O mercado e a urna

O mercado e a urna

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O capitalismo, em sua fase apodrecida e última, a imperialista, tem no fascismo a política do capital financeiro e de toda grande burguesia. Ela é aplicada tanto ao nível nacional como internacional, levando a opressão e a exploração à maioria das nações e dentro delas à maioria de seu povo. Para efeito de propaganda, o monopólio de comunicação do imperialismo procura passar a ideia de que existe uma separação entre a política e a economia, principalmente em momentos de crise aguda. Para eles, a velha democracia de pés de barro nada tem a ver com as crises econômicas, sejam as crônicas inerentes ao sistema ou aquelas provocadas por especuladores e escroques de todos os coturnos.

O grande laboratório da luta de classes ao nível internacional nos forneceu, recentemente, três demonstrações bastante elucidativas do quanto é mistificadora a ideia de democracia vendida pelos adoradores desta decrepitude chamada capitalismo.

Primeira, os monopólios dos meios de comunicação, porta-vozes do capital financeiro e de toda grande burguesia, tão logo surgiram os levantes populares conhecidos por “Primavera Árabe”, passaram a alardear que os regimes apodrecidos, sustentados por eles durante décadas, deveriam transitar para o modelo de democracia ocidental. Quer dizer, centrado na realização de “eleições livres”, assim como fora a receita imposta ao Iraque e ao Afeganistão.

Segunda, a agressão à Líbia para loteá-la entre as potências usando para tanto o bombardeio praticado pela OTAN, um dos braços armados do capital financeiro internacional, tal como foi feito contra o Iraque e o Afeganistão.

Terceira, a intervenção praticada pelo capital financeiro internacional através de seu instrumento, a União Europeia, nos governos de países como Portugal, Grécia, Itália, Espanha, Irlanda e, principalmente, a enfurecida reação perante a proposta anunciada pelo esquálido ex-primeiro ministro grego de realizar um referendo popular na Grécia para que o povo pudesse opinar sobre as draconianas medidas impostas pelos bancos franco-alemães e pelo FMI a seu país.

Os três exemplos acima são suficientemente claros para demonstrar a farsa em que se constituem as eleições sob o capitalismo. A aplicação do adjetivo “livre” como exigência para que, ao seu modo, a democracia se exerça de fato é a senha para que o mercado escolha o seu candidato e mobilize os recursos necessários para elegê-lo, ou seja, liberdade para o mercado iludir, ludibriar, corromper, trapacear, enfim, fazer o que deve ser feito para que o poder continue em mãos de seus prepostos.

Por outro lado, quando está em jogo a sua sobrevivência, o mercado não titubeia em mandar para o espaço aquilo que seus monopólios de comunicação alardeiam como o suprassumo da sua carcomida democracia: as eleições.

Assim, a solução exigida pelo mercado foi imposta à Grécia após a agência de classificação de risco Fitch (sua porta-voz) ter divulgado seu relatório. Nele, afirmava que a realização de um referendo na Grécia sobre o segundo pacote internacional de resgate aumentaria dramaticamente os riscos para o país e a Zona do Euro como um todo. De repente, mais que de repente, cai o referendo e cai o primeiro-ministro George Papandreou, após um voto de confiança combinado com a entrega de sua renúncia para que não houvesse a convocação de eleições.

“Uma rejeição do programa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) negociado recentemente pelo governo grego aumentaria o risco de um default [calote] forçado e desordenado e potencialmente a saída da Grécia da Zona do Euro. Nesses dois casos existiriam severas implicações para a estabilidade financeira e a viabilidade da Zona do Euro”, dizia o comunicado da Fitch, abrindo o espaço para que os algozes do povo grego impusessem as medidas ao país. E no mesmo instante em que sua soberania era jogada na vala comum das colônias e semicolônias.

Em relação à Itália a cena se repetiu de forma mais escancarada com a frase do presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy: “Há muito por fazer, o país precisa de reformas e não de eleições“. Ele elogiou a adoção, pelo senado italiano, de medidas anticrise que buscavam reconquistar confiança dos mercados.

Diante da possibilidade de um voto de desconfiança a Berlusconi e a consequente convocação de novas eleições, aplicaram o mesmo receituário aplicado à Grécia. O povo italiano comemorou a saída de Berlusconi sem saber que sua queda era o resultado de um golpe do capital financeiro. Para evitar o afundamento do país, leia-se dos bancos europeus, engendraram uma transição negociada e decidida em um prazo recorde: sai Berlusconni e entra um senador biônico. Mas o povo continua nas ruas.

Mais que nunca o imperialismo é uma tendência para a reação e para o fascismo. É a guerra de rapina, o aumento da exploração e opressão sobre os povos de todos os continentes. Cada vez mais ele desmoraliza as suas podres instituições.

Mais que nunca é válido o aforismo que diz “onde há opressão e exploração, há resistência” como também o que afirma que “a rebelião se justifica“. Os protestos e manifestações de massas que se alastram por todos os países são só a ante sala da grande tempestade que virá quando a nova onda da revolução mundial atingir o seu grau de tsunami. Nestes ensaios as massas procuram inevitavelmente uma direção revolucionária. Dela já podemos ouvir seus clarins nas trincheiras das guerras populares levadas a efeito na Índia, na Turquia, Peru e Filipinas.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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