Desmanche na educação em Rondônia

Desmanche na educação em Rondônia

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Estudantes secundaristas protestam contra falta de professores.

Depois de dois meses de greve dos profissionais da educação de Rondônia, a luta segue, apesar do fim prematuro da paralisação empurrado goela abaixo aos trabalhadores pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Rondônia. A revolta da categoria e de outros setores em luta só cresce a cada dia. Dessa vez, em mais uma manobra para atingir a meta demagógica da gerente Dilma de “universalizar” a educação para a população de 4 a 17 anos até 2016, o governador Confúcio Moura (PMDB) aprovou o projeto Ensino com Mediação Tecnológica, que acaba com 102 turmas de 2º grau na área rural, onde os professores serão substituídos por teleaulas aplicadas à distância, ministradas por profissionais em Porto Velho.

A aprovação do projeto na calada da noite revoltou a categoria, já que o texto prevê, entre outros absurdos, que um professor de cada matéria gravará as aulas que serão enviadas via satélite às áreas rurais. As dúvidas dos milhares de alunos serão esclarecidas em um rodízio: a cada aula, só uma turma falará com o educador. Com isso, os alunos terão contato presencial com seus professores somente uma ou duas vezes por ano. No total, 3 mil alunos de áreas rurais serão vítimas de mais esse crime contra a educação pública.

Projetos do tipo já foram aprovados no Piauí, Minas Gerais, Amazonas, Tocantins, entre outros estados. O cumprimento dessa meta de universalização da educação é, claramente, uma estratégia do gerenciamento Dilma para as campanhas eleitorais do ano que vem e de 2016. Com isso, as poucas escolas que atendem a população camponesa são sucateadas “até o caroço” enquanto é criada a ilusão de que “todas as crianças estão na escola”.

Selecionamos um trecho da carta divulgada em panfleto e pela internet pelo Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate) e pela Escola Popular, repudiando veemente a execução desse crime contra a educação pública.

“Neste projeto de teleurso está previsto o ensino de “Noções Básicas de Agroecologia e Zootecnia”! Impossível este aprendizado ter qualidade entre 4 paredes, sem aulas em roças, num curral, granja ou floresta. Desde os anos 90 o Banco Mundial propõe a educação à distância como modelo para os países do 3º mundo, como nós. Este programa absurdo está sendo implantado pelo governo Confúcio Moura (PMDB) e sem nenhuma consulta aos camponeses e diversos movimentos populares. A deputada mensaleira Epifânia/PT teve a cara de pau de convocar uma Audiência Pública depois que o programa já estava aprovado. A CUT em Rondônia e o Sintero também são responsáveis, pois João Ramão, representante deles no Conselho Estadual de Educação, permitiu sua aprovação. Ele ficou com o projeto durante um ano, debateu-o exaustivamente com a diretoria do Sintero e terminou dando um parecer favorável. Mas já era de se esperar, pois a diretoria do sindicato de professores jogou sujo durante a greve de 2013, manobrou de toda forma e encerrou-a sem conquistas. Jogaram fora 2 meses de paralisação e contribuíram para semear a ideia de que lutar não resolve nada.”

Estudantes de Rolim de Moura exigem respeito

Na tarde do dia 26 de novembro, estudantes da Escola Estadual Cândido Portinari realizaram um combativo protesto contra a falta de professores e a precária situação na qual se encontra essa que é uma das mais antigas escolas do município. Segundo alunos e funcionários, as salas são muito quentes, faltam recursos humanos e, depois de uma reunião com pais e funcionários, teria sido anunciada a transferência de vários alunos para outras escolas.

O governo diz que todas as salas foram climatizadas, só se for o clima do deserto do Saara! O ar-condicionado de parte das salas foi fruto de nossa luta e mobilização de dois anos atrás, mas o que o governo Confúcio fez? Colocou meia dúzia de aparelhos em todas as escolas. Se fizerem um levantamento, vão ver que todas as escolas têm salas sem ar-condicionado, sem ventilador. Agora querem que a escola compre o que falta com o dinheiro de aluguel de cantina. Isso é privatização do ensino — denunciou uma estudante do 3º ano do Ensino Médio.

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