Luta pela terra

74/10a.jpg
74/10a.jpg

Luta pela terra

Print Friendly, PDF & Email

Bahia

Camponeses resistem a ataque covarde no sul da Bahia

Com informações de resistenciacamponesa.com  

http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/74/10a-6d5.jpg
Barraco destruído pelo trator do latifúndio

Na manhã de 6 de janeiro, tropas da PM de Barreiras, de Carinhanha e também a ‘polícia do cerrado’ (Polícia Militar especial da região que presta serviços às prefeituras no sudoeste da Bahia), acompanhadas por oficiais de justiça, pelo latifundiário Raimundo Pedro e sua filha, a advogada Adriana Costa, chegaram de surpresa para realizar uma ação de reintegração de posse contra o acampamento Santa Cruz do Sol Nascente.

Nessa hora os camponeses trabalhavam. As ditas autoridades federais haviam prometido reiteradas vezes nas vésperas das últimas eleições não realizar esse tipo de ação sem aviso prévio. 

Na tarde do dia 6 o trator começou a destruir as roças. As famílias se reuniram diante dos barracos para impedir que a ação prosseguisse, o trator quebrou e o oficial de justiça comunicou que a ação continuaria no dia seguinte. Antevendo a continuidade do ataque do latifúndio, as famílias retiraram dos barracos os bens de maior valor, até mesmo telhas que cobriam os casebres, e permaneceram na área.

Na calada da noite, escoltado por policiais fortemente armados, o trator voltou destruindo plantações e barracos. A combativa juventude do acampamento corria entre as plantações e protestava junto ao trator: “tropa de covardes”! A operação durou até as 2 horas e 30 minutos da madrugada.

http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/74/10b-2af.jpg
Camponeses resistem e produzem no Santa Cruz do Sol Nascente

Durante o dia, dezenas de vizinhos, membros do comitê de apoio à luta camponesa, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, representantes dos quilombolas da região que também lutam por terra e sofreram ações de despejo, prestaram sua solidariedade aos camponeses do Santa Cruz do Sol Nascente.

Os camponeses do acampamento Santa Cruz do Sol Nascente estão nas terras há quase dois anos e, resistindo a sucessivas ameaças, desenvolvem a produção. O Incra, que segundo as famílias camponesas, havia prometido desapropriar área, não cumpriu sua palavra. Os gerenciamentos estadual e municipal, de Jaques Wagner (PT) e “Chica do PT” respectivamente, não só se omitem como permitem e comandam as forças de repressão contra os camponeses.

Pela manhã as famílias se reuniram e fizeram novos barracos, contabilizaram os prejuízos. Se reorganizaram e colocaram a bandeira da Liga dos Camponeses Pobres de volta em seu mastro.

Denúncia camponesa:
Latifundiário tentou envenenar a água do acampamento

Com informações da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia

Na manhã seguinte à tentativa ilegal de reintegração de posse,  “o latifundiário Raimundo Pedro arrogantemente entrou na área com um capanga e se dirigiu a cisterna. Algumas famílias viram quando ele, com um vidro de veneno e uma bomba, tentou lançar na água, mas foi impedido. Todos correram para o local e, vitoriosamente, os camponeses se impuseram ao ladino. O que ele tentava fazer era um verdadeiro assassinato coletivo!” [fonte: resistenciacamponesa.com]

Camponês é assassinado em Monte Santo

Denúncia da CPT publicada em resistenciacamponesa.com

Antonio Plínio, liderança do movimento pela regularização fundiária das áreas de fundo de pasto, em Monte Santo, Bahia, foi assassinado no dia 6 de janeiro em sua propriedade.

Ele foi assinado no município de Monte Santo e, ao que tudo indica, resultado de um conflito agrário na comunidade de fundo de pasto da Serra do Bode. Foi morto a tiros e, segundo informações ainda não confirmadas, teve a cabeça degolada, num ato de crueldade que deixa pistas sobre a verdadeira intenção dos algozes: silenciar pelo medo os trabalhadores rurais que resistem às tentativas de grilagem das áreas de Fundos de Pasto na região. Antônio Plínio se destacava como liderança no movimento pela regularização fundiária das áreas de fundo de pasto da região.

Pontal do Paranapanema

Direção do MST perde espaço e cavalga as massas

O “janeiro quente” promovido no Pontal do Paranapanema — SP é o retrato da franca decadência à qual a direção do MST conduziu seu movimento. Desde que abandonou uma a uma as bandeiras de luta pela terra, passando a cavalgar as massas camponesas em seu empenho por recuperar ou tentar diminuir a perda nos “espaços democráticos” que ensejava seguir ocupando no gerenciamento Roussef.

Chegou a 38 o número de fazendas temporariamente ocupadas pela ala do MST liderada por José Rainha Júnior, no oeste do estado de São Paulo. Com a mesma rapidez com que foram ocupadas, uma a uma as áreas foram desocupadas enquanto dirigentes do MST agendavam audiência em Brasília com o presidente do Incra, Rolf Hackbart, para debaterem a “retomada dos assentamentos no estado”. Alheias a tudo isso, as centenas de famílias utilizadas como moeda de troca nas negociações entre MST e gerenciamento de turno são mantidas suspensas, sem terra.

Pernambuco

Atentados contra acampamento no sertão pernambucano

Com informações da Comissão Pastoral da Terra — CPT

No dia 16 de janeiro, às 11 horas da noite, o acampamento Cedro Branco, situado no município de Iguaracy, no Sertão de Pernambuco, foi incendiado pela segunda vez em menos de um mês. Na noite do dia 30 de dezembro, um homem montado em uma motocicleta invadiu o acampamento e ateou fogo nos barracos.

A fazenda Cedro Branco foi tomada por 30 famílias em 2009. Suas terras já haviam sido desapropriadas “para fins de reforma agrária”. O Incra comunicou que a imissão de posse seria no dia 07 de dezembro, mas foi adiada e, caso não seja efetivada até o mês de março de 2011, o decreto termina “caducando”. As famílias exigem que providências sejam tomadas para que não haja um desfecho sangrento, os camponeses permanecem organizados e exigem a posse da Cedro Branco.

“Harmonia” do latifúndio às custas do martírio camponês

Com informações de resistenciacamponesa.com

O engenho Ousadia faz parte dos 48 engenhos do P.A. Miguel Arraes, no município de Catende, PE. A estimativa de produção da cana-de-açúcar para a safra atual calculada na área foi de 3.200 toneladas.

A Cooperativa Harmonia, conhecido cativeiro de camponeses, já citada na edição número 58 de AND em “Exploração e semifeudalidade na antiga usina Catende“, cortou a cana de aproximadamente 90% da produção do engenho Ousadia, porém declarou haver moído 1.500 toneladas, fazendo desaparecer como num passe de mágica aproximadamente 1.700 toneladas de cana produzidas pelos camponeses.

As trezentas toneladas que restaram no campo serão colhidas pela associação dos camponeses da área, decisão tomada após o descumprimento dos compromissos assumidos pela cooperativa Harmonia que, segundo denúncia dos camponeses, além de prejudicar a associação, abriu um processo acusando-a de “furto de coisa comum”.

O prejuízo camponês é o lucro do latifúndio

Os camponeses do engenho Ousadia denunciam que “A Usina Catende iniciou a moagem com atraso. A Cooperativa Harmonia comercializou a maioria da cana com outras usinas, dificultando a vida dos camponeses que querem comercializar com a Usina Catende”. Assim, os camponeses do engenho Ousadia sofreram um prejuízo de mais de R$ 35 mil.

As famílias camponesas denunciam que nos mais de 20 mil hectares das terras do P.A. Miguel Arraes graça a fome, a miséria e o trabalho escravo enquanto todo o lucro “fica com a Cooperativa Harmonia”.  Os camponeses também denunciam que as “matas estão sendo destruídas pelo fogo ateado na cana pela Cooperativa Harmonia, a polícia local tem conhecimento do caso e não faz sua parte para resolver a questão”.

Em sua nota de protesto eles finalizam:

“Exigimos que a Cooperativa preste contas, quitando os débitos feitos em nome dos trabalhadores, uma vez que foi a Cooperativa Harmonia que se apropriou dos recursos. Exigimos o direito de cortar o restante da cana, para a Associação de Ousadia, e com o recurso pagar uma parte das dívidas dos moradores, fazendo acordo com os bancos. E outra parte compra de insumos para o trato cultural da cana. Vamos continuar cortando o restante da nossa cana e em seguida vamos tomar como exemplo o engenho de Santa Luzia, também pertencente ao P.A. Miguel Arraes, que cortou a terra e dividiu para cada um dos seus assentados uma parcela de terra.”

Pará

Dirigente Luiz Lopes vive com a Revolução Agrária

Redigido pela Liga dos Camponeses Pobres do Pará

http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/74/10c-179.jpg
Primeira Assembléia do acampamento Luiz Lopes

No dia 02 de dezembro de 2010, 70 famílias organizadas pela Liga dos  camponeses Pobres do Pará e Tocantins tomaram o latifúndio Santa Maria Oriente, em Conceição do Araguaia. A área estava completamente abandonada, inclusive a sede alugada para uma mineradora que explora em outro lugar.

O latifúndio abandonado Santa Maria do Oriente fica próximo à área Gabriel Pimenta, cuja tomada foi organizada pela LCP, onde as terras foram cortadas e 94 famílias já produzem em seus lotes. E segundo a própria Ouvidora Agrária do Incra de Conceição do Araguaia, os camponeses do “Gabriel Pimenta” têm 99% de chance de conquistarem a legalização definitiva de suas posses.

Estamos decididos a lutar por nossos direitos e cansados de ouvir as promessas do governo. Estamos organizados, as famílias se dividiram em grupos, cada um deles com responsáveis pelas tarefas coletivas, em cada um deles funciona uma cozinha coletiva. Os camponeses das áreas próximas nos apóiam e comemoram o fim de mais um latifúndio. E o nosso acampamento já tem nome: Luiz Lopes!

O companheiro Luiz Lopes, uma das mais importantes e conhecidas lideranças camponesas do Sul do Pará, fundador e Coordenador da Liga do Pará e Tocantins, brutal e covardemente assassinado em 2009, por diversas vezes denunciou o abandono da Santa Maria do Oriente e cobrou do Incra que ela fosse vistoriada, desapropriada e entregue aos camponeses pobres.

Luta das nações indígenas

Gerenciamento Luiz Inácio: 437 assassinatos de indígenas

Com informações do Conselho Indigenista Missionário – Cimi

Durante os oito anos de gerenciamento Luiz Inácio (2003-2010), foram homologadas no Brasil apenas 88 terras indígenas, pouco mais de 14 milhões de hectares, o que equivale a um pouco menos que 60% do que foi realizado pelo gerenciamento Cardoso (1995-2003) e menos até que o gerenciamento Collor de Mello (1990-1992), que demarcou 128 terras indígenas, que compreendiam quase 32 milhões de hectares.

Entre 2003 e 2010, foram denunciados 437 assassinatos de indígenas. Uma média anual de 45 assassinatos, sendo que no segundo mandato de Luiz Inácio, entre 2008 e 2009, essa média subiu para 60.

Além da matança desenfreada de indígenas, o gerenciamento Luiz Inácio ficará marcado pela concessão de cerca de 10% de todas as terras de Roraima, no extremo Norte da Amazônia, uma área de 1,7 milhão de hectares, colocada à disposição do capital colonizador mediante expedição, em 13 de abril de 2009, de uma simples portaria homologando a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Desse modo, Luiz Inácio foi além, concretizando grande parte do que seus antecessores não foram capazes de cumprir em prol do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia no Brasil semicolonial.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: