Norte da África e Oriente Médio

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Norte da África e Oriente Médio

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Líbia

Imperialismo e Khadafi mais próximos da partilha

Enquanto o povo da Líbia padece com a carestia, a destruição do  patrimônio público do país e com o fogo cruzado das escaramuças entre os “rebeldes” financiados pelas potências e o exército de Muammar Khadafi, o USA e os países imperialistas europeus prosseguem com seus lances cada vez maiores no leilão que a “oposição” está fazendo pelos quinhões de privilégios que entregarão de mão beijada aos monopólios internacionais.

Só no dia 15 de julho um total de 34 chefes de nações, entre eles Obama, reconheceram o Conselho Nacional de Transição como a autoridade governamental da Líbia, o que permite a estes países doarem bilhões de dólares aos “rebeldes” (naturalmente sem esperar em troca nenhum contrato para suas transnacionais…) sem ferir os termos das sanções impostas a Trípoli no âmbito das Nações Unidas.

Ao mesmo tempo que se garante junto aos “rebeldes”, o USA ainda mantém negociações com Khadafi, como quem guarda um trunfo na manga ante as potências europeias no contexto da reestruturação do capitalismo burocrático na Líbia. O jogo duplo é claro: No dia 16 de julho, menos de 24 horas depois de Washington reconhecer o Conselho Nacional de Transição como o legítimo governo do país, surgiu a notícia de que membros da administração Obama se reuniram secretamente com emissários do chefe líbio para tratarem de dar o primeiro passo de “um diálogo para reparar as relações entre os dois países”, nas palavras do porta-voz da administração Khadafi, Moussa Ibrahim.

Os ianques, por seu turno, admitiram que se reuniram secretamente com representantes de Khadafi no dia seguinte ao reconhecimento do Conselho Nacional de Transição como a autoridade constituída da Líbia, mas disseram que o objetivo do encontro foi exigir a renúncia da velha raposa. “Não foi uma negociação. Foi a entrega de uma mensagem”, disse um porta-voz do departamento de Estado do USA, como se fosse preciso agendar uma reunião internacional às escondidas para mandar um recado que afinal é publico. Ou a saída de Khadafi não é a admoestação transmitida e retransmitida quase que diariamente pelo imperialismo via monopólio internacional dos meios de comunicação. O segredo — e o motivo para reuniões secretas — é o que o USA está disposto a oferecer a Khadafi e aos “rebeldes” a fim de garantir para seus monopólios a primazia na exploração do petróleo mais barato do mundo.

O Ministro de Assuntos Estrangeiros da França, Alain Juppé, também declarou que se iniciaram conversações entre a Líbia de Khadaffi e outros “países chave”, mas que estas negociações não ocorreram em grande escala. Mesmo assim, afirmou que emissários líbios afirmaram que Khadafi estaria pronto “para se retirar”.

Abdul Elah Al-Khatib, enviado especial da ONU, disse: “Exorto as partes a focar mais no trabalho em prol de uma solução política. Gostaríamos de ver as negociações indiretas evoluirem para negociações diretas. Muitos líbios já perderam suas vidas. Já deveria estar claro que qualquer solução duradoura para o conflito implica uma solução política e que tal solução deve satisfazer as legítimas aspirações do povo líbio por um futuro democrático. Lutar até o fim só vai acarretar mais sofrimento desnecessário”.

Síria

Governo segue massacrando povo nas ruas

No dia 19 de julho as forças de repressão do Estado sírio assassinaram 10 pessoas na cidade de Homs no funeral de outros dez manifestantes também mortos a mando do carniceiro Bashar el-Assad, que ora tenta provar às potências, desencadeando uma onda de violência em todo o país, que ainda pode prestar bons serviços ao imperialismo. Em apenas quatro dias a repressão de el-Assad matou 50 pessoas só em Homs.

Dados de organizações de defesa dos “direitos humanos” dão conta de que mais de 1.700 pessoas foram mortas por causa da repressão do Estado sírio desde o início de março, quando começaram os massivos protestos por uma democracia verdadeiramente popular no país.

Ainda que debaixo de fogo, o povo sírio não se intimida e não arrefece em sua luta, com cada vez mais pessoas participando corajosamente dos protestos. A maior manifestação contra el-Assad desde março aconteceu no dia 15 de julho, com milhares de sírios ocupando as ruas de cidades de todo o país, desafiando a autoridade que o regime tenta manter à base de bala.

Ventos da rebeldia ainda sopram no Egito

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Novos protestos na praça Tarhir, Cairo

No Egito, as massas insurretas seguem nas ruas em agigantados protestos contra a junta militar que assumiu a gerência “transitória” do velho Estado e contra a perpetuação das velhas estruturas de poder e do capitalismo burocrático no país, contradizendo o noticiário da mídia burguesa, segundo o qual a revolta do povo egípcio foi apaziguada com a entrega do poder a um bando de militares amigos do USA.

No dia 16 de julho o general Tarek al-Mahdi bancou o bravo e foi até a praça Tarhir, no Cairo — epicentro das manifestações que derrubaram Hosni Mubarak há poucos meses —, tentar aplacar um vigoroso protesto contra a manutenção do processo de degradação das condições de vida do povo trabalhador. Pois o general teve que deixar o local às pressas e protegido por forte aparato de segurança quando estava prestes a ser atacado pelos populares.

Diante da crescente revolta das massas, a junta militar que ora gerencia o Estado egípcio para o imperialismo anunciou uma pequena reforma ministerial para tentar fazer fumaça ao caráter antipovo e pró-potências da sua administração. O mesmo estratagema foi usado por Mubarak, que acabou defenestrado. O povo egípcio já deu suficientes mostras de que não se ilude mais com as reformas de fachada dos poderosos.

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