Greves: ânimo e união por direitos e emancipação

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Greves: ânimo e união por direitos e emancipação

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Mineiros espanhóis, em greve, preparam a resistência

Não são apenas os trabalhadores brasileiros — ora em luta nas universidades, transportes e outros setores em várias cidades do país — que estão levando a cabo fortes movimentos grevistas contra o Estado e o patronato sanguessuga.

As greves, e as marchas, mobilizações, ocupações, enfrentamentos com as forças repressivas e a maior conscientização política que as acompanham, ganham corpo em todo o mundo capitalista, por emanarem da própria natureza do sistema de exploração do homem pelo homem, enquanto instrumento de luta por excelência do proletariado contra as tentativas de arrocho do capital em crise dirigidas ao mundo do trabalho.

As greves se inscrevem na situação revolucionária em desenvolvimento como o começo da luta da classe operária e dos demais trabalhadores contra toda a estrutura de opressão e exploração; semeiam, em um primeiro momento, o ânimo e a união para a luta coletiva em defesa dos direitos, dos salários e do emprego e, em um segundo momento, o ânimo e a união para a luta de horizontes mais alargados pela emancipação dos trabalhadores e por uma democracia nova.

Mineiros e professores na Espanha, operários da construção civil na Polônia, que bloquearam ruas e estradas com escavadeiras e tratores, funcionários dos correios, metalúrgicos e jornalistas na Grécia, médicos na Inglaterra, que convocaram a primeira greve em 40 anos, aeroviários na Índia, funcionários da imprensa na Argentina, a greve geral no USA contra o sistema “corrupto até a medula”, a greve de 200 mil taxistas na Coreia do Sul, as multidões que, exigindo aumentos de salários, cercam as centenas de fábricas de Bangladesh que fornecem para transnacionais como Wal-Mart, H&M, Kohl’s, Marks & Spencer e Carrefour, os massivos protestos contra a carestia na Jordânia, a marcha de 200 mil italianos em Roma contra o arrocho promovido por Mario Monti, as inúmeras greves em Portugal contra a draconiana “austeridade” que o governo de Lisboa, fantoche do FMI, vem tentando impor ao povo português etc.

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Em locais escondidos, mineiros testam as suas defesas contra a polícia

Em Portugal, país a cujos irmãos trabalhadores o monopólio da imprensa que opera no Brasil vem dirigindo calúnias, dizendo que o povo português aceita docilmente os ditames do FMI e da União Europeia, só mesmo as retumbantes ações de classe das massas trabalhadoras daquela nação impediram que os interventores da Europa do capital monopolista promovessem arrochos ainda maiores ao proletariado lusitano.

Reação: desconto automático no salário

Não obstante, o próximo grande desafio para o combativo povo de Portugal para impedir a total devastação capitalista no país já está delineado: o FMI já requisitou à gerência títere de Lisboa uma redução ainda maior das indenizações para as demissões, não só aquelas por “justa causa”, mas também para as demissões ditas ilícitas.

Os capitalistas de Portugal e o Estado autoritário e policial português estão reclamando que os “investidores” estão fugindo do país por causa das greves. O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) disse que a greve dos controladores aéreos da companhia TAP está provocando “insegurança nos principais mercados internacionais”, enquanto um membro do governo português saiu a dizer que a greve afeta “o interesse nacional e a imagem do país no exterior”.

No Brasil, justamente em um contexto de vários e retumbantes movimentos grevistas de funcionários públicos, surge a notícia de que o Conselho Nacional de Justiça vai autorizar os tribunais de todo país a descontar do salário dos seus servidores os dias que não trabalharem por adesão a greves.

Ou isso, decidiu o nobre judiciário, ou que se exija a compensação dos dias “parados”, seja a greve declarada legal ou ilegal. São os togados abrindo uma jurisprudência que mais adiante — não se iludam — servirá como um instrumento a mais para os gerentes do velho Estado tentarem colocar em prática seu sonho de simplesmente transformar em criminosos os trabalhadores conscientes de que só unidos podem suportar a luta contra o capital.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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