Crise geral também acossa imprensa burguesa

Crise geral também acossa imprensa burguesa

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A imprensa internacional dita “de referência”, bem como os braços nacionais e regionais do monopólio dos meios de comunicação, é controlada por grandes conglomerados econômicos. Esses muitas vezes nutrem interrelações acionárias com grupos industriais monopolistas de outros ramos – como, por exemplo, o de armas e do capital financeiro. Como se vê, tratam-se de empresas capitalistas como outras quaisquer.

Como tal, o monopólio dos “conglomerados de mídia” está com a corda no pescoço, como a generalidade dos grandes grupos econômicos transnacionais, ora agonizantes em meio à crise geral que acomete o capitalismo em sua fase de putrefação. A forte reação que se vê nas páginas e nos telejornais da TV e dos jornais burgueses são, em parte, vocação e função de pregoeiras das políticas antipovo nos quatro cantos do planeta, e são, em outra parte, sintomas dos seus próprios espasmos de moribundo.

Os sinais estão por toda parte. Em artigo publicado recentemente naquele que talvez seja o grande bastião da imprensa burguesa mundial, o jornal ianque The New York Times, o jornalista David Carr dá conta da agonia desta atividade que visa o lucro e a retroalimentação do capitalismo bradando em nome da “qualidade do jornalismo” (Leia-se: perpetuação dos bons serviços prestados pela imprensa burguesa ao sistema de exploração do homem pelo homem).

“Entre fiascos operacionais e as fracassadas tentativas de reduzir custos de uma hora para outra, está claro que o negócio dos jornais impressos, que teme há 15 anos uma crise cada vez mais próxima, luta para se manter na superfície”.

Ele cita exemplos da agonia, como o fato de que reportagens publicadas recentemente em jornais “importantes” do USA, como o Chicago Tribune, o Chicago Sun-Times, o San Francisco Chronicle ou o Houston Chronicle, foram escritas nas Filipinas por jornalistas terceirizados.

Linha reacionária mais nítida que nunca

Na Espanha, nada menos do que 57 veículos de imprensa fecharam as portas nos últimos quatro anos. O país é um dos paióis da vez da crise geral que se espalha como um rastilho de pólvora, e cujos trabalhadores ora vêm sendo castigados pelo desemprego e por um draconiano arrocho arquitetado pela Europa do capital monopolista e pelo FMI em conluio com a gerência títere de Madri (ver página 15).

Após anunciar que hoje existe o número recorde de 11 mil profissionais de imprensa inscritos nos centros de emprego de toda a Espanha, a Federação de Associações da Imprensa Espanhola cacarejou que “sem imprensa não há democracia”. Ora, os jornalistas que arvoram-se guardiões da “democracia” burguesa, quando o cinto lhes aperta, são os mesmos que, empregados, ajudam seus patrões a respaldar a grande contra-ofensiva antipovo em curso no capitalismo em crise, seja nos editoriais, seja no próprio noticiário, onde defendem os arrochos e difamam a luta do povo contra a destruição dos direitos e salários.

No Brasil, onde a todo momento também aparece alguém para lembrar que “sem imprensa [burguesa] não há democracia [burguesa]”, no início de julho circulou a notícia de que grupos como o Folha da Manhã (que publica o jornal Folha de S.Paulo) e Band estão demitindo jornalistas. Só no ano passado, em 2011, a TV Cultura demitiu 150 profissionais e a emissora Record outros 246. A maioria das dispensas foi motivada por cortes orçamentários e reestruturações que chegaram também aos grandes grupos privados ou entranhados no velho Estado.

É importante notar que o fato de a crise geral acossar a imprensa burguesa internacional tem um elemento a mais do que a simples constatação de que esta imprensa é uma empresa capitalista como outra qualquer e, portanto, agoniza também. Muito da brutal queda de vendas dos jornais diários e das revistas “generalistas” editadas por grandes grupos econômicos capitalistas têm a ver com a sua linha editorial reacionária, comprometida tão somente com o sistema de exploração do homem pelo homem – linha antipovo que, em horas da verdade como a dos tempos que correm, de acirramento da luta de classes, fica tão clara que até os mais iludidos com a patranha da “imprensa livre” e da “neutralidade jornalística” podem perceber.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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