Resistência popular na Ásia, Europa e América Latina

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China

O martírio dos operários nas minas de carvão

Pelo menos 34 operários morreram no dia 10 de novembro em decorrência de uma explosão em uma mina de carvão em Yunnan, sudoeste da China. Nesse mesmo dia, nove trabalhadores também foram soterrados em outra mina de carvão situada no distrito de Shizong.

Os operários das minas de carvão enfrentam condições desumanas de trabalho, sem segurança, recebendo péssimos salários, submetidos a um regime de trabalho que se arrasta desde a época do feudalismo.

Apenas em 2010, segundo estatísticas divulgadas pelo governo, 2433 mineiros morreram na China, ou seja, mais de seis por dia. Organizações não governamentais dão conta de números ainda maiores.

Greves nas fábricas de Taiwan

Com informações de China Labour Bulletin


2 mil operários em greve enfrentam a polícia em Taiwan

Cerca de sete mil operários de uma fábrica calçados em Taiwan foram às ruas no dia 17 de novembro em protesto contra cortes salariais e a demissão de 18 trabalhadores.

Há denúncias de que as forças policiais reprimiram brutalmente o protesto deixando vários operários feridos e prendendo outros tantos.

No início do mês, outra fábrica de calçados de Taiwan, em Dongguan, foi palco de uma greve de dois mil operários contra o regime de compensação de horas e demissões.

Peru

Levantamentos populares em Apurímac

No dia 11 de novembro, trabalhadores das províncias de Andahuaylas e Chincheros, na região andina de Apurímac, se levantaram em mais uma onda de protestos contra as concessões outorgadas pelo gerenciamento Ollanta Humala para a exploração de mineradoras na região. Eles denunciam que a atividade mineradora contaminará as fontes de água, afetando a pecuária e a agricultura local.

Uma greve geral de mais de dez dias paralisou toda a região, fechando o comércio e paralisando os transportes.

No dia 10, pelo menos 80 camponeses ficaram feridos, dois deles em estado grave, após enfrentamentos com as forças de repressão. 15 policiais também ficaram feridos nesse confronto. Alguns meios de comunicação chegaram a anunciar três mortes.

Os gerenciamentos de Fujimori, Toledo e García já haviam feito concessões para a exploração mineradora nessa região sem consultar previamente as comunidades andinas. Hoje, 54% do território nessa região já são explorados por essas empresas, o que põe em risco 98 comunidades camponesas nessas duas províncias.

As forças de repressão do velho Estado atacaram com selvageria os protestos populares deixando dezenas de feridos.

O gerenciamento Humala tem desencadeado dura repressão contra os movimentos populares em diversas partes do país. Nesse mesmo período, na região de Ancash, ao norte, policiais atacaram com bombas de gás e disparos um grupo de manifestantes que bloqueavam a rodovia Panamericana em um protesto contra poluição causada pelas mineradoras.

Turquia

Batalhas operárias na indústria do couro

As fábricas do ramo do couro Savranoglu Leather e Kampana Leather estão localizadas, respectivamente, nas cidades de Izmir e Istambul e são propriedades de um mesmo grande empresário.

Os operários dessas fábricas lutam contra perseguições políticas, contra os péssimos salários e outros direitos.

No mês de maio o sindicato dos trabalhadores do setor organizou uma grande luta contra a demissão arbitrária de 16 operários na Kampana Leather. Uma greve foi organizada e durou mais de 220 dias.

O proprietário transferiu a produção da fábrica paralisada para a Savranoglu Leather, em Izmir. Em resposta, o sindicato organizou um piquete paralisando os trabalhos também nessa fábrica.

Em novo golpe, o proprietário ordenou nova transferência da produção para Istambul. Dezenas de operários tiveram que se deslocar de uma cidade a outra, sem alojamento, sem condições mínimas de trabalho. Mais uma vez, os operários responderam com greve.

As forças de repressão foram acionadas pelo empresário para reprimir o movimento, mas os policiais recusaram-se a reprimir a greve temendo que o movimento se estendesse por toda a região.

36 operários foram demitidos no dia 13 de outubro em uma represália patronal contra a organização operária. Há denúncias de que inúmeros trabalhadores sofrem enfermidades devido ao contato com produtos químicos utilizados no tratamento do couro e não têm direito a um plano de saúde. Eles trabalham em jornadas extenuantes, até as 2 ou 3 horas da madrugada, e recebem um salário de fome de 220 euros mensais (o equivalente a R$ 530,00). Os operários ainda denunciam que as fábricas descarregam resíduos químicos nos rios contaminando a água e a terra. Eles exigem que seus direitos sejam cumpridos e sua organização respeitada.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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