Deslizamentos nas favelas de Niterói: “A maioria das pessoas não recebeu nada ainda”

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Deslizamentos nas favelas de Niterói: “A maioria das pessoas não recebeu nada ainda”

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Quase quatro meses depois das chuvas que castigaram o Rio de Janeiro, principalmente as regiões mais pobres, as pessoas que tiveram suas casas atingidas por deslizamentos de terra seguem entregues ao abandono, sem abrigo, sem as mínimas condições de sobrevivência, além de muitos que perderam familiares e amigos.

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Em Niterói, moradores dos morros do Bumba e do Céu, os dois mais atingidos do município, realizaram um protesto no dia 30 de junho em frente à prefeitura. Segundo os moradores, muitas pessoas ainda estão desabrigadas, outras estão vivendo em condições precárias em escolas públicas e quartéis do exército e muitas não receberam nem ao menos o famigerado aluguel social. Outros que receberam os cheques, dizem que continuam morando em abrigos, pois os locadores desconfiam do aluguel social e não alugam imóveis para vítimas das chuvas. É o caso de Veridiana Fonseca, de 39 anos, que está abrigada com três filhos e dois netos na 3ª Brigada de Infantaria do Exército, em São Gonçalo (município vizinho de Niterói).

— Se eles [locadores] sabem que é aluguel social, não alugam. Porque, assim como a gente, eles não sabem se esse aluguel vai continuar sendo pago por muito tempo — conta Verdiana.

Abrigada no mesmo quartel com o marido e três filhos, a merendeira Cristina Silva, de 33 anos, diz que recebeu o aluguel social, mas em dois meses de procura, não encontrou um locador disposto a alugar-lhe um local.

— A gente vai ter que sair [do abrigo] dentro de um mês. Se eu não arrumei casa para alugar nesses três meses, como é que eu vou arrumar uma casa em um mês? Vou acabar tendo que voltar para minha casa — lamenta.

Outros já voltaram para casa, mesmo sabendo do risco de novos deslizamentos. É o caso da pensionista Ivanir Figueira Neves, de 64 anos, que retornou para a sua casa no morro do Céu, mesmo com a interdição da Defesa Civil. Desde então, ela vive à beira de um precipício que se formou após o desastre.

— Eu não tenho para onde ir. Não tenho condições. Estou no maior perigo aqui. Quando chove, não durmo. Saio de casa e fico no quintal, rodando igual a uma doida — conta a senhora.

A presidente da associação de moradores do morro do Bumba, Norma Sueli Pacheco diz que essas pessoas estão sendo vítimas do descaso do Estado em assisti-las e estão vivendo em abrigos e em áreas de risco por não terem outra opção.

— A maioria das pessoas não recebeu nada ainda e elas não têm para onde ir. Deram o auto de interdição e não fizeram mais nada. No começo, o prefeito [Jorge Roberto da Silveira] estava fazendo reunião de 10 em 10 dias e depois parou. Não temos solução e nem o que falar para a comunidade. Falaram que iam nos ajudar, mas ainda tem pessoas em abrigos, em condições precárias — protesta.

Enquanto isso, a prefeitura de Niterói anunciou a construção de uma torre panorâmica de 60 metros de altura no Caminho de Niemeyer que custará aos cofres públicos 20 milhões de reais. A obra fez com que o Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas e Comunidades de Niterói promovesse nova manifestação no dia 7 de julho em frente ao prédio da prefeitura.

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