Boicote ao pagamento de luz e água

Boicote ao pagamento de luz e água

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“Se cortarem a nossa luz e nossa água, nós vamos religar!”

Manifestação em Belo Horizonte contra o corte de água e luz nas casas

Numa vila na periferia de Belo Horizonte, um funcionário bate palmas em frente a uma casa e é recebido pelo dono que lhe pergunta o que faz ali. Ele informa que vai desligar o relógio de luz. O morador, calmamente começa a amolar um facão numa pedra lisa, estrategicamente colocada ao lado do relógio e lhe diz: “Se eu fosse o senhor não fazia isso.”

Os funcionários da CEMIG (Centrais Elétricas de Minas Gerais) reclamam da violência popular nas vilas, favelas e bairros pobres de Belo Horizonte. “Não podemos entrar na maioria das vilas e favelas para cortar a luz sem ser ameaçados”. A população está revoltada e reage contra os cortes de fornecimento.

A organização classista Movimento Feminino Popular, lançou ao final do ano passado a campanha do boicote ao pagamento das contas de água e luz principalmente nas capitais e grandes cidades. Segundo o MFP, as famílias trabalhadoras, em grande número desempregadas, vivem de “bicos” e não conseguem há muito tempo pagar as contas altíssimas de água e luz.

As organizadoras do boicote perguntam: “Como é possível viver sem água e luz? Como fazer a comida? Com a água podre dos córregos? Como aceitar que em nossas casas não possamos tomar um banho quente e conservar comida na geladeira? Se um pai ou mãe de família consegue ganhar 50 reais numa semana, sem saber se terá trabalho na próxima, como pode escolher entre pagar a conta de água ou luz em lugar de comprar comida?” E a resposta tem sido dada pela população que em número cada dia maior adere ao boicote, que já é aplicado na maioria das favelas e bairros pobres também no Rio de Janeiro. A escolha não poderia ser outra e diante das ameaças por parte dos governos de corte do fornecimento, cresce a revolta e a resistência do povo nas vilas e favelas que tem deixado acumular suas contas sem pagar.

Em Minas Gerais, o MFP encaminhou ao governo Itamar Franco quatro exigências: 1) Suspensão imediata de todos os cortes de luz e água nas vilas, favelas e bairros pobres; 2) Cancelamento das contas atrasadas de luz e água para as famílias pobres; 3) Tarifa zero de luz e água para os desempregados e 4) Redução de tarifa de luz e água para os trabalhadores.

A falta de resposta do governo não intimidou o povo. Quando os funcionários conseguem cortar a luz, os moradores religam, afinal são operários e sabem fazê-lo.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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