Saara: todas as nuances de uma agressão imperialista

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Saara: todas as nuances de uma agressão imperialista

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A agressão francesa ao Mali tende a transbordar para a Argélia

É fundamental, para o bem da consciência política dos povos do planeta, constatar que as agressões imperialistas a nações diversas mundo afora – com ou sem a anuência e a cumplicidade dos governantes ou gerentes locais – obedecem à mesma velha cartilha, tanto no modus operandi do ataque em si quanto na ofensiva paralela de contrainformação ecoada pela imprensa burguesa internacional, parceira de armas dos esforços para a repartilha do mundo entre as potências capitalistas e seus monopólios.

Isso ocorre agora mesmo, no mais novo front aberto pelo imperialismo, ou seja, no Mali, em particular, e na região do Saara, em geral, tendo em vista que a agressão encabeçada pela França tende a “transbordar” para a Argélia, no que parece ser o início de uma verdadeira campanha militar de recolonização da antiga África ocidental francesa. Senão, vejamos:

O ‘terrorismo’, sempre ele

Como toda agressão imperialista dos tempos que correm, esta campanha de repartilha da região do Saara entre as potências capitalistas também foi desencadeada sob o mote do “terrorismo”, ou do combate a ele.

Neste sentido, o da empulhação, a secretária de Estado ianque, Hillary Clinton,  falou sobre a necessidade de impedir que o norte do Mali se torne um “porto seguro” do qual “terroristas” pudessem lançar ataques contra o USA.

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Tropas francesas continuam embarcando para o Mali

A agência internacional de notícias AFP, ícone do monopólio internacional dos meios de comunicação, chegou a abastecer os jornais burgueses mundo afora com uma “notícia” intitulada “Islamitas abrem nova frente de combate no Mali”. Ora, quem senão o imperialismo acaba de abrir um novo front, no Mali, para seus infames combates com vistas exclusivamente nos seus interesses militares estratégicos e nas demandas dos grandes grupos econômicos capitalistas internacionais?

Os ataques ‘cirúrgicos’, sempre eles

Como de praxe nas agressões imperialistas mundo afora, a todo momento surgem informes redigidos pelos senhores da guerra do imperialismo dando conta de ataques aéreos alegadamente precisos – “cirúrgicos” é a palavra de uso contumaz – contra alvos como depósitos de armas e de combustível que seriam usados pelos “terroristas” ou contra prédios onde eles, os apresentados como “terroristas”, estariam escondidos.

O exército francês que ora lança ataques sem fim no território do Mali é o mesmo que no início de janeiro embrenhou-se em uma malfadada operação na Somália de resgate de um espião flagrado e capturado pela luta armada local, como A Nova Democracia informou em sua edição número 103. Pois agora surgem informações de que a única coisa que a França “cirúrgica” conseguiu com sua operação rocambolesca na Somália foi a morte de oito civis, todos destroçados em um ataque aéreo lançado contra a localidade de Bulomarer.

Calendário para retirada das tropas…

A exemplo das guerras de ocupação do imperialismo que perduram ao longo das últimas décadas, como no Iraque e no Afeganistão, esta agressão das potências ao povo do Mali já começa sob um calendário de “retirada das tropas” previamente destinado a não ser cumprido, servindo apenas para fazer fumaça à infame natureza da invasão.

O “socialista” François Hollande, “presidente” da França, disse que os soldados sob seu comando devem começar a sair do Mali em março. Segundo ele, a ideia é “transferir a segurança do Mali para soldados malineses”. Quem já viu esse mesmo filme?

E já se fala na lucrativa ‘reconstrução’…

E as potências imperialistas já começam a partilhar os trabalhos de “reconstrução” do Mali entre seus monopólios em crise e ávidos por contratos desta estirpe, que para eles significam algumas bolhas de ar. Em visita de um dia ao Mali invadido, no início de fevereiro, o “socialista” Hollande afirmou que a França vai “ajudar a reconstruir o país”, tal e qual os artífices do imperialismo ianque disseram no início das ocupações do Iraque e do Afeganistão, imediatamente antes de assinarem vultosos contratos que garantiram sobrevida a vários dos seus grupos capitalistas transnacionais da construção civil.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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