Podre é todo o sistema e seus agentes

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Podre é todo o sistema e seus agentes

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Aquilo que a imprensa dos monopólios chama de crise do Senado é tão somente mais um evento resultante das intermináveis rinhas intestinas de um sistema econômico-social, político e cultural anacrônico, viciado e putrefato até a medula. Para manter a exploração sobre as massas trabalhadoras e sobre a nação brasileira, as classes dominantes locais atadas e a serviço do imperialismo têm erigido um Estado burocrático-comprador. No gerenciamento deste velho Estado, os diversos grupos de poder das frações da grande burguesia (a fração burocrática e a compradora), ademais dos latifundiários, digladiam-se pelo controle do seu aparelho por decidir que frações e círculos hegemonizarão para beneficiar-se mais e quais se submeterão.

Quando o conflito atinge nível crítico, entra em jogo o fator da preservação do carcomido sistema político de governo (ou gerenciamento do Estado) e novos conluios são arreglados. Assim tem sido e assim seguirá até que as massas populares politicamente organizadas e de forma independente intervenham no cenário nacional, levando a crise política ao patamar mais elevado de situação revolucionária.

O discurso dos monopólios de comunicação

Numa tentativa de salvar o podre sistema de governo, cujo agravamento de sua crise pode, em determinadas condições, fazer perigar o velho Estado brasileiro, os monopólios de comunicação atuam de forma orquestrada, jogando papel decisivo. Na manipulação de informações, como guardiões da velha ordem que são, fazem um corte arbitrário e artificial, separando pessoas das instituições. Como se o funcionamento destas, sendo resultado de relações sociais, não tivessem na ação das pessoas – e essas como representantes de determinadas classes – a expressão da sua existência. Assim, há tempos fazem campanhas pela "ética na política" e pela "moralização" do Congresso, focando suas investigações em determinados personagens, num verdadeiro festival de sensacionalismo e hipocrisia, como se tivessem descoberto a pólvora. No caso da vez, centram em desmandos praticados pelos homens que ocuparam a presidência do Senado. Sucede sempre que todo o barulho sobre o escândalo do momento serve a esconder o anterior, ao tempo que a exposição e estigmatização de um ou outro punhado de elementos pegos em flagrante delito e mesmo uma eventual punição (o que é raro) serve a passar atestado de honestidade aos que, por razões da natureza do sistema, inevitavelmente seguem e seguirão impávidos em suas práticas nefandas bem encobertas.

O discurso corporativo

"Esta casa se encontra no ápice de uma crise e o Brasil inteiro olha para esta casa. E olha de uma maneira como ainda não tinha visto. A classe política é vista de uma maneira muito dura pelo povo. Mas nunca vi um olhar tão magoado, tão machucado, tão triste, quanto o povo brasileiro olha para esta casa". Foi este o discurso do Senador Pedro Simon na tribuna do Senado. Ele expressa a opinião dos que querem preservar o ninho das oligarquias e tem funcionado como sua consciência crítica em todos os episódios em que a Casa fica exposta em sua decrepitude. Nisto não faltam seguidores, inclusive no líder da oposição Artur Virgílio, que foi enfático em jogar a responsabilidade da crise para os funcionários: "Se Vossa Excelência não tiver como romper com essa camarilha perderá as condições de governar esta casa. Se romper com essa camarilha e tomar essas atitudes todas que levem a casa ao respeito da opinião pública outra vez, Vossa Excelência me terá ao seu lado", e complementou: "Quem tem de sobreviver é a instituição Senado Federal".

O discurso de Sarney

Como um dos quadros mais escolados do sistema burguês-latifundiário submisso ao imperialismo, Sarney não joga conversa fora e pontua a sua posição de classe que também faz parte da essência do parlamento semicolonial brasileiro.

"A crise é do Senado, não é minha. E é essa instituição que devemos preservar. Tanto quanto qualquer um aqui, ninguém tem mais interesse do que eu, até porque aceitei ser presidente da casa" – disse Sarney, que concluiu: "Isso é uma crise mundial. O que se fala aqui no Brasil do Congresso fala-se na Espanha, fala-se na Inglaterra, fala-se na Argentina, fala-se em todos os lugares". Justiça seja feita, é verdade o que diz o velho coronel. Só que é apenas parte da verdade. A outra parte, que o velho Estado burocrático semicolonial e semifeudal sobre o qual descansa o parlamento burguês brasileiro deve, a bem da libertação do povo e nação brasileiros, ser varrido e substituído por outro tipo de Estado e sistema político de verdadeira dominação do povo (democracia). Quanto a isto ele só pode tergiversar com os sofismas de seus apelos pela conjura da crise através das medidas cosméticas de sempre.

Diferentemente dos diagnósticos, terapias e apelos suscitados no Congresso e nos monopólios de imprensa, a atual crise do Senado, como crise de legitimidade, crise de credibilidade, é crise da falência histórica da democracia burguesa e seu sistema representativo e, como tal, é parte de uma situação revolucionária emdesenvolvimento desigual mundo afora. E mais, ela não tem solução nos marcos das medidas tomadas nem ao nível do G-20, menos ainda ao nível da direção do Senado brasileiro. Nesse caso, José Ribamar falta com a verdade quando se coloca fora da crise. Como veterano da politicagem oligarca, ele não tem como se demarcar da mesma. Ele é a expressão mais aguda da crise do velho Estado brasileiro.

O discurso do oportunismo

Submisso até a medula ao imperialismo e composto internamente com a escória das classes dominantes, Luiz Inácio não poderia ter outra consideração para com Sarney do que a que ele expressou aos jornalistas em uma viagem à Ásia declarando que Sarney "tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Pragmático, mas do bom, oportunista convicto e confesso, Luiz Inácio vê em Sarney, como vê em Renan, Collor, Jader, Dirceu et caterva, peças fundamentais para seu projeto continuísta com ou sem Dilma.

Mas há quem proponha o fim do senado. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), defendeu a proposta em encontro de sua agremiação: "Muitos países têm sistema unicameral. É mais produtivo para a democracia, agiliza os processos e reproduz a vontade do povo", disse ele a jornalistas.

Cumprem os petistas, secundados por toda a tralha da chamada esquerda eleitoreira, o desígnio do oportunismo de tentar salvar o capitalismo moribundo a partir da salvação de um dos seus símbolos, o parlamento burguês.

A saída revolucionária

Toda essa procissão de "salvadores" não conseguirá com suas preces salvar a moléstia que como um câncer se nutre do suor, sofrimento e sangue do povo brasileiro. O carnegão desse tumor é o próprio sistema, portanto, ele só poderá ser extirpado quando as massas populares entrarem em cena. Sim, não há outra via que não a via revolucionária para sanar tal mal. Pois trata-se de abolir as relações semicoloniais e semifeudais a que está submetida a imensa maioria, as massas populares e a nação brasileira para o estabelecimento de uma Nova Democracia, através da revolução democrática ininterrupta ao socialismo.

A denúncia da podridão do sistema em seus vários episódios é apenas a base para, partindo da indignação das massas, mobilizá-las, politizá-las e organizá-las para sua emancipação política, econômica e social. Afinal, só através do poder expresso no Estado de Nova Democracia poderá executar-se as medidas de transformação da sociedade exigidas, há séculos, pela nação.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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