Conformações para a guerra imperialista e agigantamento das massas

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Conformações para a guerra imperialista e agigantamento das massas

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2010 termina como se inicia o ano de 2011: No mais, e no geral, foi um ano marcado pelo rufar dos tambores de um conflito de proporções mundiais que se anuncia a cada provocação do USA aos países que se delineiam como palcos de uma nova guerra de grandes proporções.

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Haiti logo após o terremoto de 2010

Tal desfecho é a única via para um possível rearranjo relativamente duradouro das contradições interimperialistas, agravadas pela crise geral e prolongada de superprodução relativa do capitalismo. Além disso, o ano que passou foi de grandes mobilizações do proletariado e das massas populares pelo mundo, sobretudo na Europa.

Crise aprofunda e capital exige arrochos

Todas as conformações observadas no ano de 2010 para uma inevitável nova grande guerra imperialista foram adiantadas pelo aprofundamento da crise geral dos monopólios, ou seja, a grande crise de superprodução. Depois de estourar com toda força no USA em 2008 e 2009, no ano passado esta crise se manifestou sobretudo nos países europeus, espalhando-se como rastilho de pólvora entre paióis, na forma de crises de crédito e de crises fiscais, castigando eminentemente os elos mais fracos da “União” Europeia, como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, mas também os sistemas bancários das potências Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Diante da absoluta bancarrota de países como Grécia e Irlanda, a Europa do capital aproveitou para transformar estas semicolônias em colônias de fato, subordinadas diretamente às decisões dos chefes das potências europeias. No caso da Irlanda, a subordinação foi mesmo institucionalizada em novembro, por meio da chegada a Dublin do dinheiro da versão europeia do FMI, verdadeiro fundo de penhora da soberania de nações inteiras junto à Alemanha, principal financiadora do dispositivo. O ano virou com grandes possibilidades de o mesmo acontecer em Portugal, na Espanha, na Itália, na Hungria e no Chipre.

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Provocação militar ianque/sul-coreana à Coreia do Norte

No próprio USA a crise se aprofundou mesmo com os vultosos recursos entregues de mão beijada por Obama aos grandes industriais e banqueiros ianques. O desemprego voltou a castigar a população de lá como há tempos não se via. Os índices de pobreza dispararam, e o desemprego de longo prazo bateu recordes. Não obstante, as políticas domésticas de Obama em 2010 favoreceram os ricos e ceifaram mais direitos às classes populares precarizadas. A ofensiva contra os trabalhadores do seu próprio quintal quando a crise apertou foi o complemento óbvio das ofensivas de Obama no exterior no âmbito do processo de repartilha do mundo.

Provocações e conformações para a guerra

E o rufar dos tambores da guerra foi se fazendo ouvir ao longo de 2010 ao passo em que as contradições da economia capitalista se agudizavam e os monopólios debatiam-se em agonia em sua crise insolúvel. Depois de passarem todo o ano provocando a Coréia do Norte, no final de novembro o USA, em conluio com a Coréia do Sul, resolveu acender de vez o pavio de um novo front de agressões, com a marinha sul-coreana exibindo-se empavoada na fronteira marítima mal-resolvida com sua vizinha do norte, inclusive usando artilharia real em um “exercício militar” que tudo indica ter sido encomendado por Obama. Ainda no âmbito dos arranjos entre os blocos de poder para a guerra imperialista, chamou a atenção também em 2010 a assinatura de um abrangente tratado militar — e nuclear — entre a França e a Grã-Bretanha, acerto que foi considerado a “Entente Cordiale do século XXI”, em alusão ao arranjo colonial franco-britânico assinado em 1904 e aos países que se aliaram contra os Impérios Centrais na primeira grande guerra imperialista.

Uma nuance especialmente notória das conformações para a guerra em 2010 foi o reforço da demagogia nuclear, artifício da contrapropaganda imperialista pelo qual as potências pretendem negar às nações sob sua mira o direito de ter tecnologia nuclear para se defender, isso enquanto se esmeram nos acordos entre si e nas pesquisas científicas para aumentarem seu próprio poderio atômico. Neste aspecto, em meados de 2010, Luiz Inácio foi a Teerã a serviço do USA, como comprovou uma carta de Obama ao gerente brasileiro que vazou para a imprensa. O gerente brasileiro foi dar a sua valorosa contribuição à demagogia nuclear seguindo um passo-a-passo que lhe foi enviado diretamente da Casa Branca para a costura de um acordo picareta com Ahmadinejad.

Mas a faceta mais marcante do ano de 2010 foi o retumbante recrudescimento das mobilizações classistas em massa, seja por parte do proletariado, seja protagonizadas pela juventude rebelada, especialmente nos países onde o FMI e seus congêneres impuseram os maiores arrochos de 2010: na Grécia, os protestos contra as medidas antipovo exigidas pela União Europeia foram os mais vigorosos no país dos últimos 20 anos; os trabalhadores portugueses organizaram e levaram a cabo a greve geral com maior adesão no país das últimas duas décadas; os franceses marcharam pelas ruas de Paris em número recorde contra a infame reforma da previdência requisitada pelo capital a Nicolas Sarkozy; na Grã-Bretanha, milhares de estudantes tomaram as rédeas das ações contra os cortes orçamentários pretendidos pelo chefe reacionário David Cameron.

 

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