor da saúde (que manteve apenas os atendimentos de emergência).
Logo em seguida, controladores de vôo aderiram à greve provocando o fechamento completo do espaço aéreo do país naquele dia. No dia 11, trinta mil taxistas aderiram aos protestos.
Com as mobilizações do dia 10 iniciou-se a preparação da gigantesca Greve Geral deflagrada no dia 24 de fevereiro último.
A Greve Geral
A Grécia amanheceu paralisada na manhã do dia 24 de fevereiro.
A Greve Geral convocada pela Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia – GSEE e várias centrais sindicais contou com a adesão de mais de 80% dos trabalhadores dos setores público e privado, totalizando mais de 2 milhões de trabalhadores.
A Greve atingiu os aeroportos, transportes marítimos, serviços ferroviários, táxis, estações de comboios, bancos, repartições públicas, hospitais, escolas, fábricas, até mesmo jornais e televisões. O Centro de Atenas foi tomado por milhares de trabalhadores que marcharam em protesto até a sede do parlamento exigindo o cancelamento das medidas anti-povo anunciadas pelo primeiro-ministro Giorgos Papandreu. Outras manifestações ocorreram por todo o país. Centenas de manifestantes cercaram a bolsa de valores com cartazes e faixas.
A polícia tentou impedir os protestos agindo com truculência, atirando bombas de gás contra os manifestantes. A juventude rebelde grega, forjada nos últimos combates de rua contra o Estado reacionário responderam com pedras e coquetéis molotov. A Praça da Constituição, no centro de Atenas, se transformou em um palco de batalhas campais entre trabalhadores e a tropa de choque da polícia. Os grevistas resistiram com pedras e ergueram barricadas nas ruas.
A Greve Geral durou 24 horas e foi encerrada com o anúncio de novas mobilizações.
Novos protestos à vista
A próxima ação do movimento operário grego em sua luta contra as medidas antipovo de Giorgos Papandreu foi anunciada pela Confederação Geral de Trabalhadores da Grécia e Federação das Mulheres da Grécia: um grande protesto em celebração ao centésimo 8 de março desde a definição dessa data como Dia Internacional da Mulher Proletária.