Crise geral: pobreza, repressão e provocações

Crise geral: pobreza, repressão e provocações

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Em todo o mundo, agrava-se a crise geral dos monopólios e aprofundam-se as contradições entre as classes sociais. Os sinais de putrefação do capitalismo são claros: pobreza recorde na Europa, desemprego recorde na zona do euro. Na Grécia castigada pelo arrocho imposto pelo capital financeiro o desemprego entre os jovens atinge a marca de 48%.

A situação é dramática também na Espanha, onde o desemprego é o maior da União Europeia e já atinge 22,9% da população – o que significa mais de cinco milhões de pessoas procurando trabalho, o maior número desde 1996. Lá, o drama do povo pode ser dimensionado à luz dos números de janeiro deste ano sobre o mercado de trabalho no país.

Em janeiro último, desapareceram na Espanha espantosos 177.470 postos de trabalho, ou nada menos do que 9.000 novos desempregados a cada 24 horas entre o primeiro e o último dias do primeiro mês do ano.

Nove mil empregos destruídos diariamente pela economia capitalista em crise em uma única nação – uma nação europeia onde há matrizes de várias transnacionais.

Veja um exemplo de como o capitalismo na verdade se afunda cada vez mais a cada espasmo de moribundo, cada vez que faz um movimento para ganhar alguma sobrevida:

Com o desemprego galopante, o número de contribuintes da seguridade social na Espanha está no nível mais baixo desde 2005, o que já levou “autoridades” espanholas a anunciarem que as aposentadorias dos trabalhadores estão “em risco” e a cacarejarem o imperativo de mais uma “inevitável” contrarreforma da previdência para garfar os trabalhadores, o que tende a reduzir o consumo, a produção e, no fim das contas, o próprio emprego, levando menos pessoas ainda a contribuírem para a seguridade social, em um círculo vicioso exemplar da irracionalidade do sistema de exploração do homem pelo homem.

A situação na Espanha é tão degradante que muitos trabalhadores estão optando por omitir suas qualificações e experiência profissional em seus currículos a fim de melhorarem suas chances de ficar com as vagas que ainda existem no país: as de subempregos, ou, como gostam dizer os especialistas em “gestão de pessoas”, de empregos de “baixa qualificação”.  

  

Provocações e mais provocações

Segundo uma pesquisa realizada pelas consultorias Adecco e Manpower em conjunto com sindicatos da Espanha, 10% dos desempregados que saem todos os dias para procurar trabalho levam consigo currículos profissionais com dados ocultados a fim de aumentarem suas chances de preencher vagas disponíveis de “baixa qualificação”.

Enquanto isso, sucedem-se as infames provocações dirigidas ao povo trabalhador por parte dos artífices do arrocho geral e dos seus executivos locais das políticas antipovo. Na própria Espanha, a ministra do Trabalho, Fatima Banez, atreveu-se a dizer que a contrarreforma de “flexibilização” das leis trabalhistas implementada pela gerência de Mariano Rajoy, que inclui a redução das indenizações por demissão, na verdade “protege os direitos do trabalhador”.

Em Portugal, nação vizinha da Espanha onde o povo não padece menos sob o arrocho exigido pela União Europeia, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho disse que para o país sair da crise é preciso que os portugueses sejam “menos preguiçosos” e “mais competitivos”, e menos “piegas” em relação às medidas de austeridade. Logo ele, que segundo a crônica jornalística portuguesa só começou a trabalhar aos 37 anos de idade. O mesmo Passos Coelho já havia sugerido aos professores – categoria muito combativa em Portugal – que estão desempregados que vão procurar emprego no Brasil ou em Angola.

Já o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, disse que se os trabalhadores do país quiserem manter seus direitos e seu padrão de vida a idade para a aposentadoria dos suecos vai ter que subir de 67 para 75 anos de idade.

Na Grécia, o primeiro-ministro colocado lá pelo FMI e pelo Banco Central Europeu, Lucas Papademos, tentou justificar a feroz repressão ao povo insubordinado em franca e aberta luta em defesa dos seus direitos e da soberania da nação grega – luta que o monopólio internacional dos meios de comunicação classifica como “selvageria” e “vandalismo” – dizendo que “a violência e a destruição não têm lugar em uma democracia”. A penhora do país e a cassação sumária de direitos historicamente conquistados pela luta proletária por certo se enquadram na estirpe de “democracia”, a burguesa, da qual o senhor Papademos ora sai em defesa.

Mas o proletariado de todo o mundo vem dando mostras de que não se furtará a cumprir seu papel de protagonista do processo revolucionário que relegará a burguesia, seus lacaios e suas provocações à lata de lixo da história.

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