As brigadas de agitação e propaganda do AND: A retomada de uma tradição da imprensa popular

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As brigadas de agitação e propaganda do AND: A retomada de uma tradição da imprensa popular

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Um grupo formado por jovens se aproxima de uma praça. Eles seguem decididos, todos com jornais em punho. Antes, leram as principais manchetes e matérias do jornal, estavam com tudo na ponta da língua. À frente, altivo e transpirando a mesma juventude, um vigoroso senhor empunhando um megafone se preparava para mais uma vez cumprir a tarefa que desempenhara tantas vezes, algumas dessas debaixo dos narizes dos gorilas do regime militar-fascista. No ano de 2007, na praça do Ferreira, centro de Fortaleza – CE, Manoel Coelho Raposo, conhecido publicista, velho comunista,  membro do conselho editorial de A Nova Democracia dirigia a primeira brigada de vendas do jornal, anunciando para o povo cearense as ideias que defendeu até o último instante de sua vida militante.

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Brigada de venda do A Nova Democracia na Central do Brasil, RJ.
A imprensa popular resgata sua tradição

A partir desta iniciativa, muitas experiências se seguiram. Em cada reunião, fosse do conselho editorial de AND, da redação do jornal, ou de um comitê no interior do país, as brigadas do jornal foram pontos de pauta e objetos de debate. Por vezes se exaltavam as dificuldades, a falta de braços, uma certa timidez.

Por vezes recebíamos um relatório sem muitos detalhes da realização de uma brigada diante de uma metalúrgica em Contagem – MG, e os comentários feitos por um operário. Por outras, uma brigada na Praça da Sé – SP, e a avidez dos transeuntes em receber e ler o jornal.

Nos últimos dias de dezembro de 2010, o Rio de Janeiro, particularmente o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro foram sitiados, invadidos por militares. E foi justamente nesse momento de bombardeio visceral do monopólio dos meios de comunicação da burguesia, de criminalização da pobreza e terror de Estado, que AND e o comitê de apoio do Rio de Janeiro se lançaram de forma mais profunda e se ligaram de forma mais sólida às massas.

A reportagem de AND praticamente se transferiu para o Alemão e a Vila Cruzeiro, e o comitê de apoio encontrou o caminho insistentemente buscado desde o seu surgimento.

 O relato abaixo, redigido por um integrante do comitê de apoio do Rio de Janeiro e enviado à redação do jornal retrata bem este momento.

Relatório das Brigadas realizadas pelo comitê de apoio – RJ

Brigada na Central do Brasil, no dia 29/12/2010, quarta-feira, no fim da tarde.

Foram vendidos 30 jornais.

A brigada foi muito boa, até mesmo pelo número de companheiros estudantes presentes. Enquanto uns faziam agitação mostrando o jornal, os outros abordavam as pessoas. A abordagem também foi boa e todos participaram bem, com destaque para dois apoiadores que foram pela primeira vez e, apesar da pouca experiência, venderam mais de cinco jornais. A brigada terminou por causa da chuva. Em 30 minutos foram vendidos os 30 jornais, um por minuto!

Brigada na entrada da Grota – Complexo do Alemão, no dia 14/1, sexta-feira, às 17h.

Foram vendidos 20 jornais

A brigada durou pouco tempo. O grupo se dividiu em duas duplas: uma delas ficou no ponto de ônibus e outra na entrada de um beco onde transitam os moradores. A dupla que ficou no ponto não fez agitação e só abordou as pessoas que esperavam os ônibus. A outra dupla fez uma pequena agitação. A brigada durou pouco tempo, pois no horário havia poucas pessoas circulando, mas como foi a primeira no Complexo do Alemão, foi boa e uma experiência importante. A falta de agitação com mais vigor não entusiasmou muito as pessoas.

Brigada na entrada da Grota – Complexo do Alemão, no dia 19/1, quarta-feira, às 7h20.

Foram vendidos 50 jornais

As pessoas receberam muito bem o jornal. Alguns moradores disseram que o jornal merecia melhor divulgação/circulação. A agitação foi muito bem feita por um companheiro estudante que havia se preparado bem antes. Enquanto isso, outros apoiadores abordavam as pessoas no ponto de ônibus.

Desde a retomada da atividade dos brigadistas do comitê de apoio de AND no Rio, no final de dezembro de 2010, foram vendidos mais de 250 jornais.

A direção de AND saúda entusiasticamente o comitê de apoio do Rio de Janeiro, que tem servido como um grande exemplo para os comitês de A Nova Democracia em todo o país.

Balanço da campanha de apoio ao AND

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Raposo em brigada do AND na Praça do Ferreira, Fortaleza, CE

No mês de janeiro encerramos mais uma campanha de apoio ao jornal. A direção de AND lançou um apelo aos comitês de apoio, muitos deles ainda em pleno processo de construção, para que nos mobilizássemos, traçássemos planos e nos empenhássemos em torno da meta nacional: arrecadar R$ 20 mil em apoio ao jornal.

Durante quatro meses trocamos correspondências, ajustamos nosso contato, travamos conhecimento mútuo, esclarecemos dúvidas, realizamos reuniões. Traçamos um mapa preciso do alcance de AND, seus assinantes, apoiadores, colaboradores. Partimos em busca de antigos leitores cujas assinaturas estavam “vencidas”. Foram ajustes necessários e decisivos para organizarmos e ampliarmos a rede de apoiadores da imprensa popular e democrática que se desdobrarão em médio e longo prazo.

No total, arrecadamos R$ 7.200,00 e recebemos um computador de última geração como doação de um apoiador.

Não cumprimos a meta de nossa campanha, no entanto a orientação da direção de AND  é de que não abandonemos nenhum plano traçado. Alguns dos comitês de apoio planejaram iniciar a campanha após o prazo fixado para o seu encerramento. Isto, entre outros problemas enfrentados, fez com que decidíssemos prorrogar a campanha de apoio até alcançarmos os R$ 20 mil.

O apoio à imprensa democrática e popular deve ser uma atividade permanente dos comitês. Esta é a luta na qual nos empenhamos atualmente e cada comitê deve buscar incorporá-la.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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