Choro de pai pra filho

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Choro de pai pra filho

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O Brasil Musical: Carlos Roberto, Marcos, Fábio Miudinho e Renato com a convidada Debora Germani

Filho do importante chorão mineiro, Reinado Rocha, clarinetista oriundo do Vale do Jequitinhonha, Renato Rocha segue o caminho do pai com a banda Brasil Musical. Aproveitando um cenário totalmente favorável ao choro em Belo Horizonte, o grupo se apresenta fixo em bares da cidade e eventos diversos, também pelo interior do estado, com um repertório diversificado, que além do choro e da seresta, inclui samba, baião e outros gêneros brasileiros.

— Comecei minha vida de músico quando rapazinho, no meio de familiares e amigos, tocando violão informalmente. Tenho uma raiz musical muito forte, digamos assim, por conta do meu pai, que já era conhecido nessa época. Ele tocou com nomes importantes daqui e do Brasil inteiro, pessoas como: Bolão, Mozart, Waldir Silva, Altamiro Carrilho, Jorginho do Pandeiro, e muitos outros — Conta Renato.

— Depois me casei, adquiri responsabilidades com família e para sustentá-la fui trabalhar na gráfica que meu pai tinha na época, deixando a música de lado. Mas um dia fiquei com a incumbência de consertar o cavaquinho de um amigo nosso, e ele acabou me dando o instrumento. Isso me despertou e comecei devagarzinho a descobri-lo, e quando vi já estava no grupo desse rapaz — lembra.

— Passei a tocar profissionalmente em 1990, depois de muitos anos afastado, tocando cavaquinho. Participei de grupo de baile, e em 2000, quando montei o conjunto Brasil Musical, mudei para o violão, porque existia uma certa defasagem de violonista no choro aqui, na época. E desde esse retorno ao meu primeiro instrumento, não o abandonei mais — continua.

O pai de Renato, Reinaldo Rocha, também conhecido como ‘o Rocha do Clarinete’, nasceu em 1921 e aos 14 anos de idade já tocava trombone na banda da sua cidade, na região do Vale do Jequitinhonha, nas Minas Gerais. Mais tarde, a conselho do maestro da banda, mudou para o clarinete, com o qual se tornou conhecido no mundo do choro.

— A terra do meu pai é um lugar de muitas manifestações culturais, tem músico demais por lá, de todos os estilos. Acho que ele foi influenciado com essa cultura toda e envolvido no meio, fazendo bailes por aquela região. Mais tarde veio para Belo Horizonte, onde eu nasci, e continuou sua carreira aqui, se tornando um músico muito querido e respeitado — fala Renato.

— Participou de importantes grupos, entre eles: Diamantina em Serenata, Orquestra do Brine, Regional da Rádio Inconfidência e Guarani, o próprio Brasil Musical, e a Orquestra de baile “R.R.”. Nas rádios Inconfidência e Guarani tocou com aqueles artistas famosos que viam aqui: Ângela Maria, Nélson Gonçalves, Sílvio Caldas, e outros, essa turma toda. Era um músico sensacional — continua.

— É autor de vários choros, entre eles o ‘Cuidado Comigo’, que tem uma história bem curiosa: ele estava compondo e de repente teve uma dor de barriga, parou, foi ao banheiro, e quando voltou continuou a composição dando o nome de ‘Fazendo Força’. Mas quando foi gravar o pessoal não gostou do título. Ele explicou: ‘É por causa da dor de barriga’. Daí disseram: ‘Ah, então põe Cuidado Comigo’ (risos). Ele era muito bem humorado — comenta.

Seguindo os passos do pai

Reinaldo Rocha teve oito filhos e Renato é o único músico profissional. Faleceu em 2007, e recentemente foi homenageado pelo Projeto Pizindin — Choro no Palco, como um importante expoente do gênero nas Minas Gerais, em um show com a participação de Renato.

— Ele me deu a maior força quando decidi me dedicar a música, ao choro. Aprendi muita coisa com ele e sua turma, nas noites daqui de BH. No começo também participou do Brasil Musical, e esteve na ativa até bem perto do seu falecimento. Continuei com o conjunto também em homenagem a ele — conta Renato, acrescentando que seu pai gravou um disco solo e participou de vários outros acompanhando artistas.

O Brasil Musical comemora seus doze anos de atividade viajando e tocando muito.

— Atualmente está tendo um movimento de choro muito forte em Belo Horizonte. No passado muitos chorões tiveram que trabalhar a vida inteira em empregos paralelos para o sustento de suas famílias, mas hoje vemos muita gente vivendo de música por aqui, tem bastante trabalho para nós — expõe Renato.

— Desde 2000 nos apresentamos toda semana no Café e Livraria Agência Status, na Savassi, e há 8 anos no restaurante Pop & Kid, na Praça 7, aqui em BH, além de shows particulares na cidade e várias localidades, entre elas Contagem, Itabira, Ibirité, Alfenas, Peçanha, Felisburgo, Governador Valadares, e outras. Em maio fizemos uma bela apresentação em Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, nas comemorações do aniversário da cidade — continua.

— Nosso repertório consiste basicamente em Choro e Seresta, composições de chorões antigos, incluindo meu pai, mas também tocamos samba, bossa nova, baião, enfim, música brasileira, tudo instrumental. Já passamos por algumas modificações, mas a seis anos estamos com a mesma formação: eu no violão, Fábio Miudinho no cavaquinho, Carlos Roberto, o Carlão, no pandeiro, e Marcos na clarineta — conclui.

O grupo tem muitas participações em disco de outros artistas, mas ainda não gravou CD solo. Para contatá-lo: [email protected]

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