Professores e estudantes das universidades Federais em greve nacional

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Professores e estudantes das universidades Federais em greve nacional

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Greve contra o desmantelamento da universidade pública

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Assembleia durante a qual os docentes da UFPE aprovaram a greve

No dia 15 de maio os professores da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Univasf, em Pernambuco, já haviam paralisado as aulas. No dia seguinte os docentes da Universidade Federal da Paraíba – UFPB e Universidade Federal de Campina Grande – UFCG também deflagraram greve. Em 17 de maio, a paralisação dos professores da Universidade Federal do Paraná levantou as palavras de ordem da reestruturação da carreira dos docentes nas universidades federais, de reajuste salarial e contra o desmantelamento da universidade pública, ganhando repercussão nacional. Nesse mesmo dia a greve foi deflagrada em 30 instituições.

Assembléias repletas de estudantes e professores se sucederam. Demandas de greves anteriores não cumpridas pelos gerenciamentos de turno ou reitorias antidemocráticas foram levantadas uma a uma e somadas em uma ampla pauta de reivindicações que não dizem respeito apenas a medidas econômicas. O que está em jogo é o combate aos sucessivos ataques à universidade pública brasileira, entre eles:

  • a defasada e quase inexistente assistência estudantil,
  • as precárias condições das salas de aula e laboratórios,
  • o estado lastimável dos hospitais universitários,
  • a falta de verbas para pesquisa e extensão,
  • os baixos salários de professores e funcionários,
  • a falta de democracia,
  • a imposição do Reuni – decantado projeto de “Reestruturação e Expansão das Universidades Federais” – que determina a expansão vagas nas universidades sem propiciar estrutura adequada para as atividades acadêmicas, etc.

Em 21 de maio o Comando de Greve do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – Andes-SN divulgou nota dirigida à sociedade brasileira.

“Por que os(as) professores(as) das instituições federais estão em greve?

Os(as) professores(as) federais estão em greve em defesa da Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade e de uma carreira digna, que reconheça o importante papel que os docentes têm na vida da população brasileira. O quadro é muito diferente do que o governo noticia. Existem instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aula, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico, afetando diretamente a qualidade de ensino.”

Por fim, o texto convida a todos a se juntarem na luta iniciada pelos docentes. “Essa batalha não é só do (as) professores (as), mas de todos aqueles que desejam um país digno e uma educação pública, gratuita e de qualidade”.

Em 22 de maio a greve já se estendia por 43 das 59 universidades federais. Aderiram ao movimento os professores do Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET de Minas Gerais, do Instituto Federal de Minas Gerais – IFMG e do Instituto Federal e Tecnológico do Sudeste de Minas Gerais e outros institutos técnicos federais de outras regiões do país passaram também a engrossar a luta. E assembléias estão convocadas em outras instituições.

Gerenciamento oportunista ataca

Em 23 de maio, o ministro da educação Aloísio Mercadante (PT) atacou o movimento apelando para a sua suspensão, taxando-o de “precipitado”. Esquivando-se de suas responsabilidades, o ministro declarou que “quem cuida disso (das reivindicações da greve) é o (ministério do) Planejamento”, e que não vê “o porquê de uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo e há tempo para negociar”. Rebatendo as afirmações de Mercadante, a presidente do Andes, Mariana Barbosa afirmou que os docentes estão “em negociação desde agosto de 2010 e até o momento não se avançou em nada na mesa em termos de alteração da proposta governamental sobre reestruturação de carreira“.

A grave crise enfrentada pelas universidades públicas brasileiras é reflexo de décadas de descaso. E isso não se alterou com a gerência PT-FMI. Basta levantar os números do orçamento anual do gerenciamento Rousseff em 2011, que destinou ínfimos 2,99% dos recursos da união para a educação. O Orçamento de 2012 destinará apenas 3,18% do total dos recursos para educação. [fonte: Novamente previsão é de gastos seis vezes maiores com o pagamento da dívida pública do que com saúde e educação juntos. Raquel Júnia – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)].

Enquanto o Reuni é imposto goela abaixo, apesar da resistência e luta dos setores democráticos das universidades, até dezembro de 2011 apenas 46% das obras previstas pelo plano de reestruturação e expansão das universidades – Reuni –, datado de 2007, haviam sido concluídos.

Com o passar dos dias, docentes de outras instituições somaram-se ao movimento, ampliando para 49 o número de universidades em greve. O ministro Mercadante tentou apelar para a dramatização afirmando que “uma paralisação como essa traz muitos prejuízos para um milhão de alunos. A sociedade investe pesado para sustentar as universidades federais” [fonte: Agência Estado em 25 de maio de 2012].

A resposta para o descaso e os ataques do governo foi mais luta.

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Estudantes da Univesidade Federal de Viçosa, MG, aprovam greve

Começa a greve estudantil

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Estudantes da UFRJ aprovam greve

Em uma massiva assembléia realizada em 16 de maio na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, os estudantes já haviam decidido deflagrar greve somando as suas reivindicações aos dos docentes.

Em 29 de maio, cerca de dois mil estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ decidiram decretar greve estudantil e apoio a greve dos professores.

O mesmo se deu na Universidade Federal do Paraná, onde os estudantes aprovaram em assembléia pela deflagração da greve estudantil a partir de 30 de maio em apoio à greve dos professores.

Na universidade de Brasília também ocorreu uma concorrida assembléia estudantil no dia 29, cerca de 400 estudantes aprovaram a greve estudantil. Os Centros Acadêmicos e o Diretório Central dos Estudantes referendaram a decisão da assembléia geral e o movimento se estendeu por todo o campus.

O Movimento Estudantil Popular Revolucionário publicou um manifesto em sua página na internet convocando os estudantes combativos para ocuparem as universidades:

“É necessário que os estudantes, setor mais numeroso e dinâmico da Universidade, que têm protagonizado dezenas de ocupações de reitoria contra o Reuni de 2007 pra cá, tenham independência durante a greve, ou seja, agreguem à pauta do movimento docente suas próprias reivindicações. Devemos dizer com todas as letras que o sucateamento das Ifes tem uma causa muito clara, qual seja, o continuado corte de verbas e o Reuni.
Aos estudantes não interessa uma greve do tipo de “desgaste”, com universidades vazias e desmobilizadas. Ao contrário: a greve que nos serve é a greve de ocupação, com universidades cheias, debates políticos e atos”.

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