Síria: manobras e exercícios da guerra imperialista

https://anovademocracia.com.br/99/15b.jpg
https://anovademocracia.com.br/99/15b.jpg

Síria: manobras e exercícios da guerra imperialista

Print Friendly, PDF & Email
http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/https://anovademocracia.com.br/99/15b.jpg
População protesta após conflito entre exército livre e forças leais a Assad

No início de outubro ocorreu uma série de incidentes ao longo dos 900 quilômetros de fronteira entre a Síria e a Turquia. O exército sírio chegou a bombardear uma cidade turca, matando cinco pessoas.

A imprensa dos monopólios tem dito que o assassinato em Beirute, no dia 19 de outubro, do general Wissamal-Hassan, militar anti-sírio, chefe da inteligência do Líbano, foi o que desencadeou uma onda de protestos no país e faz parte de um esforço de Assad para “internacionalizar” a guerra civil na Síria como um meio de garantir a sua sobrevivência, tentando pelo menos vender caro a sua derrubada.

Outro sinal de que Assad estaria deliberadamente provocando a “internacionalização” do conflito são as informações de que o “presidente” da Síria estaria mantendo contatos com exilados no Iraque do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), grupo guerrilheiro que mantém uma luta armada contra o Estado turco, em retaliação ao apoio de Ancara à “oposição” síria.

O cenário geopolítico não se altera: o USA, as potências europeias e os enclaves do imperialismo no Oriente Médio, com destaque para Israel, Qatar e Arábia Saudita, estão ajudando as forças mercenárias da Síria, com quem já fecharam acordos, a quem financiam e a quem dão armas, enquanto que a Rússia, a China e o Irã seguem apoiando Assad, com os dois primeiros bloqueando repreensões e sanções a Damasco no âmbito da ONU. Os sinais de transbordamento direto da guerra síria para o Líbano, e talvez para a Turquia, aumentam as tensões entre as forças imperialistas em disputa neste cenário.

Não por acaso o representante especial do “presidente” russo Vladimir Putin, Mikhail Bogdanov, viajou no dia 22 de outubro para o Irã para discutir a situação na Síria. No mesmo dia um soldado jordaniano foi morto em um confronto com 12 homens armados que tentavam atravessar a fronteira da Jordânia com a Síria, segundo as informações oficiais.

Um dia antes, no domingo, dia 21 de outubro, dia em que o enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe para tentar negociar a “paz” teve uma reunião com Assad, em Damasco, um carro bomba explodiu na capital síria matando dez pessoas.

A “rebelião”, ou “conflito”, ou “guerra” na Síria já dura 20 meses e já resultou na morte de cerca de 34 mil pessoas. Outra centenas de milhares de sírios foram desalojados, e atualmente vivem como refugiados. Organizações de “defesa dos direitos humanos” dizem que há 28 mil desaparecidos na Síria por causa da guerra, gente sequestrada pelo exército ou por grupos mercenários.

A saída que o imperialismo costura na Síria é que o cessar-fogo anunciado por Assad, para a festa muçulmana do Eid Al-Adha, que teve início no dia 26 de outubro, se prolongue e que a chegada dos militares da ONU destacados para a ocasião se estabeleça no território sírio como mais uma “ocupação branca” dos capacetes azuis. O sucesso desse plano, entretanto, depende do quão boas seriam as condições que o imperialismo tem a oferecer a Assad: uma saída honro$a, um exílio suntuoso com garantia de ficar longe dos tribunais, ou até a permanência no poder, não sem renovados pactos com as potências ocidentais e seus monopólios, sobretudo os do setor de energia.

Para confirmar suas pretensões, a diplomacia ianque deu declarações cobrando “respeito” ao cessar-fogo por parte das tropas do governo Sírio e dos mercenários “rebeldes”.

Exercício de tropas da China, Rússia e Irã

Nas últimas semanas foi feito o anúncio da preparação para a realização dos maiores exercícios militares da história no Oriente Médio. O exercício, que será realizado em território sírio e não teve sua data exata anunciada, envolverá tropas do exército, marinha e aeronáutica da Rússia, China e Irã e contará com a participação de cerca de 90 mil soldados. Segundo dados divulgados pelas agências internacionais de notícias, os exercícios também contarão com 400 aviões e mil tanques. O governo do Egito deu permissão para que 12 navios da Marinha chinesa utilizem o Canal de Suez para se dirigirem à costa da Síria. Durante os exercícios, a Síria pretende testar mísseis terra-água e sistemas de defesa aérea.

USA assessora militares jordanianos

Em 10 de outubro, o secretário da Defesa ianque, Leon Panetta, anunciou o envio de um grupo de assessores militares do USA à Jordânia. No dia 18 de outubro, o exército jordaniano realizou uma série de manobras militares próximo à fronteira com a Síria, que incluíram o uso de aviões de combate e helicópteros.

Ianques e sionistas fazem manobras

No dia 22 de outubro, tropas do USA e de Israel realizaram exercícios militares conjuntos no Oriente Médio. Segundo as agências internacionais de notícias, 3.500 militares do USA estão mobilizados para esses exercícios, que contaram com a participação de mil militares israelenses. Foram realizados treinamentos com sistemas de mísseis ianques e israelenses.

Em setembro, tropas israelenses foram deslocadas para as Colinas de Golã, em território sírio, e realizaram manobras militares. Nessa mesma época militares ianques foram mobilizados na Jordânia, na região fronteiriça com a Síria.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: