A Nação precisa da atuação firme do proletariado revolucionário

A Nação precisa da atuação firme do proletariado revolucionário

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O Brasil passa por uma crise sem precedentes em todos os terrenos fundamentais: no econômico, político, moral, institucional, militar e social, para ficar apenas nesses. Convergem, como poucas vezes se viu na história do país: uma profunda recessão de um enfermo capitalismo burocrático cuja recuperação é impossível no imediato, dentro da qual o imperialismo e as classes dominantes locais impõem uma elevação sem precedentes da exploração das massas e restrição de seus direitos fundamentais; o desmoronar do sistema de governo e dos pactos das classes dominantes para exercer sua dominação e, por fim, o antagonismo entre esse sistema de governo – e, crescentemente, entre o sistema de poder – e os interesses e consciência das massas populares. Essa é a situação revolucionária, objetiva, que traz consigo grandes tormentas e sofrimentos, como também as melhores condições para sua superação por completo.

Dentro disso a pandemia veio a agravar toda a situação, lançando mais de 270 mil pessoas à morte, enterradas em valas comuns, sem mencionar aquelas que morrem com coronavírus sem sequer serem assim diagnosticadas, Brasil adentro.

A crise econômica atira um enorme contingente humano a uma regressão no tempo, na mais absoluta barbárie. É o caso dos 67 milhões de desempregados reais (desemprego, subutilização e desalentados), entre os quais 27 milhões dos brasileiros (12,8% da população em números subestimados) vivem com menos de R$ 246 por mês, ou R$ 8,20 por dia, segundo a Pnads Contínua Covid-19, figurando o macabro quadro da extrema miséria como há muito não se via no país.

Enquanto lamenta ter que retomar o auxílio emergencial para ao menos mitigar o sofrimento inaudito de milhões de famílias brasileiras lançadas ao terror cotidiano, com um miserável valor de R$ 250 por três meses, o governo militar se curva, como o lacaio mais desprezível, ante o mercado financeiro (os banqueiros internacionais), para o qual destinará R$ 2 trilhões e 236 bilhões – mais de 53,9% do orçamento a ser aprovado pelo Congresso – para pagar os juros e amortizações da “dívida pública” ilegítima que saqueia a Nação e infelicita o povo. Mas neste tema os generais “patriotas” e seu capitão fracassado, tão valentões para acovardar ministros e rosnar ameaças de culminar o golpe de Estado, se mostram dóceis e amáveis como cães em busca de onerosas recompensas.

Enquanto os monopólios e grandes empresas fazem e acontecem durante a pandemia, a despeito da infecção dos trabalhadores e com a conivência e beneplácito do governo militar (como as lojas de departamento e a construção civil, tidas por “serviço essencial”!), os pequenos e médios proprietários são açoitados. Sendo os que mais pagam impostos e os que mais empregam, abandonados que se acham, enfrentam uma falência ímpar que, em 2021, tende a atingir 53% a mais do que em 2020, segundo a consultoria Alvarez & Marsal.

No campo, o latifúndio segue avançando seu processo de cerco ao campesinato e expropriando suas terras e, por outro lado, o movimento camponês combativo responde na mesma medida.

SITUAÇÃO OBJETIVA E CONDIÇÕES SUBJETIVAS

Toda a situação objetiva empurra avassaladoramente as massas a uma ação revolucionária histórica. Porém, o que falta em nosso país é a atuação firme do proletariado revolucionário, cujo partido, a forma superior de organização, o Partido Comunista em nosso país, foi liquidado pelo revisionismo no final dos anos 1970, com João Amazonas à cabeça, seguido pela quase liquidação completa do movimento revolucionário no país, impondo pesados fardos ao proletariado e massas populares.

Privadas de sua vanguarda e de suas organizações revolucionárias, as massas populares são alvos fáceis de toda sorte de ataques, patranhas e sistemática “lavagem cerebral” dos monopólios de comunicação, submergindo grande parte delas num estado de torpor insano. Somente mobilizadas, politizadas e organizadas as massas podem distinguir com facilidade seus amigos dos inimigos; os projetos políticos que correspondem com seus mais legítimos interesses imediatos e históricos daqueles que são antagônicos a esses.

O relativo torpor que ora se apresenta no estado de espírito das massas, combinado com um ódio completo a todos os sintomas que a velha ordem de exploração e opressão gera no cotidiano do povo, é protagonista do ato imediatamente antecedente ao de sua rebelião indomável e inevitável, queira ou não quem quer que seja. Espontaneamente, ela pode, mirando nos sintomas, mitigá-los parcial e apenas temporariamente, não mais que isso. Eis aqui onde reside a obrigação do proletariado revolucionário, cujo acionar é o único elemento da situação política capaz de, fundindo-se às massas, mirar seus golpes nas raízes dos problemas e, passo a passo, eliminá-las junto aos sintomas. A falta que faz o partido revolucionário do proletariado também facilita que os elementos reacionários possam polarizar entre si para arregimentar as massas em suas pugnas e afastá-las dos seus interesses, por desilusão. É esse o ninho mais fecundo do fascismo.

O 25 de março de 2021 marca o 99º aniversário do Partido Comunista do Brasil, hoje, segundo publicações do Núcleo de Estudos do Marxismo-leninismo-maoismo, transitando a Segunda Fase da Terceira Etapa de sua história: a da luta pela reconstituição como autêntico partido marxista-leninista-maoista em meio à luta contra o revisionismo e todo oportunismo de modo inseparável do combate ao imperialismo, à grande burguesia, aos latifundiários e a toda reação. Se já falamos da situação relativamente favorável para as lutas das massas e desfavorável à reação no imediato, cabe remarcar: só com o verdadeiro partido revolucionário do proletariado, em síntese, a principal debilidade estratégica na colina das massas populares e a maior vantagem estratégica da colina da reação podem ser alteradas. Resolvido isso, tal como disse o grande timoneiro, “toda sorte de milagres serão possíveis”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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