Choro com Canela de Ema

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Choro com Canela de Ema

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Representantes de uma nova geração de chorões mineiros, o grupo Canela de Ema foi criado informalmente quando jovens músicos, na faixa dos vinte anos de idade, se conheceram na tradicional roda de choro do Bar do Salomão. Alguns tendo seus primeiros contatos, outros conhecendo um pouquinho a linguagem, se empolgaram o suficiente para montar o grupo e seguir a linha tradicional, mas com sotaque da terra, entre clássicos e composições próprias.

— Somos um grupo genuinamente de choro, porque não podemos ignorar esse ritmo fantástico.

Tocamos grandes chorões, como Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Waldir Azevedo, K-Ximbinho, Abel Ferreira, Joaquim Antonio Callado, Ernesto Nazareth, entre outros. E gostamos muito de fazer pesquisas sobre o gênero e compor também. Para nós esse trabalho em equipe é muito interessante — fala o bandolinista Artur Pádua.

Artur diz que o grupo tem um lado regional bem forte, que aparece em tudo que faz.

— Fazemos uma leitura tradicional do choro, buscando na tradição uma sonoridade moderna, e incluímos nisso o nosso sotaque mineiro. Somos todos daqui de Belo Horizonte, então só podemos fazer música mineira, sendo ela a música que for. Então fazemos o nosso choro, que tem a ver com a nossa vida, com aquilo que vemos e sentimos por aqui — explica.

— O próprio nome do grupo remete a isso, porque Canela de Ema é uma flor bem comum na nossa região, no cerrado mineiro. Todos nós gostamos muito de acampar aqui pela região, ter contado com a natureza, e a Canela de Ema sempre fez parte desses momentos — continua.

Planta em extinção, típica do cerrado brasileiro, particularmente o mineiro, a canela-de-ema tem caules finos e eretos, e uma folhagem em tufos, lembrando a ave ema. Possui uma grande variação de cor em suas belas flores, que vai do lilás, bem forte, ao branco, sempre com miolo amarelo. É muito usada como planta ornamental, por conta dessa coloração e também pela beleza da sua folhagem. Alguns nativos dizem que essa flor é comestível.

— Nos conhecemos há mais ou menos três anos lá no bar do Salomão mesmo, um tradicional reduto daqui de Belo Horizonte, onde acontece uma mistura da velha guarda com jovens talentos, curiosos e também pessoas que estão tendo seus primeiros contatos com o choro. E esse era mais ou menos o nosso caso — fala Artur.

— Todos nós estávamos começando com alguns projetos de música, mas para cada um o choro foi uma descoberta especial. No meu caso particular, já tinha alguns projetos e tocava com um conjunto, mas era rock, blues. O André, que toca violão de 7 cordas antes tocava guitarra. Enfim, conhecemos o choro e imediatamente nos interessamos por ele, deixando o resto para trás. E de tanto frequentar as rodas, acabamos nos tornando amigos, enquanto paralelamente crescia nosso gosto pelo choro em cada um — expõe.

— Mas no início só queríamos nos juntar para estudar um pouco mais esse gênero, conhecer melhor essa linguagem, mas, a amizade entre nós, o amor pelo choro e o gosto do povo foram crescendo tanto que decidimos formar o grupo. E foi bom, até porque achamos importante mostrar o choro para mais gente conhecer — conta.

Circulando com o choro

Artur diz que o grupo procura atrair mais adeptos para o choro, jovens ou não, pessoas que conhece essa linguagem por falta de oportunidades, já que não costuma ter espaços na mídia.

— Muitas pessoas, assim como nós, descobrem o choro e a partir daí se tornam frequentadores certos das rodas que existem aqui pela cidade. Atualmente tocamos em vários bares e restaurantes daqui de Belo Horizonte, e eventos públicos e privados como a Feira Tom Jobim e o projeto Pizindin — Choro No Palco, em muitos outros lugares que nos convidam. Mas continuamos todas as quintas-feiras, fixo, lá no bar do Salomão, com as rodas — avisa.

Além de Artur Padua, no bandolim de 10 cordas, e André Madruga, no violão de 7 cordas, o Canela tem Daniel Albuquerque, no cavaquinho; Pedro Alvarez, na flauta transversal; e Luíza Valença, no pandeiro.

— Todos nós estamos nos aprimorando bastante e nos envolvendo cada vez mais com a música e a nossa cultura. Para se ter uma ideia, naquele primeiro momento o André era o único que cursava faculdade de música, no caso violão. Atualmente três componentes do Canela estão cursando universidade de música. Eu, por exemplo, estou estudando cavaco na UFMG — conta Artur.

— Contudo, a formação que a faculdade dá é de músico clássico, e não exatamente de músico popular, músico brasileiro. Mas a UFMG até que está mais aberta agora, tendo música popular na sua grade. Não é que seja voltada para o choro, por exemplo, mas passa por ele. E nós aproveitamos isso e o nosso conhecimento extra e fazemos rodas de choros também entres os alunos, lá na faculdade. Acontecem rodas semanalmente tanto na UFMG, quanto na UEMG, e nós participamos — continua.

Além da dedicação aos estudos de choro, com tudo o que tem a disposição para isso no momentos, e os ensaios constantes, o Canela foi apadrinhado por chorões da velha guarda, o que garantiu uma fonte de pesquisas que ajudam na formação do novo e também em garantir que se mantenha a tradição.

— Dessa forma pretendemos gravar nosso primeiro disco, meio a meio, juntando as composições que temos com as homenagens às gentes importantes. E não é por falta de material que ainda não gravamos e sim por conta das dificuldades financeiras que se apresentam — explica.

— Mas não nos intimidamos, e estamos pretendendo montar um projeto para tentar pegar incentivo, um apoio, e poder realizar esse nosso desejo, que é também o desejo do pessoal que gosta de nos ouvir tocar. Acredito que no começo do próximo ano já tem alguma novidade — comenta animadamente.

O Bar do Salomão está situado na: Rua do Ouro, 895, Serra. (31) 3221.5677. Para contatar o Canela De Ema: [email protected]

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