Em vez de pleno emprego, rumamos à plena precariedade

Em vez de pleno emprego, rumamos à plena precariedade

Print Friendly, PDF & Email

Madrid, 3 de janeiro, pessoas esperam na fila pela abertura do bureau de empregos

A crise geral de superprodução relativa que assola o capitalismo global decadente segue corroendo os mercados de trabalho até mesmo nos países imperialistas, que até não muito tempo atrás gostavam de cornetear o “bem-estar” das suas massas exploradas. Hoje, números como o de um milhão de jovens desempregados na Inglaterra constrangem os arautos do “capitalismo avançado”, aqueles contra-propagandistas acostumados a apregoar, impunes, que o sistema de exploração da maioria proletária pela minoria burguesa é o melhor, além de único possível, para todas as classes sociais.

Na França, são hoje cerca de 2,9 milhões de pessoas desempregadas, o que equivale a quase 10% da população ativa. É o maior número de desempregados no país em 12 anos.

A taxa de desemprego francesa fechou o ano 2011 com expansão de 5,2% em relação a 2010, escancarando a absoluta incapacidade de o Estado – bem como de todos os Estados apodrecidos do mundo – fazer a economia andar ante a crise generalizada de superprodução relativa do capital monopolista, mesmo com as inúmeras medidas de arrocho dirigidas às massas proletárias.

A Espanha, que cada vez mais se estabelece na condição de semicolônia no meio da Europa, fechou o ano de 2011 com o desemprego disparando 7,86% na comparação com 2010, o que representa 322.286 desempregados a mais. Em dezembro, nada menos do que 4,4 milhões de pessoas procuravam e não encontravam trabalho no país, um recorde.

O Banco de Portugal divulgou no dia 10 de janeiro o seu “Boletim Econômico de Inverno”, documento dirigido a especuladores e financistas em geral, prevendo que o desemprego no país, outra semicolônia europeia, vai atingir níveis históricos em 2012 e 2013 e que no mesmo período haverá “forte moderação salarial”. O banco cita a “manutenção de condições especialmente adversas no mercado de trabalho” para em seguida dizer que vem aí “uma redução das remunerações reais no setor privado”, para além das que já estão em prática.

A instituição do capital financeiro avisa à burguesia que a recessão deve destruir nada menos do que cem mil postos de trabalho dos portugueses nos dois próximos anos, sendo 89 mil só em 2012, indicando que a taxa de desemprego inicial prevista para este ano em Portugal, de altos 13,4%, será ultrapassada em muito.

Enquanto isso, a gerência de Portugal, sob as ordens do FMI e da Europa do capital monopolista, anunciou que o regime de contratos precários de trabalho em vários setores da economia será prorrogado enquanto durar o famigerado “Programa de Estabilidade Financeira”, nome fantasia da draconiana intervenção da União Europeia no país.

Brasil: 63% dos trabalhadores ganham mal

No Brasil, funcionários da gerência de turno, jornalistas mais comprometidos com o status quo e institutos de pesquisas contratistas de grandes corporações, andam cacarejando que o país caminha para o “pleno emprego”. Segundo eles, a situação não é ainda melhor por culpa do próprio trabalhador, que não seria “qualificado” – palavra mágica com a qual hoje em dia sordidamente costuma se jogar a culpa do desemprego no próprio desempregado.

O que não se faz muita questão de divulgar é que Dados do Censo 2010 do IBGE mostram que a proporção de trabalhadores brasileiros que ganham mal pulou de 49% no ano 2000 para 63% em 2010. Ou seja: a maior parte dos postos de trabalho criados pelo festejado crescimento da economia brasileira na última década são de baixa remuneração. Isto porque o IBGE colocou no mesmo saco dos que ganham mal quem recebe até dois salários mínimos, o equivalente a cerca de R$ 1.244, sem especificar, por exemplo, quantos só ganham o equivalente ao nosso salário mínimo de fome, ou menos.

É tudo reflexo do acirramento da exploração capitalista no Brasil por parte das transnacionais que requisitaram aos seus lacaios empoleirados nas gerências das semicolônias facilidades ainda maiores para fazer de nós seus escapamentos para a crise geral. Em vez de rumar para o “pleno emprego”, caminhamos, isto sim, para a plena precariedade.

O que não se diz é que mais de 11 milhões de brasileiros vivem hoje em “aglomerados subnormais”, nome “científico” com o qual os doutores que trabalham para o governo ora tentam rebatizar as favelas brasileiras castigadas pela falta de saneamento, de saúde, de habitação digna e pelo excesso de polícia assassina do Estado opressor.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: