Belo Horizonte: Rodoviários denunciam oportunismo e acordo lesivo

Belo Horizonte: Rodoviários denunciam oportunismo e acordo lesivo

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Os trabalhadores em transportes rodoviários de Belo Horizonte e região se encontram entre a cruz e a espada: por um lado, a ganância patronal, que vem retirando e atacando os poucos direitos conquistados ao longo de décadas de lutas. Por outro, o oportunismo de uma casta de “sindicalistas” que se beneficiam e enriquecem selando acordos lesivos à categoria.

Antes de iniciar a campanha salarial, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de BH e Região anunciou como reivindicações da categoria: aumento salarial de 23%, sendo 16,5% referente a reajuste real e o restante a correção inflacionária, jornada de trabalho de seis horas diárias e o fim dos ônibus sem cobradores.

Mas no decorrer da dita campanha, o que ficou patente, tanto pela postura dos dirigentes sindicais como pela presteza patronal em selar os acordos, foi a traição dos anseios dos trabalhadores e a venda dos seus direitos em troca de comissões.

Nos dias 13 e 14 de fevereiro correu uma paralisação parcial nos transportes rodoviários de Belo Horizonte. E a “campanha” parou por aí.  Somente esse fato já seria uma surpresa para os trabalhadores rodoviários e para a própria população de Belo Horizonte, que em um passado recente havia se habituado com as manifestações, paralisações e greves combativas e panfletagens dos rodoviários.

A classe patronal, através do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte – Setra-BH havia oferecido  8% de reajuste, além do pagamento de abono de R$ 300 para funcionários que ganham mais de R$ 1 mil e de R$ 150 para quem ganha menos. Já no segundo dia de paralisação parcial, Anderson Lopes, diretor de relações sindicais do Setra-BH declarava na imprensa que “as negociações estão evoluindo bem e consideramos que tudo será resolvido o mais rápido possível” [fonte: www.hojeemdia.com.br, 14 de fevereiro de 2011].

E foi assim que o fato se consumou, sem maiores explicações para os trabalhadores.

No dia 20 de fevereiro AND recebeu o telefonema de um grupo de trabalhadores rodoviários que  também enviou à redação do jornal o boletim Luta Classista, que denunciava o acordo entre patrões, dirigentes do sindicato e da associação gestora dos benefícios dos trabalhadores.

Denunciando o acordo, o trabalhador rodoviário que se identificou como Edmundo esclareceu:

“Esse acordo só serviu para a patronal. As direções do sindicato e da Astromig venderam a categoria por uma bolada de dinheiro, vou explicar:
O sindicato tinha algumas ações na justiça sobre o plano de saúde. Antes era a  Astromig que gerenciava os recursos do plano de saúde, mas os patrões derrubaram isso e tomaram o controle do dinheiro. Essa ação corria na justiça e os patrões condicionaram esse último acordo de 8% à retirada dessa ação.
Havia também uma ação sobre o direito aos intervalos de refeição para os trabalhadores e outras ações de cumprimento da convenção coletiva. Isso além de outra ação pelo fim dos ônibus sem cobrador.
O sindicato aceitou esse acordo suspendendo as ações por 120 dias dizendo que os patrões “vão fazer um levantamento sobre as ações”. Mas a ação sobre o plano de saúde foi retirada definitivamente. Assim, a Astromig passa a receber uma bolada de dinheiro por participar da comissão de saúde dos trabalhadores. São 3% de tudo que o plano de saúde contratado pelos patrões arrecada, e isso é muito dinheiro. Além disso, 1% do salário dos trabalhadores é descontado em folha de pagamento e esse 1% também vai para a comissão na qual a Astromig está.
Como se pode ver, a categoria foi vendida, nossas reivindicações foram ignoradas e os dirigentes do sindicato e da Astromig receberam uma bolada para assinar em baixo.”

O boletim Luta Classista ainda denuncia novos acordos lesivos:

“No Sintram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano) já está tudo acertado e só está faltando assinar o acordo. Tanto é verdade que o sindicato não propôs nenhum movimento na região metropolitana. No transporte interestadual e intermunicipal já estamos na data-base e o sindicato não faz nada para mobilizar a classe. Poderíamos usar o carnaval para pressionar a patronal, mas a diretoria do sindicato está de mão coçando para assinar o acordo com as migalhas que a patronal oferece molhando a mão com comissões para os manda-chuva da diretoria e da Astromig. “

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