EDITORIAL – Mobilizemo-nos!

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A tragédia anunciada das chuvas, que se repete ano após ano, abateu-se desta vez sobre o litoral norte de São Paulo.

Não é à natureza, mas à miséria de nossa sociedade, que lança milhares e milhões de trabalhadores para os piores grotões das cidades a fim de ter onde morar, que se deve culpar pelo rastro de destruição e mortes, e denunciar os criminosos que os causa. De fato, com a escalada inflacionária – que repercute no preço dos alimentos e dos alugueis –, do desemprego e do desmonte de qualquer rede de assistência social, os trabalhadores devem a cada mês escolher entre comer ou morar. O resultado desta realidade cruel se nota ao caminhar nas ruas, ao nos depararmos com um crescente exército de desamparados. O infame aumento de R$18 no salário mínimo (R$ 1.302,00 para R$ 1.320,00), anunciado pelo governo federal, em nada alterará esta situação.

Mas não é apenas neste terreno em que observamos a profunda degradação social a que somos submetidos. Mal o ano se iniciou e, no campo, seguem ocorrendo a todo vapor a repressão e o assassinato daqueles que lutam pela terra. Nos dias em que a opinião pública era apresentada ao genocídio do povo Yanomami, em Roraima, ocorria nova chacina na Área Tiago dos Santos, em Rondônia. E, no caso do garimpo ilegal, é preciso sublinhar que a maioria absoluta dos seus agentes são camponeses pobres, expulsos das suas terras, que veem na falsa promessa do ouro a única chance de “subir na vida”. Quem enriquece com a destruição que esta atividade perpetra não está na mata, sujeito à pobreza e à malária: são os grandes comerciantes e atravessadores (muitos dos quais têm antigas ligações com os generais, que sempre mantiveram estrita presença naquela região), cujos negócios têm por destino corporações transnacionais na Europa e no Estados Unidos. A base comum desta catástrofe é a concentração e o monopólio da terra nas mãos de um punhado de parasitas da Nação, sobre o qual nem o governo do senhor Luiz Inácio nem os monopólios de imprensa e seus escribas “analistas políticos” fazem qualquer menção, senão que acobertam o açambarcamento das terras da União e enaltece os latifundiários como a “indústria riqueza do Brasil”.

Nas metrópoles, aumentam as passagens dos transportes públicos, a pressão sobre o sistema de saúde em colapso, a delinquência forçada pela absoluta falta de perspectivas para a juventude pobre. Da parte dos governos estaduais, qualquer que seja o partido que os gerencie, a Polícia é apresentada como única solução. As barbaridades cometidas por agentes da repressão se sucedem, encorajadas pela certeza da impunidade. Em 2021, Jacarezinho; em 2022, Complexo do Alemão. Em 2023, onde será a operação policial mais assassina da história?

O desmonte da educação pública persiste. Embora tenha sido anunciado o reajuste das bolsas de pós-graduação e a realização de novos concursos, isto toca apenas a superfície da questão. Sem um autêntico desenvolvimento nacional, a pesquisa no País é letra morta. Até hoje, para ficar em apenas um exemplo, passados três anos do início da pandemia, não há uma vacina 100% brasileira para a Covid-19. Nas escolas, o “Novo Ensino Médio” ampliará o abismo entre o ensino público e o privado, interditando à juventude pobre o acesso ao conhecimento científico e fechando-lhe (ainda mais) as portas das universidades aos filhos e filhas do povo.

Diante deste cenário, não cabe outra coisa senão: Mobilizarmo-nos! É o que têm feito, neste mês, os enfermeiros, os metroviários, os professores, os camponeses pobres na luta pela terra. Se falta moradia, é justo ocupar um prédio desabitado; se falta pão, é justo tomar as terras do latifúndio; se falta educação de qualidade, ou transporte público decente, é justo protestar, a rebelião se justifica! O Brasil novo não nascerá das urnas, como demonstra a nossa história política, como comprovam as últimas décadas, mas da mobilização independente e combativa dos trabalhadores do campo e da cidade.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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