Quebradeira sem fim na Europa

Quebradeira sem fim na Europa

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Há meses, anos, as classes dominantes da Europa se esmeram à sua maneira para tentar respirar em meio à crise geral de superprodução relativa do capitalismo. Para isso recorrem a arrochos aos trabalhadores sem precedentes na história recente e até mesmo a suspensão de eleições em alguns países para a implementação acelerada de medidas anti-povo por tecnocratas indicados pelo FMI.

Tanto esforço para tentar frear o destino reservado pela história aos monopólios resultou em absolutamente nada. No final de abril eram sete os países europeus tecnicamente em recessão: Reino Unido, Portugal, Espanha, Grécia, Bélgica, Holanda e Itália.

Na Alemanha, o Ministério da Economia divulgou dados no início de abril mostrando que a produção industrial da maior economia capitalista da Europa caiu 1,3% em fevereiro, muito mais do esperado 0,5% de retração, pulverizando o anteriormente festejado aumento de 1,2% em janeiro. As “autoridades” da Alemanha culparam o frio…

Mas o fato é que o dado jogou um balde de água fria nos esperançosos de que o país pudesse escapar de uma recessão no curto prazo.

Na Holanda, repetiu-se o modus operandi das democracias europeias nos tempos que correm. O primeiro-ministro, Mark Rutte, caiu logo depois que não conseguiu aprovar um lote de medidas anti-povo no Parlamento, com as quais sua administração pretendia, às custas dos trabalhadores, ajustar o déficit público do país ao teto imposto pela União Europeia.

Logo após a queda de Mark Rutte, que passou a ser, ele próprio, primeiro-ministro interino, um acordão entre as facções partidárias holandesas visando as eleições que foram convocadas apenas para setembro (para dar tempo de arrochar bastante as massas sem ônus político para ninguém), resultou na aprovação do aumento da idade para se aposentar, congelamento dos salários dos funcionários públicos e maior liberdade para as empresas demitirem – enfim, a cartilha de sempre dos inimigos do povo.

Na Espanha, o Instituto Nacional de Estatística divulgou, já no apagar das luzes de abril, mais um número recorde do desemprego no país. No final de março a economia espanhola, a quarta em tamanho da zona do euro, possuía 5,64 milhões de pessoas sem trabalho, o que representa 24,44% da população economicamente ativa, um recorde nos países industrializados e mais que o dobro da média da Eurozona, que em janeiro foi de 10,7%.

Mesmo os até agora inabaláveis países nórdicos entram na rota da quebradeira. A agência de classificação de risco capitalista Moody’s rebaixou as notas dos bancos da Dinamarca, depois que até mesmo a Suécia – que costuma ser alardeada como suposto modelo de que o capitalismo pode dar certo para o povo – já ensaiar a elaboração de medidas de “austeridade” nos moldes das que vêm sendo implementadas ao sul do mar Báltico para também tentar evitar a ruína.

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