Moradores do Morro do Bumba protestam diante do descaso da prefeitura de Niterói

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Moradores do Morro do Bumba protestam diante do descaso da prefeitura de Niterói

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Em gesto sádico policial atira spray de pimenta em rosto de criança

Quase um ano após as chuvas que mataram mais de 200 pessoas no Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, centenas de moradores que perderam suas casas ainda esperam para serem indenizados. O famigerado aluguel social, oferecido por um ano pelo prefeito Jorge Roberto da Silveira às vítimas de mais esse crime premeditado dos gerenciamentos de turno, foi pago a apenas 3,2 mil moradores, que, mesmo assim, estão há cinco meses sem receber. Os outros 700, que ficaram sem o aluguel social, estão morando, desde abril de 2010, em abrigos improvisados em quartéis do exército em Niterói e São Gonçalo. 

Os moradores do Morro do Bumba entraram na justiça e, no início de março, os porta-vozes do gerente estadual, Sérgio Cabral, e da prefeitura de Niterói, anunciaram que o convênio entre os dois gerenciamentos para o pagamento do aluguel social teria chegado ao fim. Segundo o governo estadual, foram encontradas inúmeras irregularidades cometidas pelo município durante o convênio, que teria sua manutenção garantida pela Caixa Econômica Federal, segundo o Ministério Público e a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

Com o pagamento marcado para o dia 23 de março, alguns dos moradores do Bumba que nada receberam, abrigados há 11 meses nas dependências do antigo 3º Batalhão de Infantaria do Exército, bloquearam a rua Doutor Porciúncula, no bairro Venda da Cruz, para protestar contra a falta de luz e água no abrigo improvisado, onde vivem pelo menos 380 pessoas, sendo 168 crianças.

No dia marcado para o recebimento dos cheques do aluguel social que não foram pagos, mais de 3 mil pessoas foram a quadra da escola de samba Viradouro, em Niterói, para o pagamento. Depois de horas de espera, representantes da prefeitura disseram não ter dinheiro para pagar, o que gerou revolta. Centenas de pessoas ocuparam as ruas no entorno do local com faixas e cartazes, muitos sem ter para onde ir e outros com seus compromissos de aluguel atrasados. Um efetivo de quase cem policiais foi deslocado para o local para reprimir os manifestantes, que não se intimidaram. Um outro grupo de 400 pessoas se deslocou para a porta da prefeitura de Niterói, na rua Visconde de Sepetiba, para realizar outro protesto.

Ao fim do dia, apesar das manifestações, os moradores do Morro do Bumba continuaram sem receber.

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