Mais uma vez mortes e sofrimento vêm com as chuvas – Responsabilidade é dos gerentes de plantão

Mais uma vez mortes e sofrimento vêm com as chuvas – Responsabilidade é dos gerentes de plantão

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Vítima do deslizamento em Sapucaia foi encontrada por volta das 8h30 da manhã

O monopólio dos meios de comunicação, as defesas civis e os gerenciamentos de turno têm sempre notícias prontas para o período das chuvas. Ano após ano elas são requentadas, o que dá a alguns a impressão de que o sofrimento das populações, particularmente as mais empobrecidas, seja algo natural, próprio do período das águas. Quando as consequências das chuvas atingem mansões, como o caso de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, em 2010, os porta-vozes das classes reacionárias clamam por solução imediata. Enquanto isso, milhares de famílias acumulam prejuízos, desaparecidos, sofrimento e mortes causados pela negligência dos gerenciamentos municipais, estaduais e federal.

Rio de Janeiro

Em 5 de janeiro os números parciais da Defesa Civil do Rio de Janeiro davam conta de 34.890 desabrigados no estado após as primeiras fortes chuvas do ano. Esses números foram levantados apenas nos municípios de Santo Antônio de Pádua, Itaperuna, Laje do Muriaé, Aperibé, Italva, Cardoso Moreira, Cambuci, Campos e São Fidélis.

Nesse período ocorreu o rompimento de um dique na rodovia BR-356, que inundou a localidade de Três Vendas,em Campos dos Goytacazes, norte do estado, com as águas do rio Muriaé arrasando as casas da população.

Na segunda semana de janeiro, um desabamento deixou oito casas com 22 moradores soterrados no município de Sapucaia, região central do estado. Segundo a Defesa Civil estadual, outras 10.759 pessoas tiveram que deixar suas casas devido às sérias avarias provocadas pelas enchentes.

Em Cardoso Moreira, também na região norte fluminense, outro dique se rompeu atingindo diretamente pelo menos novecentas pessoas.

O número de mortos durante as chuvas no Rio chegou a 24, sendo 22 moradores do município de Sapucaia.

Minas Gerais

Já no estado de Minas Gerais, em 6 de janeiro, 87 municípios haviam declarado estado de emergência. Milhares de casas estavam sob as águas em todo o estado. Moradores de 142 municípios enfrentavam sério risco. Pelo menos oito pessoas já haviam morrido em decorrência das enchentes. Mais de 2 milhões de pessoas eram vítimas da negligência dos gerenciamentos de turno que, apesar das previsões climáticas e da certeza da chegada das chuvas, não realizaram obras preventivas, apesar do conhecimento sobre as “áreas de risco” e do histórico de desmoronamentos e enchentes, não moveram uma palha, salvo raríssimas exceções. Somente na primeira semana do ano, Minas já contava cerca de dez mil pessoas desalojadas e 512 desabrigadas. Na cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, grande parte da população ficou desabrigada e as ruas ficaram submersas.

No dia 10 a Defesa Civil divulgava que o número de municípios em estado de emergência subiu para 116 e que o estado já registrava 15 mortes dispersas nos municípios de Além Paraíba, Reduto, Governador Valadares, Belo Horizonte, Visconde do Rio Branco, Ouro Preto, Guidoval, União de Minas e Guaraciaba. Doze mil pessoas encontravam-se desabrigadas.

Apenas um dia depois o número de cidades em estado de emergência já havia subido para 127 e, posteriormente, chegou a 185.

Em apenas três semanas, o número de desabrigados em Minas Gerais saltou dos 14 mil, primeiro número apurado pela Defesa Civil, para 50 mil.

Ao fim de janeiro, o número de mortos em Minas chegou a 17 e os afetados por enchentes, desabamentos, quedas de árvores, etc, chegou a 3,3 milhões. Com as chuvas, 376 pontes foram destruídas e 591 danificadas, 819 casas foram destruídas e 17.733 encontravam-se seriamente danificadas.

Mais uma fanfarronada oportunista

Após mais uma onda de enchentes, desabamentos e milhares de moradias arruinadas durante a temporada de chuvas que assolaram principalmente a região Sudeste entre o final de 2011 e início de 2012, o gerenciamento Rousseff anunciou que poderá incluir cerca de três mil famílias afetadas no programa “Minha Casa Minha Vida”.

O ministro da integração nacional, Fernando Bezerra Coelho, que semanas atrás era acusado de irregularidades na distribuição de recursos públicos, anunciou que Rousseff  “autorizou o grupo de acompanhamento do PAC de que todas as demandas que venham a surgir de Estados e municípios, que tiveram casas completamente destruídas, terão espaço dentro do programa”.

As obras do PAC, cuja meta não atingiu os 12% no ano passado, seguem empacadas, mas continuam sendo fartamente utilizadas como palanque eleitoreiro, agora para tripudiar do sofrimento de milhares de pessoas que perderam tudo ou quase tudo devido à ausência de obras preventivas.

Desastres repetidos e mais uma vez a dengue

No início desse ano a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro divulgou que, no ano passado, foram registradas 51 mortes em consequência da dengue no município do Rio de Janeiro. Uma elevação preocupante, diante dos 9 casos de 2010.

77.165 pacientes foram diagnosticados com a doença em 2011, o que corresponde a mais de 23 vezes o número de registros de 2010, que foi de 3.268.

O balanço divulgado na primeira semana de 2012 deu conta de que nesse período ocorreram 64 casos e o gerenciamento municipal prevê que esse número aumente substancialmente, particularmente devido ao desenvolvimento de dois novos tipos da doença, até então incomuns no município.

A gritante elevação do número de contaminados e de mortes nos últimos anos é um alerta para a população, particularmente nas regiões mais pobres do estado, onde se concentram os maiores índices de doentes e de mortos.

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