Corumbiara, Rondônia: Camponeses retomam a fazenda Santa Elina

https://anovademocracia.com.br/43/12.jpg
https://anovademocracia.com.br/43/12.jpg

Corumbiara, Rondônia: Camponeses retomam a fazenda Santa Elina

Print Friendly, PDF & Email

Uma histórica retomada de terras ocorreu recentemente em Corumbiara. A Fazenda Santa Elina, palco de um dos maiores conflitos pela posse da terra na história de nosso país foi retomada pelos camponeses. As famílias sobreviventes daquele que ficou conhecido como o "massacre de Corumbiara" cumpriram a palavra empenhada, há quase 13 anos, de voltar para Santa Elina e conquistar a terra pela qual sempre lutaram.

https://anovademocracia.com.br/http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/43/12-4ae.jpg
Vítimas de Santa Elina acampadas em Brasília

Um comunicado do Codevise — Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina — anunciou a recente retomada das terras da Santa Elina por mais de 100 famílias camponesas. A tomada do latifúndio ocorreu no dia 11 de maio último e a notícia tem se espalhado como um rastilho de pólvora por todo o estado de Rondônia, atraindo centenas de famílias remanescentes da luta de 1995 e outras novas.

As terras da Santa Elina são uma reivindicação histórica dos camponeses pobres de Rondônia. A decisão pela sua retomada aconteceu desde a batalha de 9 de Agosto de 1995, quando as tropas para-militares compostas por policiais e bandos de pistoleiros, a mando do então governador do estado Valdir Raupp e do latifundiário Antenor Duarte, atacaram as 600 famílias que ocupavam a área. O que impediu um massacre de maior proporção foi a organização e resistência das famílias que recordam o fato no comunicado:

"Resistimos como pudemos com foices, motos-serra e pedaços de pau, mas após termos sido dominados, assistimos execuções sumárias e sofremos inúmeras torturas. Neste fato que teve repercussão internacional foram assassinados 9 de nossos companheiros, incluindo a pequena Vanessa de 7 anos de idade, vários desaparecidos, além de mutilados e outras sequelas físicas e psicológicas."

Basta de promessas

Logo após o massacre, Luiz Inácio, então candidato à presidência da república, visitou a fazenda Santa Elina e prometeu àquelas famílias que "se um dia fosse eleito" faria justiça, indenizaria as famílias e entregaria aquelas terras.

https://anovademocracia.com.br/http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/43/12b-e86.jpg
Luiz Inácio, dias após o massacre, promete indenizar famílias quando fosse presidente

No mês de agosto de 2007, com o apoio da Liga dos Camponeses Pobres, o Codevise organizou uma comitiva que foi até Brasília cobrar o cumprimento da promessa. Luiz Inácio sequer se dignificou a receber as famílias para as quais prometeu terra e justiça. Na ocasião, a Comissão Especial de Direitos Humanos e o ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi prometeram a solução das reivindicações dos camponeses em um prazo de dois meses. Alguns dias depois o ministro se dirigiu a Rondônia e se reuniu na sede do Incra com as "autoridades" do estado. Nenhuma das promessas da gerência FMI-PT foi cumprida e até hoje as famílias seguem exigindo as indenizações, o corte da fazenda Santa Elina e a distribuição das suas terras para as famílias.

Chega de esperar

Reproduzimos trecho do comunicado do Codevise:

"Cansamos de ver nossos companheiros aleijados por balas, nossos filhos com olhos queimados por gás lacrimogêneo, não acreditamos mais em falsas promessas. Entramos na fazenda Santa Elina e já estamos em mais de 100 famílias, a cada hora chega mais. Queremos saber agora qual a providência que os governos estadual e federal irão tomar. Mandar a polícia com pistoleiros nos massacrar como fez em 1995?

A imagem “https://anovademocracia.com.br/http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/43/12c-d50.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
1995, primeiro acampamento

Qualquer coisa que venha a acontecer às famílias será de responsabilidade da Comissão de Direitos Humanos, do ministro Vannuchi, do governador Ivo Cassol e do presidente Lula. Até hoje nossos direitos vêm sendo desrespeitados.

A fazenda Santa Elina é um símbolo do massacre de trabalhadores no Brasil e seu corte significará um novo horizonte diante de tantas injustiças e massacres feitos pelo latifúndio em nosso país. Nada nos fará desistir dela, vamos cortá-la custe o que custar."

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: