A sangrenta corrida imperialista na Costa do Marfim

A sangrenta corrida imperialista na Costa do Marfim

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Os monopólios em crise profunda requisitam a África e o reflexo atual mais evidente deste recrudescimento da corrida imperialista no continente africano – além da atual ofensiva militar desencadeada pela Otan contra a Líbia – é a intervenção das potências na Costa do Marfim, pobre semicolônia da África subsaariana. Intervenção essa que visa garantir às transnacionais ianques e europeias o controle das abundantes fontes de matérias-primas locais ante o avanço de outros países com pretensões imperialistas, com destaque para a China.

Como o que ora transcorre na Líbia, as duas potências capitalistas que se adiantam no avanço sobre o território marfinense são o USA e a França, ex-metrópole da Costa do Marfim com um histórico de sangrenta opressão e ingerências contra o povo marfinense, antes e depois da “independência” da ex-colônia de fato.

Há tempos, a França tenta derrubar o presidente Laurent Gbagbo, que assumiu o poder na Costa do Marfim pela via eleitoral no ano 2000. Ainda que nunca tenha feito da Costa do Marfim um estado popular, Gbagbo empreendeu algumas reformas tentou reduzir privilégios das transnacionais francesas no país nos setores de petróleo, eletricidade e  telecomunicações.

Em setembro de 2002, chegou a haver uma tentativa de golpe contra Gbagbo financiado por transnacionais francesas, insatisfeitas com a política econômica do governo, e que contou com a participação de mercenários contratados por Paris. Desde então, a administração Gbagbo se degenerou e foi se mostrando cada vez mais reacionária em meio ao esforço do presidente por fazer concessões à França a fim de se garantir no poder. Até agora, o hábil manejo das relações com Paris haviam surtido o efeito desejado. Isso até uma eleição no ano passado na qual a “comunidade internacional” anunciou a vitória de um ex-funcionário do FMI.

O massacre apoiado pela ONU

Uma dessas concessões de Gbagbo à vontade da França, em seu esforço para se manter no poder, foi a aceitação de que a ONU organizasse um processo eleitoral na Costa do Marfim em novembro do ano passado. Realizado o pleito, tanto Gbagbo, quanto o candidato da “comunidade internacional”, o ex-FMI Alassane Ouattara, reivindicaram vitória, mas a ONU, como era de se esperar, declarou Ouattara vencedor. “Derrotado”, Gbagbo se recusou a sair, abrindo caminho para o conflito entre suas tropas e as “forças republicanas” de Ouattara.

A França e a ONU interviram diretamente. Paris enviou mais 300 soldados à Costa do Marfim para se juntar às fileiras gaulesas que lá já se encontram de forma permanente para fazer garantir o cumprimento dos arranjos neocoloniais acertados aos trancos e barrancos com Gbagbo.

Começaram a surgir notícias de massacres promovidos pelos homens de Gbagbo e de Ouattara. A França tomou o aeroporto de Abidjan, a maior cidade da Costa do Marfim, a mesma onde helicópteros sob o comando de capacetes azuis da ONU realizaram ataques contra as tropas leais ao presidente agarrado ao poder.

Negando que a ONU tenha intervido na Costa do Marfim a fim de forçar a posse de um homem de confiança das potências, o chefe das “forças de paz” da ONU, o francês Alain Le Roy, disse que apenas cumpria a determinação do Conselho de Segurança de “proteger a população civil contra a utilização de armas pesadas”, ainda que tenha sido preciso que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, telefonasse ao próprio Ouattara para pedir comedimento após evidências de que suas “forças republicanas” participaram de uma chacina de 800 pessoas na cidade de Duekoue, no oeste do país. No dia 11 de abril, Laurent Gbagbo foi detido pelas tropas da França, da ONU e de Ouattara.

Os episódios dos últimos meses na Costa do Marfim confirmam o que há tempos se prenuncia: o imperialismo está requisitando a África. Não por acaso, o ano de 2011 será de eleições na maioria dos países do continente. É mediante a farsa sufragista que as potências primeiro vão tentar assumir o controle total dos países africanos, com a implantação de gerentes 100% subservientes aos desígnios dos monopólios. Caso algo dê errado, os acontecimentos marfinenses mostram o que se sucederá.

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