Destruição da cultura do Iraque pelo imperialismo

72/19d.jpg
72/19d.jpg

Destruição da cultura do Iraque pelo imperialismo

Print Friendly, PDF & Email
http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/72/19d-f1a.jpg
Monumento arquiterônico do Iraque é desrespeitado por militares ianques

Para aqueles que são informados unicamente pela imprensa do imperialismo, a notícia da retirada de parte do exército genocida do USA do território iraquiano soará apenas como mais uma notícia. Mas para quem busca a verdade nos fatos,  é um momento oportuno para lembrar da destruição total — material e cultural — de um dos mais importantes patrimônios históricos e arqueológicos da humanidade: o Iraque. Um país do Oriente Médio, berço de uma cultura milenar, que cometeu o “pecado” de possuir também no seu subsolo o ouro negro do petróleo, alvo da cobiça capitalista e de não se render à agressão imperialista.

As agressões militares dos ianques em todo o mundo se processam sob os mais variados disfarces, principalmente o combate a um suposto “terrorismo” , mas na verdade com o propósito único de assaltar os países que possuem valiosas jazidas de petróleo e outros minerais, matérias-primas, biodiversidade e força de trabalho.

Vale lembrar que somente depois da segunda grande guerra imperialista, alavancados pelo objetivo de impor sua ideologia, o domínio militar, econômico, político e cultural, os ianques promoveram intervenções militares e/ou políticas diretas nos seguintes países: China (1945); Grécia (1947); Coréia (1950); Irã (1953); Guatemala (1954); Congo, Cuba e Vietnã (1959 e 1961);  República Dominicana (1965); Chile (1973); Irã (1980); Granada (1983); Libia (1986); Panamá (1989); Kuwait e Iraque (1991); Somália (1992); Haiti (1994 e 2004); Iugoslávia (1995 e 1999); Afeganistão e novamente Iraque (2001). Isto sem contar com inúmeras intervenções  indiretas apoiando golpes de estado civis e militares através de volumosos aportes financeiros, fornecimento de armas e instruções militares, espionagem e apoio logístico, como foi o caso da famigerada Operação Condor, responsável  pelos golpes no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e outros países da América do Sul e Central.

Especificamente no caso do Iraque, o pretexto para a invasão ianque, seguida de outros países em pugna pelo butim, foi a acusação que o USA fez na ONU de que Sadam Hussein, presidente iraquiano na época, estava fabricando e estocando “armas de destruição em massa” , pondo em perigo a paz mundial, quando na verdade isto nunca foi provado. Pelo contrário, o que ficou comprovado foi que Sadam Hussein nunca possuiu qualquer dessas armas.

O fato é que o Iraque foi covardemente invadido e destruído sem que nada tivesse sido provado, e as marcas da violência lá estão gravadas para sempre. Nestes 7 anos de invasão, centenas de milhares de iraquianos foram assassinados. A resistência do indômito povo iraquiano fez com que milhares de soldados ianques e de outros países, bem como mercenários recrutados pelas forças invasoras, voltassem para suas casas devidamente embrulhados em sacos plásticos.

Enquanto pelo lado do Iraque, foram assassinadas cerca de 1 milhão e 300 mil pessoas da população civil, entre jovens, crianças, mulheres e idosos e cerca de 3 milhões de pessoas (10% da população) ficaram mutiladas e sem poder trabalhar, passando a viver com a mísera quantia equivalente a 68 reais por mês.

Para pagar a conta de 666 bilhões de dólares que custou essa chacina até agora, desde 2008, as gigantescas corporações petrolíferas ocidentais (principalmente ianques) voltaram a explorar as reservas petrolíferas do Iraque, agora livres de concorrência.

A par da exploração petrolífera, a invasão do Iraque proporcionou outro grande negócio para os empresários ianques: a reconstrução daquilo que eles mesmos destruíram. Escolas, hospitais, edifícios públicos, casas e edifícios residenciais, aeroportos, etc., obras contratadas pelo governo americano, sem licitação e fiscalização de nenhuma espécie. Já em 2003 uma única empresa conseguiu um contrato de 600 milhões de dólares para exploração de petróleo e para 8 projetos de reconstrução. Mais tarde, em 2007, estoura o escândalo, denunciado pelo diário New York Times: após passar por uma fiscalização descobriu-se que dos 8 projetos, 7 não tinham condições mínimas de funcionamento e foram abandonados.

O que dizer então do crime lesa-humanidade cometido contra o Iraque após a invasão, quando todo o patrimônio cultural, um dos acervos mais ricos e antigos do mundo, foi irremediavelmente destruído por bombardeios e saques de todo tipo, sem qualquer respeito por um patrimônio cultural de milhares de anos e que nunca mais poderá ser recuperado. Foram arrasados prédios e monumentos, roubados milhares de peças de arte, produzidos danos graves e irreparáveis em jazidas arqueológicas, sendo que em algumas delas o saque foi em escala industrial e apoiado por comerciantes de arte do USA e Europa.

O exército construiu bases militares em cima das ruínas da antiga Babilônia. Foram utilizadas máquinas pesadas para a construção de aeroportos militares e depósitos de combustível. Foram cavadas valas profundas e colocadas estacas para estacionamento de veículos militares junto a um enorme teatro grego, um monumento histórico da arquitetura iraquiana, construído pelo imperador Constantino.

Do Museu Nacional de Bagdá, que continha peças valiosíssimas da antiga Mesopotâmia — região considerada como berço da civilização — onde surgiram as primeiras cidades, o primeiro alfabeto e o primeiro código jurídico, foram saqueados cerca de 170 mil objetos de arte datados de 3.500 A.C., inclusive estátuas que, devido ao seu tamanho, tiveram as cabeças serradas pelos saqueadores. As peças roubadas foram negociadas em várias partes do mundo, principalmente no USA e França.

Além da destruição de bens históricos e arqueológicos, deve-se somar o assassinato de centenas de cientistas e intelectuais que se constituíam num “perigo” para as forças invasoras, o que se traduz na mortandade e desaparecimento de mais de 3.500 cientistas e técnicos, excluindo-se um elevado número dos que conseguiram fugir e exilar-se em outros países.

O que se viu nos anos que se seguiram é o que hoje o mundo inteiro sabe: os  ianques se encarregaram de destruir a história e o patrimônio cultural de uma civilização milenar para roubar sua maior riqueza mineral e inviabilizar social e economicamente o país.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: