Protesto em Londres contra os estupros de mulheres indianas

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Protesto em Londres contra os estupros de mulheres indianas

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Basta de Violência! Basta de Estupros!

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Londres: palavras de ordem e cartazes em repúdio à violência contra as mulheres indianas

Foi realizada, no último dia 26 de janeiro, em frente à Casa da Índia, em Londres, uma manifestação, convocada pela Associação dos Trabalhadores Indianos na Grã-Bretanha, contra a violência crescente sobre as mulheres indianas. “Basta de violência, basta de estupros!”, gritavam indignadas as manifestantes denunciando, mais uma vez, o estupro recente de uma jovem mulher, em um ônibus em movimento, e a sua posterior morte, causada pelos graves ferimentos. Segundo a Associação, “tais estupros tornaram-se galopantes nas cidades e vilas indianas. Poucos meses atrás o jornal inglês The Guardian comentou que a Índia passou a ser o pior país para as mulheres entre os países do G20. As leis indianas contra o estupro não são rigorosas o suficiente, porque tanto o executivo quanto o judiciário indianos são muito feudais e patriarcais. A taxa de condenação para casos de estupros na Índia, entre 2001 e 2010, foi de apenas 26%. Nos casos cujas vítimas são mulheres muçulmanas e Dalits a taxa de condenação é quase nula”.

No entanto, a Associação denunciou que o Estado indiano tem sido o maior perpetuador de estupros e de todas as formas de agressões contra as mulheres. A violência do Estado é institucionalizada e se concretiza através de uma cultura de impunidade institucional para com a polícia, os paramilitares e o exército. “Em junho de 1984, centenas de mulheres sikhs foram violentadas no seu templo, pelo exército indiano, durante a chamada ‘Operação Estrela Azul’. Na aldeia de Kuman-Poshpura, na Caxemira, cerca de cem mulheres foram estupradas em massa pelo exército indiano em uma única noite, no dia 23 de fevereiro de 1991. Centenas de mulheres muçulmanas foram violentadas pelas forças de segurança durante os motins anti-muçulmanos em Gujarat, em 2002. O estupro brutal e a execução de Manorama Thangjam, de 32 anos, em Manipur, em julho de 2004 é outro exemplo da brutal repressão, em curso, do exército indiano sobre as mulheres no nordeste do pais”, informou ainda a Associacao dos Trabalhadores Indianos.

“A situação das mulheres Dalits e Adivasis é muito pior nas regiões ricas em minerais, como em Chhattisgarh, Orissa e Jharkhand, no centro e no leste da Índia. O governo indiano implantou mais de 75 mil paramilitares, estabeleceu uma base do exército e pistas de pouso para a Força Aérea, com o único objetivo de forçar o deslocamento de milhões de indígenas de suas terras, para pavimentar o caminho para a exploração das empresas multinacionais (Londres Vedanta, entre elas). Com a chamada ‘Operação Caçada Verde’ os militares estão invadindo aldeias, queimando casas e plantações, estuprando mulheres e matando os moradores. O incidente mais recente é o conhecido ‘Massacre de Bijapur’, que aconteceu em Kotteguda, aldeia de Chhattisgarh, em 28 de junho de 2012, quando 17 moradores inocentes — três deles eram jovens mulheres — foram assassinados. Isto é visto como uma continuação do infame estado ‘Salwa Salwa’, durante o qual aldeias foram queimadas e as mulheres violentadas, antes de terem seus seios cortados e de serem mortas por exigirem os seus direitos sobre suas terras ancestrais. Centenas de mulheres, presas devido a acusações fabricadas, estão definhando em prisões por anos, enfrentando a tortura e estupro”.

Um dos piores casos, e amplamente conhecido, é o caso de Soni Sori, uma professora de Chhattisgarh. Ela foi submetida às mais brutais formas de tortura sob custódia policial, em outubro de 2011, inclusive sendo estuprada repetidamente, submetida a choques elétricos, e tendo pedras inseridas em seu reto e sua vagina pela polícia do distrito. Ela ainda definha na prisão enquanto o policial responsável pelo estupro e tortura selvagem recebeu o Prêmio Gallantry, do Presidente da Índia, Pratibha Sra. Bharati, no Dia da República, em 26 de janeiro do ano passado.

A Associação dos Trabalhadores Indianos na Grã-Bretanha, assim como todas as mulheres presentes no ato de protesto em Londres, condenaram a violência e os abusos sexuais sobre as mulheres e exigiram punição dos perpetuadores de todos os estupros, incêndios e assassinatos de mulheres na Índia. Exigiram também a retirada imediata do exército e das forças paramilitares da Índia central e leste, assim como da Caxemira e dos estados do nordeste. A Associação convocou a todos para lutarem contra o patriarcado, as instituições feudais e os ataques por parte do Estado indiano.

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