Cortando o povo

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Cortando o povo

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04.jpg (275×379) Agora, uma presidente. Muda alguma coisa importante no Brasil? Nada. A Sra. Dilma já mostrou a que veio. Fez elevar as taxas de juros e sinaliza mais privatizações. Determina cortes no orçamento federal para pagar mais juros da dívida pública, cujo “serviço” (juros e amortizações) é privilegiado no Orçamento através de dispositivo inserido, fraudulentamente, na Constituição de 1988.

2 Assim, de 1989 a 2010, o País já atirou pelo ralo 6 trilhões de reais (em valores monetários atualizados). Alguém já imaginou o que é isso? São doze zeros antes da vírgula: R$ 6.000.000.000.000,00.

3 Como sempre, difunde-se aos quatro ventos a mentira surrada, de que os juros são mantidos altos e, ainda por cima, aumentados, porque isso faria conter a inflação.

4 Já expliquei, em muitos artigos, por que a elevação dos juros resulta em maior, e não, menor inflação.

Além disso, os juros altos agravam os defeitos estruturais da economia. Para mostrar isso mais uma vez, está sendo republicado um artigo de 2008.

5Quando é que se vai deixar de tentar fugir à realidade? Fugir mesmo é impossível, e quem tenta só faz se alienar. Aí vão juntas a alienação política e a alienação mental, característica da demência. Justamente por isso, todo o sistema de formação de opinião no Brasil, operado pela grande mídia (TV, jornalões, revistas de todo tipo etc.), funciona, sem parar, a fim de tornar dementes os brasileiros.

6 Desse modo, os concentradores do poder financeiro mundial garantem seus objetivos: fazer do Brasil cada vez mais uma estupenda zona livre de extração de recursos naturais, dependente de tecnologias controladas por empresas estrangeiras. E cada vez mais indefeso, sob todos os aspectos: cultural, econômico, político e militar.

7 Leonel Brizola dizia, à época dos governos militares, que a função destes era segurar a vaca (figuradamente o Brasil) para as empresas multinacionais extraírem o leite dela.

8Após a grande ilusão das “diretas-já”, o poder econômico concentrador, que tem regido as instituições políticas no Brasil, aperfeiçoou o mecanismo: em vez de controlar a vaca à força, passou a hipnotizá-la, especialmente com a desinformação.

9 Com isso e com a corrupção de atacado, e as eleições movidas a grana, além de pela mídia, a oligarquia imperial pôs a seu serviço os presidentes eleitos “democraticamente”. Collor e FHC superaram os recordes brasileiro e mundial de entrega do patrimônio nacional, fazendo ademais o País pagar – e pagar muitíssimo – para entregá-lo.

10 Os últimos oito anos e o início de 2011, confirmam, mais uma vez, a continuidade do processo de destruição do Brasil e que esse processo é planejado. FHC foi recrutado aí por 1969/1970, com vultosa doação de fundação norte-americana ao “centro de estudos” dele. Lula e o PT surgiram de maquinações durante a “transição” no início dos anos 80, dirigidas por serviços secretos estrangeiros.

11 Ora, o desenvolvimento dos desequilíbrios está assegurado não só pela estrutura econômica, praticamente toda nas mãos de transnacionais, como pela dinâmica da dívida. Aquela estrutura leva inexoravelmente a déficits nas transações correntes com o exterior, cujo financiamento acumulado é a fonte da dívida externa.

12 Quando essa não cresce, é a dívida interna que vai para as nuvens, realimentada pelos juros mais altos do mundo pagos pelos títulos públicos brasileiros, sem qualquer razão que o justifique. Daí resultou a cifra apontada no início deste artigo, superior a 6 trilhões de reais.

13 Outra fonte de atraso para o País decorre do baixíssimo nível quantitativo e qualitativo do investimento público. Fala-se muito do crescimento da economia chinesa, mas poucas vezes lembra-se que o governo chinês investe anualmente o equivalente a quase 20% do PIB, enquanto, no Brasil, o governo federal não investe mais que 1% do PIB.

14 Se o investimento público já tem sido miserável, e isso há mais de trinta anos, que faz o governo que se diz dos trabalhadores? Corta inclusive o já pífio investimento, além de outros gastos. A tesourada noticiada, da ordem de R$ 50 bilhões, seria para “reverter a aceleração da inflação este ano”, segundo os enganadores ministeriais, repetidos pelos jornalões.  

15 Radicalizando também a perda qualitativa, os cortes atingem a educação básica, a reestruturação das redes de ensino profissional e as pesquisas em ciência e tecnologia, além de unidades especializadas em saúde.

16 Também, como se o Brasil já não estivesse à mercê da IV Frota dos EUA, trafegando à vontade diante de nossas costas, e das bases militares dos EUA disseminadas por toda a América do Sul, a proposta orçamentária retira recursos de programas de defesa, inclusive os de positivo impacto tecnológico para a indústria, como a construção do submarino de propulsão nuclear. Essa construção já teria sido concluída há mais de vinte anos, não fosse a continuidade da política entreguista.

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*Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. [email protected]


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