MS: Latifúndio usa ‘caveirão’ contra povo

Foto retomada Nhu Vera
Foto retomada Nhu Vera

MS: Latifúndio usa ‘caveirão’ contra povo

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Um trator blindado conhecido como “caveirão” passou por cima de oito moradias do povo Guarani Kaiowá, a mando do latifúndio,  na madrugada de 16 de janeiro. O ataque aconteceu na área de retomada Nhu Vera, em Dourados, no Mato Grosso do Sul. 

Os indígenas que dormiam na área foram acordados pelo barulho do trator e fugiram antes do avanço da máquina. Pistoleiros que estavam nos arredores incendiaram o que sobrou das moradias como madeira, lona e pertences pessoais dos indígenas. Como resposta, os guarani kaiowá atearam fogo no trator blindado. 

Foto retomada Nhu Vera

A Polícia Militar (PM) chegou no início da manhã e deu continuidade ao trabalho do latifúndio, atirando com balas de borracha e bombas de efeito moral contra os indígenas. Enquanto agiam com truculência, os paramilitares do latifúndio começaram a plantar soja no território de retomada dos guarani kaiowá, sob a proteção policial. 

“Eles destruíram os barracos e, escoltados pela polícia, começaram a plantar soja no lugar. A parentada tá dizendo que vai voltar para o lugar. Sabendo disso a polícia segue aqui e agora (começo da tarde) estão concentrados na Fazenda Hilda (uma das propriedades cujo dono é um dos principais antagonistas dos guarani kaiowá)”, afirmou Laurentino Guarani Kaiowá ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Outros ataques

Os indígenas denunciam que são constantes e violentos os ataques. “Criança dormindo e vem esses pistoleiros e passam por cima do barraco. Isso é um horror pra gente. Pra mim isso é tentativa de homicídio. Vários indígenas atingidos pelos tiros. Um perdeu a visão, outro ficou paralítico, tem outro ainda no hospital. Nem com animal se faz isso daí. Se não punir os mandantes, o conflito nunca vai terminar”, declarou Laurentino. 

No dia 1º de janeiro, uma casa de reza do aldeamento de Laranjeira Nhanderu, em Rio Brilhante, foi incendiada. Nos dias 2 e 3 de janeiro, outros dois ataques promovidos pelo latifúndio deixou vários indígenas feridos, sendo que um deles ainda está hospitalizado e pode perder a visão, e um menino de 12 anos perdeu três dedos da mão esquerda ao segurar uma granada deixada para trás pela polícia. Durante 16 horas, mais 180 famílias guarani kaiowá ficaram sob a guarda do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e dos “seguranças” do latifúndio.

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