Lutas de libertação nacional

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Lutas de libertação nacional

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Iraque

Sete anos de crimes e rapina ianque

Trechos de artigo de Michel Assis Navarro, mestrando em linguística pela USP, divulgado pela seção portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque — TMI

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A retirada das “tropas de combate” estadunidenses do Iraque, depois de sete anos de uma invasão falaciosamente justificada pela administração Bush e que, em vez de democracia, levou para o povo iraquiano mais morte, estagnação econômica, sectarismo, conflito interno, etc., apesar de ser vendida como o penúltimo passo para a retirada completa dos Estados Unidos do Iraque, a ser concluída em 2011, não condiz definitivamente com o que na realidade está ocorrendo. O contingente de 50.000 soldados “não-combatentes” que ainda permanece no Iraque, e que, segundo autoridades estadunidenses e iraquianas, terá a função de “assessorar e assistir” as forças de segurança do país até o final do próximo ano, não é o que resta da presença norteamericana. O retorno das tropas abre passagem para a entrada de mais soldados de agências privadas de segurança e funcionários do Departamento de Estado, que permanecerão no país muito depois da retirada do último soldado das forças de coalizão, caso esta retirada de fato se conclua.

A conclusão, em 31 de agosto último, da retirada de 90.000 soldados — segunda etapa do acordo selado em 2008, no fim do governo de W. Bush — sinaliza o começo do novo papel que os EUA irão desempenhar no Iraque. De agora em diante é o Departamento de Estado, e não mais o Pentágono, que irá assumir as responsabilidades pela presença norteamericana no país. E o departamento já iniciou negociações para a contratação em breve de mais 7.000 soldados privados, além de equipamentos, como transportes blindados, helicópteros e aviões, etc., para “assessorar” o treinamento da polícia iraquiana. As guerras do Iraque e Afeganistão são as guerras da história contemporânea nas quais há a maior participação de empresas e contingentes privados de segurança. Em ambas têm havido casos recorrentes de abusos praticados (o assassinato de civis, por exemplo) por soldados funcionários dessas empresas, que em muitos casos são ex-soldados do exército norteamericano, cujo novo trabalho, aliás mais lucrativo, é o de serem mercenários.

Tudo indica que a nova etapa da ocupação estadunidense do Iraque seja quase uma completa passagem de operações de segurança, inteligência e combate das mãos do Estado para o setor privado. Em poucas palavras, uma privatização da invasão. E muitos são os benefícios, para os Estados Unidos, dessa transição.

Agora há, só no Iraque, 100 bases estadunidenses e dos países da coalizão. O objetivo de repartir o petróleo iraquiano entre as corporações norteamericanas já foi concluído logo nos primeiros anos da invasão. A presença militar estadunidense no Oriente Médio jamais foi tão grande quanto agora e as bases no Iraque e países vizinhos tão numerosas e ativas.

Após anos de embargo econômico e invasão, segundo dados das Nações Unidas, 80% da água iraquiana não é tratada e somente um quarto das casas estão ligadas a uma rede de esgoto pública. Num país em que 50% da população é menor de 19 anos, somente na capital, Bagdá, o índice de desemprego entre o jovens está em 30%. O Iraque possui a segunda maior taxa de mortalidade infantil entre os países da região, e mais de 300.000 iraquianos jovens nunca foram para escola. Estima-se que um quarto dos iraquianos vive em completa pobreza. Energia só é disponível algumas horas do dia e, embora seus poços jorrem petróleo, a escassez de combustível é frequente. Sabe-se muito bem para onde eles vão.

Segundo dados oficiais do governo norteamericano e de organizações internacionais, em sete anos foram mortos por consequência direta da guerra 100.000 iraquianos e 4.400 soldados estadunidenses. Estima-se que aproximadamente 4.000.000 de iraquianos foram deslocados e 2.000.000 tenham deixado o país. Contudo, os números são muito maiores.

O envolvimento dos Estados Unidos no Iraque está muito longe de ter um fim. O general Ali Ghaidan, comandante em solo das forças iraquianas, afirmou em entrevista que se precisarem de ajuda para manter “a segurança” a receberão dos Estados Unidos. E manter “a segurança” aqui significa, de forma velada, o que o presidente Barack Obama disse abertamente em pronunciamento para a nação estadunidense quando da retirada das tropas: “há ainda muito trabalho por fazer para garantir que o Iraque seja um efetivo parceiro nosso.” Portanto, se os interesses de Washington forem ameaçados, tropas estadunidenses estarão prontas para atender os seus parceiros.

Denúncias veiculadas pela seção portuguesa do TMI

Em 2010, Israel prendeu1.124 crianças em Jerusalém

Segundo dados da polícia israelita de Jerusalém ocupada, 1.124 crianças palestinianas foram detidas e interrogadas em 2010. O jornal Ha´aretz diz que, mais preocupante do que o número de detenções é a maneira em como são efectuadas as prisões, com as crianças a serem levadas de casa a meio da noite. (PIC)

Outro ataque ao Paquistão

23 de Novembro de 2010

Um avião não tripulado pertencente ao exército dos EUA matou 6 pessoas, num ataque no dia 20, no norte do Paquistão. (AFP)

Vinte prisioneiros feridos no Iraque

21 de Novembro de 2010

Vinte prisioneiros foram feridos a tiro pelos guardas iraquianos da prisão de al-Tasfirat, a norte de Baghdad. (Reuters)

Afeganistão

O ano mais mortífero para os invasores

No dia 12 de dezembro, seis militares da OTAN integrantes das forças invasoras no Afeganistão foram mortos em um ataque da resistência no sul do país.

Apesar dos rumores de negociações entre os ianques e o Talibã, uma das principais forças da resistência do povo afegão, as baixas nos últimos dias do ano fazem do ano de 2010 o mais sangrento para as tropas invasoras desde 2001. Mais de 690 militares estrangeiros foram mortos pela resistência afegã no ano de 2010 contra os 521 do ano de 2009. Desde 2001 mais de 2.260 militares invasores no Afeganistão.

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