Eleições no Nepal dão vitória aos Maoístas

Eleições no Nepal dão vitória aos Maoístas

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As eleições realizadas no último dia 10 de abril, para escolher os representantes que irão compor a Assembléia Nacional Constituinte do Nepal, deram folgada maioria ao PCN-M (Partido Comunista do Nepal — Maoísta). Foi eleito inclusive o presidente do partido, Pushpa Kamal Dahal, o Presidente Prachanda. Das 210 cadeiras apuradas até o dia 17 de abril, os maoístas ficaram com 119, seguidos pelo Congresso Nepalês (dochefe do governo interino Koirala), com 34 e o revisionista Partido Comunista do Nepal — Marxista-leninista, com 31.  O sistema eleitoral é complexo; das mais de 600 cadeiras, apenas 240 constituintes serão eleitos pelo voto majoritário, 335 pelo sistema proporcional e as 26 restantes serão nomeados pelo governo.

Em 2006 o PCN-M estabeleceu um acordo com os 7 partidos parlamentares com vistas à suspensão da luta armada, à composição de um governo de coalizão e à convocação da Assembléia Nacional constituinte, com a finalidade de derrubar a monarquia, destruir o Estado reacionário e estabelecer a república democrática.

Neste período a eleição para a constituinte foi sendo protelada e isto propiciou a saída do PCN-M do governo, com a ameaça de retomar a luta armada. Por fim, um novo acordo trouxe de volta os maoístas ao governo e a garantia de convocação das eleições. Apesar de todas as manobras da monarquia o apoio ou vacilações dos partidos legais, da sabotagem dos revisionistas do UML e das maquinações do imperialismo ianque coordenadas pela embaixada em Katmandu e do expansionismo indiano.

Esta vitória eleitoral dos maoístas é a demonstração cabal de que a imensa maioria do povo do Nepal quer transformações radicais da sociedade e acredita que o só o PCN-M tem o programa e compromisso para isto. A vitória também mostra que a sede de justiça do povo nepalês, que suporta um regime autocrático feudal, submetia a maioria da população, as minorias nacionais e as mulheres principalmente, às piores condições de exploração e existência. O que ficou evidente com a adesão recente e relativamente rápida das massas à guerra popular dirigida pelo PCN-M, que em dez anos — 1996 a 2006 — chegou a dominar 80% do país. Ademais, a confiança das massas nos maoístas se explica também pela aplicação do programa de Nova Democracia nas áreas controladas pelo Partido nos anos de guerra.

Por outro lado é grande a expectativa popular com relação ao caráter de classe da Assembléia Constituinte, se dela surgirá um Estado de Nova Democracia ou se permanecerão as estruturas do velho Estado feudal.
Logicamente as massas cobrarão da nova constituinte que dê encaminhamento aos principais pleitos formulados na guerra popular, como a completa destruição do latifúndio e o confisco dos capitais nas mãos do imperialismo e da grande burguesia burocrático-compradora, assim como o desmantelamento do Velho Estado, o reconhecimento dos direitos das minorias nacionais, etc.

É chegada a hora de verificar se o compromisso do Partido Comunista do Nepal-maoísta é realmente com os operários, camponeses e demais classes revolucionárias do país ou com os setores conservadores com os quais o partido celebrou o acordo que pôs fim à guerra popular.

Como não poderia deixar de ser, o monopólio dos meios de comunicação cumpriu seu papel, caluniando e difamando os maoístas. Seus  "analistas" e suas "pesquisas de opinião" compradas pelo imperialismo colocavam o PCN-M em terceiro lugar, atribuindo baixo apoio popular, e agora têm que lidar com a vitória, até o momento, esmagadora dos maoístas.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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