Como o PT contribui para a degeneração do velho Estado

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Como o PT contribui para a degeneração do velho Estado

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Tem sido lugar comum nas páginas de A Nova Democracia a afirmação de que o velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro se encontra em aprofundado processo de apodrecimento. Para tanto, já oferecemos sobejas provas. Diariamente os fatos não apenas confirmam nossa avaliação como escancaram a crise política, social e moral que permeia a degradação do velho Estado.

A ida de Luiz Inácio com seu pupilo Fernando Haddad, candidato petista à prefeitura de São Paulo, à residência de Paulo Maluf para uma sessão de fotos e apertos de mão que sacramentaram sua aliança; os desdobramentos da denominada CPI do Cachoeira, na qual as frações do partido único negociam quem vai para o sacrifício e quem deve ser  salvo a qualquer custo; esses são apenas mais dois capítulos dessa tragicomédia que é a velha democracia dos grandes burgueses e latifundiários contando com o oportunismo como coadjuvante.

Banalizar para não indignar

Os acusadores, ao sabor de suas conveniências, são os primeiros a darem atestado de bons antecedentes aos acusados, pois, para adversários de ontem se transformarem em aliados de hoje basta um almoço no qual se façam planos de como tirarem proveito mútuo em novas investidas contra o povo.

A aliança de Luiz Inácio com Maluf para as próximas eleições de São Paulo é um exemplo patente do que afirmamos. Sim, o mesmo Luiz Inácio, que afirmou existirem no congresso pelo menos trezentos picaretas, e o mesmo Maluf, do qual os petistas derivaram o verbo malufar como sinônimo de roubar. As manifestações de repúdio, desde a pretensa candidata a vice na chapa de Haddad, Luiza Erundina, até militantes de base e simples eleitores não foram capazes de fazer retroceder a atitude da cúpula petista.

Por sinal, o PT tem sido muito generoso em passar atestado de “bons antecedentes” como foi o caso de Sarney, Collor, Kassab e agora Maluf. Os dois últimos, por sinal, com invulgar matreirice souberam extrair dos petistas invejáveis “salamaleques”. Kassab ao ser aplaudido de pé pela cúpula petista em pleno congresso de sua agremiação, pelo simples fato de ter acenado com a possibilidade de fechar uma aliança, e Maluf ao atrair o candidato Haddad e o seu padrinho para dentro de seu bunker e, diante de um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas, trocarem apertos de mão e juntos jurarem amor a São Paulo.

Ao estabelecer um balcão de negócios para ampliar sua base de sustentação no Congresso, exatamente com os picaretas que dantes houvera denunciado, Luiz Inácio deu uma enorme contribuição ao processo degenerativo do velho Estado brasileiro e acelerou a vulgarização da corrupção no país, seja pela negação do mensalão, seja por fechar os olhos para o que acontecia nos ministérios – que foram entregues de “porteira fechada” aos aliados de ocasião. Daí para frente, a cada dia que se passa, a crônica política ocupa mais espaço nas páginas policiais, tratados como fatos corriqueiros com o objetivo de não causarem mais nenhuma indignação nas massas.

O pequeno Al Capone

A afirmação de que as CPIs “terminam em pizza” é também uma forma de vulgarizar a corrupção e a sua não apuração e, mais ainda, a não punição dos verdadeiros culpados pelo roubo aos cofres da nação. Na verdade, se for feita uma pesquisa com os brasileiros para saber o que eles esperam desta e de outras CPIs, é provável que pelo menos 80% afirme que não vão dar em nada.

Se o pequeno Cachoeira foi capaz de ter em sua mão altas personalidades dos três podres poderes da República, imagine se em seu lugar operasse o famoso Al Capone.

Esta permeabilidade do Estado a estas formas de corrupção é uma característica de sua condição semicolonial e semifeudal, fatores determinantes da existência de um capitalismo burocrático, no qual o Estado cumpre papel fundamental na transferência dos recursos da nação para o imperialismo (leia-se transnacionais e oligarquia financeira), e privilégios para a grande burguesia e o latifúndio. O assalto à nação se dá tanto sob as formas legais, como a Lei Kandir* e outras renuncias fiscais, as remessas de lucro, os empréstimos subsidiados com carências a perder de vista e outras mutretas transformadas em lei, como pelos vulgares processos de corrupção não legalizados, mas plenamente tolerados e incorporados à cultura da administração pública do país.

Está mais do que evidente que cada escândalo que surge tem o objetivo de encobrir outros que, de repente, desaparecem das páginas do monopólio de imprensa e caem no esquecimento.

Esta sucessão de denúncias de casos de corrupção e a sua não apuração são apenas  a lógica de um Estado patrimonialista, cujas classes dominantes se digladiam na busca de abocanhar a maior parte do que sobra da exploração imperialista. As eventuais punições têm o desiderato de dar uma aparência de seriedade a instituições já tão desgastadas, que este recurso só expõe mais o seu caráter hipócrita na medida em que os que punem são tão ou mais corruptos quanto os punidos.

Um sistema falido

A falência do Estado é a consequência da falência de um sistema que nos é imposto e que é incapaz de proporcionar as mínimas condições de vida para a maioria do povo, a não ser através de uma pesada descarga de contrapropaganda sobre este povo, capaz de mantê-lo na ignorância e na paralisia. Os arranjos das classes dominantes com o gerenciamento do oportunismo já dão mostras de esgotamento assim como a paciência das massas. Avizinha-se uma nova situação na qual a movimentação das massas abrirá caminho para uma revolução democrática que estabelecerá uma nova política, uma nova economia e uma nova cultura no país. Que cada um busque o seu lugar e o seu papel neste processo.

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*Veja mais sobre isso em Os prejuízos com a Lei Kandir, de Adriano Benayon, publicado em AND º 47, de outubro de 2008.

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