A música gaúcha no fole

https://anovademocracia.com.br/97/09a.jpg
https://anovademocracia.com.br/97/09a.jpg

A música gaúcha no fole

Print Friendly, PDF & Email

http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/https://anovademocracia.com.br/97/09a.jpg

Empenhado na valorização da música regional, o gaúcho Gilberto Monteiro é um dos mais importantes tocadores da gaita de oito baixos, nome gauchesco da sanfona do Nordeste e parte de São Paulo, e do acordeon dos demais estados brasileiros. Compositor, Gilberto é o autor da famosa Milonga para as missões e participa do projeto Sonora Brasil — Sotaques do Fole, ajudando a divulgar a música popular cultural brasileira.

— Sou natural de Santiago do Boqueirão. Parte da minha família é oriunda do Uruguai e se mesclou aqui com a família brasileira. Eles eram músicos também. Minha bisavó paterna tocava piano para gente importante na época, 1860/70. Minha avó e outros familiares também tocavam piano, mas não profissionalmente. Era uma gente totalmente voltada a vida no campo — fala Gilberto.

 — Acabei sofrendo influência e automaticamente, desde piá, com cinco anos de idade, comecei a manusear meu instrumento. Além da gaita de oito baixos, sempre gostei do violão e faço algumas coisas nele também. Mas meu sonho era ser piloto de avião, por isso nunca me imaginei que seria profissional de música um dia — comenta.

— E até acabei voando mesmo, mas foi um dia que andava a cavalo e meu irmão puxava no laço, e acabei voando um pouquinho (risos). Mas foi coisa de piá, de guri mesmo — brinca, acrescentando que o piá e guri significam menino na região sul do Brasil.

Tocando informalmente, Gilberto acabou convidado para representar o Rio Grande do Sul em uma festa de música no Parque Anhembi, em São Paulo.

— Foi meu primeiro contrato profissional. E fui seguindo minha carreira tocando e compondo também, sempre muito tranquilo, caseiro, porque não gosto de muita farra. Aprecio mais ficar em casa, fazer um mate e receber meus amigos — confessa.

 — A primeira música que compus foi uma milonga, a Milonga para as missões, hoje gravada por Renato Borghetti e muitos outros músicos do Rio Grande do Sul e outros estados. Tenho também uma canção, que se chama Para ti guria, e outra chamada Prelúdio para um beija-flor, outro tema bem cancioneiro — define.

— Tenho também muitas outras que são bem conhecidas. Componho na gaita e no violão também, e toda hora estou compondo alguma coisa. As letras, prefiro que alguém coloque para mim — diz.

Em suas apresentações, Gilberto costuma levar dois violonistas e um percussionista.

— Meu show dura cerca de uma hora e meia, e normalmente prefiro tocar as minhas músicas, mas também toco a de outros compositores daqui do Sul. Além de apresentar as músicas, procuro interagir com o público, gosto de conversar, brincar e contar uns causos com o pessoal — relata.

— O primeiro disco que gravei acabou indo para o lixo. Fiz para lançar, mas não gostei do resultado e taquei fogo, queimei tudo (risos). Então o segundo foi o primeiro que lancei, se chama Para ti guria. Depois lancei do De lua e sol, sempre trabalhando com gêneros regionais daqui do Rio Grande — continua.

— Quase sempre uso milonga, vaneira, xote, rancheira, chamamé, polca, mazurca, que tem a nossa cor, representa a gente gaúcha. Embora sejam ritmos que vieram com os europeus, eles adquiriram a cor da nossa terra. No momento estou me preparando para fazer um novo lançamento — avisa.

Mostrando seu sotaque no fole

Além do projeto do novo disco, Gilberto está viajando pelo Brasil com uma turnê, através do projeto Sonora Brasil — Sotaques do Fole, realizado pelo Sesc.

— Já fiz uma parte do Brasil e agora vou fazer a outra. Esse trabalho é um apanhado de músicas muito antigas, da formação musical do Rio Grande do Sul. Algumas acabei aprendendo com o passar dos anos, e muitas delas bem no passado, com meus avós — conta.

— O projeto é apresentado em várias partes do país e tem outros músicos participando também. Não é uma turnê voltada para o meu trabalho ou de outro participante: é um apanhado de composições antigas, uma reflexão das músicas do passado, que escolhemos em conjunto com o Sesc e estamos tocando. Nesse repertório tem somente quatro músicas minhas — explica.

O Sonora Brasil tem a intenção de formar apreciadores musicais através de um projeto temático, oferecendo uma programação identificada com o desenvolvimento histórico da música do país, com shows acústicos que valorizam as composições e suas execuções. Além das composições antigas, o projeto apresenta algumas músicas contemporâneas.

Está na sua 14ª edição, 2011/2012, sendo o tema atual: Sotaques do Fole, apresentando o acordeon/sanfona/gaita com suas variações ligadas ao regionalismo. Além de Gilberto Monteiro, o Sonora Brasil traz Travinca, de Pernambuco, Dino Rocha, Mato Grosso do Sul, Toninho Ferragutti, de São Paulo, e o também gaúcho Alessandro Kramer.

— São músicos apresentando as composições da sua região, fazendo uma divulgação da cultura musical e tudo que está contido nessas músicas. Um apanhado das coisas culturais dos estados, bem importante para a nossa música brasileira. Posso afirmar que é um trabalho muito bonito que estou gostando muito de fazer — conclui Gilberto.

Paralelo ao projeto, Gilberto Monteiro tem se apresentado em seu estado, vários outros do país e também exterior.  Para contatar: [email protected] e (51) 9676-2407.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: