Protestos antiimperialistas no Oriente Médio e no Norte da África

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Protestos antiimperialistas no Oriente Médio e no Norte da África

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Kabul: afegão protesta ateando fogo à bandeira ianque. 16/09/2012

No mês de setembro uma nova onda de radicalizados protestos antiimperialistas correu os países do Norte da África e do Oriente Médio. O estopim de mais esta vaga de manifestações – e não o motivo da revolta árabe geral, que é mais profundo, e diz respeito à ingerência, à rapina e as agressões promovidas pelo USA e pelas potências capitalistas europeias naquelas regiões do mundo – foi a circulação na internet de um vídeo com ofensas à cultura daqueles povos e a publicação de desenhos com alusões depreciativas à iconografia da religião islâmica.

Ou seja: as razões para o perpetuado levante dos povos do Norte da África e do Oriente Médio vão muito, muito além de um filme e de charges consideradas ofensivas ao Islã; elas são bem laicas, por assim dizer, como o demonstram os protestos massivos no Egito que vêm sendo realizados há vários meses contra os desmandos do FMI e pela responsabilização da Junta Militar pelos crimes que vêm sendo cometidos contra o povo rebelde; ou as greves e protestos de cunho classista que vêm sendo levados a cabo pelo proletariado da Tunísia.

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Benghazi, Líbia, 14 de setembro
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Polícia de Israel prende palestino

Encampar o discurso da mera revolta religiosa é jogar o jogo do imperialismo ianque, que prefere identificar seus inimigos como “fanáticos” do que admitir que existe uma profunda resistência contra a “exportação” da “democracia” burguesa ocidental e uma profunda revolta ante as condições degradadas de vida das massas trabalhadoras de todo o mundo.

Depois que o embaixador ianque na Líbia, Christopher Stevens, foi justiçado em uma ação ocorrida no último dia 11 de setembro no consulado do USA na cidade de Benghazi, como A Nova Democracia noticiou na edição 96, seguiram-se no mês em várias nações avivadas manifestações de claro repúdio às estratégias e artimanhas de perpetuação da devastação imperialista levada a cabo sempre sob a fumaça demagógica da “democracia” – a “democracia” dos monopólios e do colonialismo.

Na Nigéria, país mais populoso da África, o povo queimou bandeiras do USA, de Israel e da França. Acossados pelas massas de nações oprimidas, os ianques retiraram grande parte do seu pessoal diplomático da Tunísia e do Sudão.

Ianques são alvo também na Europa e na Ásia

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Chennai, India, 14 de setembro
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França

Protestos radicalizados anti-USA também acontecerem em países que não estão no Norte da África ou no Oriente Médio propriamente ditos. Na Europa, no dia 23 de setembro, as forças de repressão da Grécia usaram de muita violência para impedir que uma marcha de mais de mil pessoas chegasse ao seu destino pretendido: a embaixada ianque em Atenas.

Outra nação que foi palco de retumbantes protestos contra os ianques foi o Paquistão. No dia 21 de setembro, uma sexta-feira, pelo menos 21 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em função da violenta repressão desencadeada contra uma jornada de retumbantes manifestações anti-USA em todo o território paquistanês. Naquela feita, a secretária de Estado ianque, Hillary Clinton, parabenizou a gerência de Islamabad pela violência desencadeada sobre o povo:

“Eu gostaria de agradecer ao governo do Paquistão por seus esforços para proteger nossa embaixada e nossos consulados em Lahore, Peshawar e Karachi. E eu gostaria de ser clara: como eu disse em várias outras ocasiões, a violência que estamos vendo não pode ser tolerada. É claro que isso é provocação, e nós estamos deixando claro que não vamos aceitar qualquer tipo de provocação”.

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Sanaa, Iêmen: embaixada ianque atacada

A agressora e provocadora falando em agressão e provocação… No início de setembro, Hillary classificou como “covarde” o ataque à embaixada do USA na cidade de Peshawar. Ora, que dizer então dos ataques ianques com “drones” – aviões de bombardeio não tripulados – contra redutos da resistência paquistanesa à ostensiva presença ianque no país?

Os “analistas” do monopólio internacional da imprensa, arautos da contra-informação imperialista, tentam vender a ideia de que os “governos pós-revolucionários” – o que pode ser “traduzido” como os gerenciamentos que as potências instalaram nos países varridos pela mal chamada “Primavera Árabe” depois que cavalgaram e sabotaram aqueles protestos massivos por uma democracia verdadeiramente popular – não contam com a ajuda dos “seus povos” no momento em que, dizem, “mais precisam de ajuda para construir suas instituições”.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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